Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

A new golden age for Tibet (música e vídeo de apoio ao Free Tibet Campaign)

(Nota: Música e vídeo de Paulo Stekel. A música foi feita por Paulo Stekel para ser um apoio ao trabalho da ONG Free Tibet Campaign – Londres – e do movimento Tibete Livre Brasil, que a representa por aqui. A música é pública e pode ser utilizada de modo não-comercial por qualquer ONG, ativista, blogueiro ou simpatizante da causa tibetana, como forma de aumentar a conscientização quanto ao sofrimento do povo do Tibete. Fotos do vídeo cedidas por Free Tibet Campaign, Pedro Saraiva, Falsalama, Phil Kirk e Paulo Stekel.)



“Uma nova era dourada para o Tibete”. Uma trilha sonora para a liberdade tibetana... por Paulo Stekel.

Neste vídeo, Paulo Stekel, músico, jornalista e coordenador geral do movimento Tibete Livre Brasil, apresenta a música “A new golden age for Tibet”, sintonizada para ajudar na luta em prol da liberdade do povo tibetano.



http://www.youtube.com/watch?v=bME0-__imuk

A música é de uso público e pode ser utilizada não-comercialmente por todas as ONGs de ajuda à causa tibetana pelo mundo, bem como por jornalistas, blogueiros e demais apoiadores do movimento Free Tibet em todo o planeta.

A música pode ser baixada gratuitamente no link:

http://www.4shared.com/file/113293249/72856b0a/A_new_golden_age_for_Tibet.html

Abaixo, a tradução do texto em inglês que aparece no vídeo:

“O Tibete era um antigo país do tamanho da Europa Ocidental, quando foi invadido pelo Exército Popular de Libertação da China, em 1950. Um lugar com uma cultura, história e identidade únicas, o Tibete tem mudado dramaticamente devido à invasão e ocupação chinesa. Não só muitos tibetanos têm perdido sua vida, como os tibetanos no Tibete não gozam dos direitos humanos básicos, e as autoridades chinesas introduziram políticas pelas quais a cultura, a linguagem e os recursos naturais tibetanos estão a ser sistematicamente e irrevogavelmente erodidos.
Exércitos contra monges ... Existe alguma chance para um Tibete Livre?
A esperança nunca morrerá no coração compassivo tibetano...
Acesse Free Tibet: www.freetibet.org
É possível paz, direitos humanos e liberdade no Tibete? Sim, é possível, se você aderir a esta causa agora...
Então, diga ao governo chinês:
Pare as execuções!
Pare com a tortura no Tibete!
Liberdade para os presos políticos!
Salve a língua, a cultura e a religião tibetana!
Tanto a música quanto o vídeo são a contribuição de Paulo Stekel para a liberdade no Tibete. Divulgue esta causa!”

Dúvidas e informações: pstekel@gmail.com

Tashi delek!!!

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Pela paz e a não-violência no Sri Lanka


Face ao desastre humanitário causado pela violência cega de ambos os lados envolvidos na guerra civil no Sri Lanka, que o governo cingalês declarou terminada após a matança e a fuga em massa de milhares de civis, que se encontram atualmente apinhados em campos de refugiados sem nenhuma infraestrutura básica, sem água, alimentos e assistência médica, em condições higiénico-sanitárias precárias e na maioria dos casos sem possibilidade de acesso por parte dos voluntários das organizações internacionais, divulgamos o apelo pela paz e a não-violência - em inglês - do maior movimento popular do Sri Lanka, de inspiração ao mesmo tempo budista e gandhiana: o Sarvodaya Shramadana Movement.

Statement by Sarvodaya on End of Violent Conflict

Por Vinya Ariyaratne (Fundador e Diretor Executivo do Sarvodaya Shramadana Movement do Sri Lanka)

The conflict between the Sri Lankan Armed Forces and the LTTE has ended after nearly three decades of hostilities. Today the Government of Sri Lanka is in control of the entire land area of the conflict-ridden Northern Province.

From the early days of conflict Sarvodaya has always championed for the non-violent resolution to conflict and focused on serving civilian population affected by the violence. We believe that non-violence is the only way we can solve differences and challenges in meaningful ways. As early as in 1983, Sarvodaya organized national dialogues to peaceful transformation of conflict and also organized relief programs to support people who suffered due to three decades of conflict. Over the years Sarvodaya led several programs at local and national level to find solutions to the crisis. At the same time, through our wide grassroots network we maintained a strong presence in the Northern and Eastern Provinces and served the affected population through our humanitarian programmes. We remain committed to our value of non-violence and believe that a genuine peace and reconciliation will require respect to each others concerns, values, culture, language, and heritage.

As the recent conflict began to escalate in 2006, Sarvodaya, along with other humanitarian organizations, lobbied for peaceful resolution to recent conflict. However, the final phase of this war had particularly disastrous consequences on the civilian population that was caught in its midst. As Sarvodaya, we acknowledge that civilians in the north suffered tremendous loss and injuries due to the conflict. And, as yet unknown number of lives were lost, injuries caused, and properties destroyed or damaged. A great deal of local and international effort was expended in trying to resolve the conflict through peaceful means, in order to prevent the adverse consequences to the civilian population. However, both parties could never come to an agreement on such a resolution.

As one of the few independent organizations with access to the displaced civilian population, Sarvodaya has played and continues to play a key role in providing humanitarian assistance such as cooked food, clothing, water and sanitation and child nutrition. Given the political and social context we operated in Sri Lanka, we made a conscious decision that our biggest contribution to the affected Tamil population at this given time would be to maintain a very strong presence on the ground in IDP camps and to ensure their access to essential services, medical care and justice.

We also acknowledge that an acute humanitarian emergency exists in the north today, where as many as 280,000 displaced civilians are being housed in temporary camps. In this light, we welcome the statement by President Mahinda Rajapaksa in which he said that the “war against the LTTE was not a war against the Tamil people” and that his government is committed to speedy resettlement of the displaced and a viable political solution is to follow.

While recognizing that for a number of reasons, IDP resettlement will require a prolonged engagement, we urge the government to begin the process as soon as possible in areas with none or low landmine risk. Sarvodaya is ready to become a strong partner in the resettlement process. We also stand committed to enhanced freedom of movement for the IDPs who are presently in camps. As an organization we believe that such freedom of movement is pre-requisite to the restoration of livelihoods and the rebuilding of lives and dignity. Sarvodaya hopes to engage its expertise in micro-finance and rural enterprise development to resuscitate the livelihoods and economy of this populace.

In addition to providing essential services, Sarvodaya in partnership with the Ministry of Health is conducting a special nutrition rehabilitation programme to combat moderate to severe malnutrition among children in displaced families.

Sarvodaya is already involved in the rehabilitation of a large number of underage combatants who are now in the care of the government of Sri Lanka. We are committed to their care and we hope to see a greater number of such young men and women being reintegrated to society.

We also recognize the loss and challenges faced by members of the armed forces and their families, a large proportion of whom come from economically poorer segments of our society. Many have laid down their lives or lost their limbs. Their families would require emotional, psychological and material support. The disabled combatants would require long term rehabilitation. Sarvodaya has a strong presence in rural villages in the South where such rehabilitation and reintegration can happen with maximum community participation.

Last, but not at all least, Sarvodaya believes that the way forward is through genuine reconciliation that leads to a proper healing process for the Tamil community. Sarvodaya’s national reawakening programme, Deshodaya, which is a grassroots governance process involving local opinion leaders from all Sri Lankan communities, could become of platform and a locally produced political solution that will address the core issues and the root causes of the three-decade long conflict that has scarred or nation.

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Curso de Arte Sacra Tibetana

Conforme email recebido de: Cerys Tramontini


(clique na imagem para ler o texto do convite)

Queridos amigos da sangha Floripa e arredores,

É com grande prazer e felicidade que anunciamos o primeiro curso promovido pelo CENTRO DE CULTURA TIBETANA na cidade de Florianópolis em pintura sacra tibetana. Salientamos que iremos disponibilizar poucas vagas para o evento, portanto os interessados já podem fazer suas inscrições.

Para aqueles que vem de outras cidades, podemos verificar a possibilidade em alojamentos solidários com os membros da sangha Floripa.

Amigos, que felicidades em estarmos enviando-lhes esse email. Nosso sonho está se concretizando e saibam que todos juntos cada um de sua maneira tem participação nele.

Segue essa linda mensagem, que reflete um pouco do nosso processo, e tenham a certeza de que todos juntos podemos nos tornar um lindo oceano OCEANO:

"Diz-se que, antes de um rio entrar no oceano, ele treme de medo.
Olha para trás, para toda a jornada: os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre.

Mas não há outra maneira...O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar! Voltar é impossível na existência. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.

E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece, porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas TORNAR-SE oceano.

Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.
Assim somos nós.
Só podemos ir em frente e arriscar.
Coragem!!
Avance firme e torne-se Oceano!!!

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Compreensão e compaixão são o caminho: religando às tradições espirituais à sua essência


Por Antonino Condorelli


Religião vem de religar, reconectar. Reconectar ao quê? À nossa natureza mais profunda, à nossa essência. Religar o nosso corpo, a nossa mente e as nossas emoções; nos religar ao outro, à espécie humana; nos religar à natureza, a todas as espécies vivas e inanimadas, aos animais, os vegetais e os minerais.


Se olharmos cuidadosamente para nós mesmos, perceberemos que não estamos sós: se soubermos tocar profundamente o nosso corpo, com atenção plena, veremos que todas as gerações passadas de nosso ancestrais, todas as gerações futuras que surgirão a partir de nós estão presentes em cada uma de nossas células; veremos que ele contém a nossa mente, porque tudo o que pensamos, sentimos, falamos e fazemos manifesta-se em nossa carne, traduz-se em sensações, em saúde ou doença; veremos que contém todas as pessoas, assim como a água da chuva, o solo, os minerais, tudo o que fez com que os alimentos que ingerimos ao longo da nossa vida chegassem até nós, incluindo o trabalho de quem os produziu e trouxe à nossa mesa, os alimentos que nutriram estas pessoas, as gerações passadas que possibilitaram a existência delas; veremos que contém o sol, que sustenta e torna possível a nossa vida; veremos que contém a história do universo, desde o big bang, porque absolutamente tudo o que aconteceu até hoje fez com que estejamos onde nos encontramos neste exato momento. Nós não existimos por nós mesmos: nós “interexistimos” com tudo o mais, intersomos.


Continua...


Clique aqui e leia na íntegra o discurso pronunciado pelo idealizador da Rede Brasileira de Budistas Engajados e membro da Sangha de Natal/RN informalmente ligada à Ordem do Interser de Thich Nhât Hanh no evento de lançamento do Fórum Potiguar de Diálogo Inter-Religioso, que aconteceu no Plenarinho da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Norte em 14/05/2009.

6 dias para libertar Aung San Suu Kyi


Car@s amig@s,

Avaaz.org - The World in ActionAung San Suu Kyi, líder pró-democracia e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, acabou de receber novas acusações dias antes do fim do cumprimento da sua pena de 13 anos de prisão. Ela e outros milhares de monges e estudantes foram presos por desafiarem pacificamente a ditadura brutal de seu país, a Birmânia (Mianmar).

Mesmo correndo o risco de sofrer uma retaliação dos militares, os ativistas da Birmânia estão organizando um movimento global pela libertação de Aung San Suu Kyi e de todos os prisioneiros políticos do país. Nós temos apenas 6 dias para ajudá-los a conseguir uma quantidade gigantesca de assinaturas, que serão apresentadas para o Secretário Geral da ONU – Ban Ki Moon semana que vem. A petição pede que ele dê prioridade máxima à libertação dos presos, impondo a libertação como condição para qualquer engajamento com a junta militar. Clique no link para assinar e encaminhe este email para seus amigos, só com um grande número de assinaturas poderemos garantir a libertação de Aung San Suu Kyi e de todos os presos políticos da Birmânia:

http://www.avaaz.org/po/free_aung_san_suu_kyi

No dia 14 de maio, Aung San Suu Kyi foi enviada para o presídio acusada de permitir a entrada de um homem norte-americano em sua casa, violando assim sua prisão domiciliar. A acusação é absurda pois a casa é cercada por guardas militares que são justamente os responsáveis pela guarda do local. Está claro que as acusações recentes são um pretexto para mantê-la presa durante as eleições de 2010.

O regime militar da Birmânia é conhecido pela repressão violenta a qualquer ameaça ao controle militar total. Milhares de pessoas estão presas em condições desumanas, onde não há atendimento médico e onde a prática de tortura e outros abusos são freqüentes. Há uma repressão violenta a grupos étnicos e mais de 1 milhão de pessoas já fugiram do país.

Aung San Suu Kyi é a maior ameaça ao poder da junta militar. Ela é a maior líder do movimento pró-democracia e teve uma vitória esmagadora sobre a junta nas eleições de 1990, sendo portanto a candidata mais forte às eleições programadas para o ano que vem. Ela tem sido presa continuamente desde 1988 – e apesar de estar sob prisão domiciliar, ela não tem contato nenhum com o mundo exterior. No presídio Insein onde ela foi levada semana passada não existe atendimento médico o que significa um enorme risco para as suas graves condições de saúde.

Fontes dizem que o movimento global que está emergindo para pressionar a ONU já está intimidando a junta militar. Mais de 160 exilados da Birmânia e grupos de solidariedade em 24 países estão participando desta campanha. O Secretário Geral da ONU e líderes regionais chaves que estão em contato com o regime militar da Birmânia podem influenciar o destino destes presos políticos. Semana passada o Secretário Geral Ban Ki Moon disse: “Aung San Suu Kyi e todos aqueles que podem contribuir para o futuro do país devem ser libertos”. Vamos surpreender o Ban Ki Moon com um chamado global massivo, pedindo que ele aja de acordo com as suas palavras e faça algo para acabar com a brutalidade militar, assine agora a petição:

http://www.avaaz.org/po/free_aung_san_suu_kyi

Assim como a libertação do Nelson Mandela, a liberdade de Aung San Suu Kyi depois de anos de uma detenção injusta, poderá representar um novo começo para a Birmânia, trazendo a esperança da democracia. Esta semana poderá se tornar um momento histórico – vamos mostrar nosso apoio à Suu Kyi e aos corajosos homens e mulheres que lutam pela democracia – demande sua libertação já!

http://www.avaaz.org/po/free_aung_san_suu_kyi

Com esperança,

Alice, Brett, Ricken, Pascal, Graziela, Paula e toda a equipe Avaaz


Para saber mais sobre Aung San Suu Kyi leia:

Prisão onde Suu Kyi é julgada tem apelido de "fossa do inferno":
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1159335-5602,00-PRISAO+ONDE+SUU+KYI+E+JULGADA+TEM+APELIDO+DE+FOSSA+DO+INFERNO.html

Perfil: Aung San Suu Kyi é símbolo de resistência pacífica:
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/05/14/perfil-aung-san-suu-kyi-simbolo-de-resistencia-pacifica-755859903.asp

Ban está alarmado com a acusações contra Suu Kyi em Mianmar:
http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5jr0GHlT32KuhsqxWbck6Dk4Ug5-w

Líder da Oposição democrática da Birmânia enfrenta julgamento:
http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Lider-da-Oposicao-democratica-da-Birmania-enfrenta-julgamento.rtp&article=220465&visual=3&layout=10&tm=7

Começa julgamento de líder pró-democracia de Mianmar:
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/05/18/comeca-julgamento-de-lider-pro-democracia-de-mianmar-755911485.asp

Suu Kyi já não se fazem heroínas assim:
http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1235851&seccao=Leon%EDdio%20Paulo%20Ferreira&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco

Sábado, 25 de Abril de 2009

Cuidando de Si, Cuidando do Mundo


Budismo Prático Para a Transformação da Sociedade
Por Samuel Cavalcante


Para Onde Vamos?

1. As mudanças climáticas, e o conseqüente aumento dos desastres naturais, trouxeram ao nosso convívio familiar um assunto outrora restrito aos debates intelectuais. Se antes o debate era feito em termos de “socialismo ou barbárie”, o capitalismo agora se defronta à sua própria sobrevivência e busca encontrar uma saída para a sua civilização. A palavra “socialismo” se esvaziou do seu conteúdo original e, depois do fracasso das experiências européias e asiáticas, tornou-se mais a expressão de um sentimento difuso de alguns intelectuais e de setores mais pobres e marginalizados que um projeto civilizatório alternativo. Com esse alarme, as pessoas começam a perceber que o seu modo de vida tem um impacto no planeta em que vivem.

2. Acostumamo-nos a viver em função do aumento ilimitado de conforto e bens materiais. Para alcançar esse objetivo, os seres humanos ocuparam a Terra como uma máquina de guerra. Destruímos ecossistemas inteiros e ameaçamos destruir todos os outros. Extinguimos mais espécies vivas que todas as catástrofes naturais juntas. Acostumamo-nos a extrair os recursos da natureza como se eles fossem inexauríveis. Avançamos sobre as florestas transformando-as em pastagens e plantações de grãos como se isso fosse indiferente. Consumimos água como se ela fosse abundante, como se as fontes jamais secassem. Produzimos e consumimos plásticos e sintéticos sem nos darmos conta de que, em breve, não teremos lugar para jogar tanto lixo - sem percebermos que tanto a capacidade da sociedade como a da natureza em reciclar todo esse lixo é limitada.

3. Exploramos as energias do trabalho humano até o limite. Tentamos transformar cada minuto da vida em uma chance de aumentar a produtividade - estamos fazendo sempre, e cada vez mais, uma grande quantidade de coisas ao mesmo tempo. Estamos sempre tentando trocar o pneu com o carro andando, não queremos perder tempo. A tecnologia nos permite cumprir um sem número de tarefas e nos promete, com isso, mais tempo livre. Mas se pararmos para observar, essa mesma tecnologia não dissemina apenas mp3 e televisões por todo o canto. Ela sugere também a possibilidade levarmos mais trabalho para a cama, para o banheiro, para o restaurante, para a escola, para o carro, para as férias na praia.

4. O mp3 e a televisão são apenas acompanhamento para o trabalho extra com gosto de tempo livre. Na realidade o tempo livre é cada vez menor – menos tempo livre para ficarmos sozinhos, para usufruirmos a companhia de quem amamos, amigos e companheiros, para termos contato com a natureza, para usufruirmos de um pouco de paz e silêncio..

5. Estamos nos tornando incapazes de perceber diretamente as belezas da vida ao nosso redor, o verde, as árvores, os passarinhos, o olhar das pessoas, sejam elas crianças ou adultos. Esquecemo-nos de ver o céu azul e observar a curiosa forma das nuvens, esquecemo-nos de ver uma nuvem de chuva que se forma no horizonte e contemplar quando o tempo fica bonito pra chover e quando podemos até sentir o cheiro da chuva que vem de longe carregado pelo vento. Andamos apressados e ansiosos para perdermos caloria e não nos damos conta do vai-e-vem das ondas na praia ou os passarinhos nos fios dos postes ou até da beleza de detalhes arquitetônicos ou da vida comum dos bairros.

6. Estamos nos tornando incapazes de nos relacionar com o mundo sem mídia, sem meio, sem intermediações tecnológicas e, finalmente, tendo menos tempo livre para pararmos e nos darmos conta: para onde estamos indo?

7. A nossa sociedade é baseada na produção generalizada de mercadorias e na transformação generalizada dos elementos da realidade em mercadoria. Mas não é só isso. Tem mais um detalhe. Para que os criadores e vendedores de mercadorias tenham mais lucro é necessário que a forma por excelência do consumo seja individual. A produção não é para ser consumida coletivamente, é para servir aos desejos estimulados (e descontrolados) por bens e serviços de cada indivíduo. Como o objetivo é comprar prazer e satisfação, é necessário que o consumo se dê na esfera puramente privada, individual, solitária, pessoal. Não apenas a comida, móveis, bicicletas, bolsas, relógios, calças, cigarros são mercadorias. Qualquer coisa pode ser uma mercadoria e ser tratada como tal. As árvores, as flores, o ar puro, o amor, o sexo, o prazer, as notícias, as descobertas científicas, as filosofias, as armas, os governos, os partidos políticos, o corpo humano, os órgãos do corpo humano, tudo se transforma em mercadoria. Tem preço, custo, vida útil e sofre as oscilações do mercado, da inflação e da taxa de juros. E também, por que não, podem ser motivo de uso da violência para sua apropriação.

8. O "mercado", este fenômeno social que é quase uma pessoa, "descobriu" que a busca da felicidade pode ser facilmente substituída pela busca da satisfação dos desejos, especialmente a busca do prazer. Descobriu também que os desejos humanos são extremamente elásticos e, estes sim, muito provavelmente são inesgotáveis. Descobriu, por fim, que a busca do prazer é, por extensão, a busca por se cercar de coisas e que o prazer advindo dessas coisas é muito provisório e precário, ou seja, facilmente as novidades se tornam enfadonhas.

9. Essa é base sobre o qual construímos uma capacidade tecnológica enorme de criar mercadorias diferentes e transformar tudo o que nos cerca em novas mercadorias, as quais também envelhecem rapidamente e se transformam em um amontoado de mais do mesmo.

10. O tempo livre foi colonizado e com ele o reinado do mercado avança sobre a intimidade dos indivíduos e nas reentrâncias da vida privada e comunitária. A solidez e estabilidade da vida individual e comunitária são despedaçadas não em nome de uma percepção holística e sem ego do universo, mas como fruto da luta entre egos exacerbados pelo consumo e pela competição.

11. O fluxo da vida se torna um ciclo de trabalho, frustração, esperanças míopes, alegrias pontuais,economia de tempo e superestimulação dos sentidos. Não é à toa que vemos tocadores de mp3 e mp4 por todos os lados. A onipresença da música e da imagem serve justamente como pitada de tempero para disfarçar o prolongamento do tempo de trabalho, de produção e consumo de mercadorias, para as mais recônditas esferas da vida humana – as quais, até pouco tempo, tinham se mantido um pouco a um salvo da universalização do mercado e da circulação monetária. Tempo livre se tornou sinônimo de diversão e diversão, sinônimo de consumo - o corpo não pode parar, a mente não pode parar. Silêncio se tornou sinônimo de tédio, e paz, sinônimo de loucura.

12. Mas os alertas se multiplicam. Lentamente, estamos aprendendo que não pode mais ser assim. Tanto a idéia de que podemos produzir mercadorias ilimitadamente quanto a de que podemos consumir mercadorias ilimitadamente, são idéias extremamente perigosas - para nós e para nosso planeta. A satisfação é um estado volátil. Quando nos damos conta, não estamos mais satisfeitos. No budismo, costumamos chamar esse ciclo de satisfação e insatisfação no qual nos enredamos, de Samsara.

13. É necessário parar. Olhar em volta. Olhar para dentro. Para onde vamos?

Cinco Práticas Para Que o Futuro Seja Possível

14. “Para Que o Futuro Seja Possível” é uma maneira de traduzir o livro organizado pelo ven. Thich Nhat Hanh intitulado “For A Future To Be Possible”. Neste livro ele sugere aos indivíduos e grupos um conjunto de cinco práticas para, como o próprio título diz, garantir que o futuro seja possível.

15. Essas práticas são baseadas nos ensinamentos tradicionais do budismo, atualizados por ele e sua comunidade para dar conta das especificidades do mundo moderno.

16. Tradicionalmente, ao se tornar o budista o praticante toma para si o compromisso de praticar os chamados 5 preceitos (em sânscrito, Pancasila), que são: não tomar bebidas embriagantes, não matar, não roubar, proteger a energia sexual e praticar a fala correta. Thay observou que no Ocidente a palavra “preceito” é muito marcada pela tradição cristã dos mandamentos e pela noção de pecado. Refletindo em conjunto com a sua comunidade, ele então recuperou um outro sentido desses ensinamentos, também presente nos textos tradicionais: o de Shiksha, (treinamento em sânscrito). Chamou então a essas práticas de Os Cinco Treinamentos da Plena Consciência.

17. Thây e sua comunidade observaram que o modo de exposição, próprio ao costume de transmissão oral, já não era mais adequado aos tempos modernos e precisava ser atualizado. Os ensinamentos budistas, para serem práticos e eficazes, ou seja, serem úteis no processo de libertação e de transformação do sofrimento, precisam se aproximar da linguagem e da vida das pessoas, senão correm o risco de se transformar em mero objeto de devoção.

18. Não são mandamentos. E nem têm como pano de fundo uma noção dualista de bem e mal e de pecado. São práticas que tem como base a possibilidade de cada um contribuir à sua maneira para a transformação de si mesmos e da sociedade. Os praticantes não são convidados a repetir idéias ou a ser parte de uma redes de transmissão de noções políticas abstratas. Nem tampouco se apartam da sociedade para se purificar e encontrar, cada um, seu próprio caminho individual de libertação e felicidade e nem constróem barreiras sectárias entre si e as demais pessoas.

19. A noção de treinamento (shiksha), por outro lado, reforça a perspectiva de superação do dualismo do mandamento. O mandamento, é para ser cumprido e estabelece o limite do bem e do pecado. O treinamento reconhece a precariedade da nossa situação existencial. Reconhece o fato de que não nascemos como uma tábula rasa, pronta a ser preenchida por uma educação que tenta inculcar conceitos e mudar nossas práticas através da linguagem.

20. Ao propôr a figura do treinamento, Thay e sua comunidade, baseando-se nos ensinamentos originais de Buda, observaram que o que somos é fruto de todas as nossas conexões pessoais e físicas constituída no passado, no presente e no futuro. Conexões com nossos antepassados de sangue, e os antepassados dos outros, as grandes figuras, os grandes líderes políticos e espirituais que ajudaram a construir a nossa identidade pessoal e a identidade da nossa sociedade, o nosso meio-ambiente, nossos amigos, família etc. “Não somos criações, somos manifestações”, diz Thây.

21. O treinamento é um elo necessário entre a finalidade do fim do sofrimento, da utopia, da liberdade, e o caminho que conduz a ela. A possibilidade da liberdade já está aqui, não está em outro lugar e nem está no futuro. A efetivação da liberdade é uma revolução existencial, que começa e se completa aqui e agora, não há outro momento onde isso possa ser feito, o passado já foi e o futuro não está tampouco disponível. Só temos o agora disponível para ser transformado e só mediante um mergulho no agora é podemos transformar o passado e o futuro.

22. Aquilo que chamamos de “eu” é algo muito problemático. Ao observarmos profundamente o nosso eu vemos que a cada vez que tentamos encontrar algo que seja a base de uma identidade intrínseca, nós o perdemos logo em seguida. Somos feitos de elementos que, separados, desfazem a ilusão da solidez desse “eu”. Somos, ao mesmo tempo, a água, os sais minerais, os elementos químicos do mundo orgânico e inorgânico, o sol e tudo o que sustenta nossa sobrevivência. Carregamos, além disso, as gerações passadas no nosso corpo e na nossa mente. Nossa existência não pode ser separada da existência do outro, do ambiente, do universo. No budismo chamamos a isso de ensinamento do “não-eu” e é um dos pilares da prática.

23. Thay também criou uma palavra nova para designar a existência nesses termos. Para além das especulações metafísicas acerca do Ser e do Não-Ser, Thay nos convida a pensar multidimensionalmente, envolvendo ao mesmo tempo processo e interdependência. Então ele chama isso de Interser. É um verbo também, não é apenas um substantivo. Ao existirmos, intersomos. Nós e o sol intersomos, você e eu intersomos. Nos e a sociedade intersomos. O sol e a lua intersão. As florestas e o nosso prato de comida intersão, assim como a sociedade e a natureza...E assim por diante. É uma maneira de adaptarmos a nossa linguagem aos ensinamentos, um modo de transformar uma noção de interdepedência, que poderia ser interpretada de maneira demasiado estática, em um verbo que transmite a mesma noção só que agora carregada de movimento, processo, possibilidade.

As cinco práticas, ou treinamentos da plena consciência são os seguintes:

Primeiro Treinamento
Consciente do sofrimento causado pela destruição da vida, eu me comprometo a cultivar a solidariedade* e a aprender maneiras de proteger a vida das pessoas, animais , plantas e minerais. Estou determinado a não matar, a não deixar que outros matem e a não tolerar qualquer ato de matança no mundo, no meu pensamento e no meio modo de vida.

Segundo Treinamento
Consciente do sofrimento causado pela exploração, pela injustiça social, pelo roubo e pela opressão, eu me comprometo a cultivar a gentileza amorosa e a aprender maneiras de trabalhar pelo bem estar das pessoas, animais plantas e minerais. Praticarei a generosidade, compartilhando meu tempo, minha energia e meus recursos materiais com aqueles que realmente precisam. Estou determinado a não roubar e a não me apossar de nada que pertença, porventura, a outros. Respeitarei a propriedade alheia, mas impedirei que outros lucrem com o sofrimento humano ou com o sofrimento de outras espécies sobre a terra.

Terceiro Treinamento
Consciente do sofrimento causado pela má conduta sexual, eu me comprometo a cultivar a responsabilidade e a aprender maneiras de proteger a integridade dos indivíduos, dos casais, das famílias e da sociedade. Estou determinado a não me engajar em relações sexuais sem amor e sem compromisso duradouro. Para preservar a minha felicidade e a dos outros, estou determinado a respeitar os meus compromissos e os compromissos dos outros. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para proteger as crianças do abuso sexual e para impedir que casais e famílias sejam desfeitos pela má conduta sexual.

Quarto Treinamento
Consciente do sofrimento causado pelas palavras descuidadas e pela incapacidade de ouvir os outros, eu me comprometo a cultivar a fala amável e a escuta profunda para levar alegria e felicidade aos outros e aliviá-los em seu sofrimento. Estou determinado a falar a verdade, com palavras que inspirem autoconfiança, alegria e esperança. Não divulgarei notícias que não tenham fundamento seguro e nem criticarei ou condenarei aquilo de que não tenha certeza. Evitarei pronunciar palavras que possam causar divisão ou discórdia, que possam desagregar a família ou a comunidade. Estou determinado a fazer todos os esforços possíveis para reconciliar e resolver todos os conflitos, por menores que sejam.

Quinto Treinamento
Consciente do sofrimento causado pelo consumo irresponsável, eu me comprometo a cultivar a boa saúde, tanto física quanto mental, para mim, minha família e minha sociedade, praticando a alimentação, a ingestão de líquidos e o consumo com plena consciência. Somente ingerirei ítens que preservem a paz, o bem estar e a alegria no meu corppo, na minha consciência e no corpo coletivo e na consciência da minha família e da minha sociedade. Estou determinado a não usar álcool, ou qualquer tóxico ou consumir alimentos ou outros ítens que contenham toxinas, como certos programas de TV, revistas, livros, filmes e conversas. Estou consciente de que prejudicar o meu corpo ou minha consciência com esses venenos é trair meus ancestrais, meus pais, minha sociedade e as gerações futuras. Trabalharei para transformar a violência, o medo, a ira e a confusão que existem dentro de mim e na sociedade, mediante uma dieta para mim mesmo e para a sociedade. Entendo que uma dieta apropriada seja crucial para auto-transformação e para a transformação da sociedade.


Quem é Thich Nhat Hanh?

24. Thây, como é chamado pelos seus estudantes e seguidores, é um Mestre Zen nascido no Vietnã. No final dos anos 60, com a proibição de retornar ao seu país, Thay se estabeleceu no sudoeste da França, onde construiu uma comunidade de leigos e monásticos que é, hoje, internacionalmente conhecida como Plum Village. Tornou-se famoso por ter cunhado a expressão “budismo engajado” nas suas atividades sociais no Vietnã em meio às guerras de libertação nacional nos anos 60 – primeiro contra os franceses e, posteriormente, contra os norte-americanos. Nunca tomou partido nesse conflito, a não ser ficar ao lado dos camponeses pobres e ser contra a guerra, sendo por isso perseguido por ambas as partes em luta. Por causa desse engajamento, foi proibido primeiro pelo governo pró-americano e depois pelo governo comunista do Vietnã de retornar ao país. Somente em 2005 é que, depois de dez anos de negociações, ele pôde retornar e publicar livros, inclusive obtendo espaço para dar palestras para os altos escalões do partido.

25. Sua comunidade possui monastérios e centros leigos de práticas espalhados pelo mundo, especialmente Alemanha, Inglaterra, Holanda, Itália, França, Estados Unidos, Canadá, países escandinavos, Vietnã, Tailândia e Hong Kong. Nestes locais são organizados períodos de práticas coletivas de meditação, partilha de experiências, reconexão, exercícios físicos e artísticos, reflexão sobre o mundo moderno e encontros interreligiosos formais e informais. Os participante são convidados a refletir sobre si mesmos e sobre seus vínculos com os ancestrais, com a natureza como modo a transformar esta experiência em uma base concreta para um engajamento social sólido.

26. Diferentemente das escolas budistas tradicionais, mas sm excluí-las, os grupos de prática não se caracterizam pela ênfase na construção de templos e performance ritual. A base de sua rede de praticantes são pequenos grupos que se reúnem semanalmente para relembrar os treinamentos e descobrir os melhores meios de atingir a libertação do sofrimento, entendido em sua dimensão coletiva, social e ambiental.

*Proponho aqui a tradução de Karuna (que em inglês é traduzido comumente por compassion) por Solidariedade (ao invés de compaixão, como acontece tradicionalmente). Ver Nota de Tradução da minha autoria.

Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Idéias Como Obstáculos à Verdadeira Felicidade




Palestra de Dharma dada por Thich Nhat Hanh no Stonehill College em 2003. Nesta palestra, Thay nos alerta que muitas vezes nos apegamos com ardor a certas coisas, sejam elas materiais ou imateriais, como se elas fossem a garantia de nossa felicidade. Pode ser a uma pessoa, a uma idéia, a um projeto político, a uma religião, a algo no mundo das mercadorias, à fama, ao sexo, ao dinheiro...E, na maioria das vezes, essas mesmas coisas são, na realidade, obstáculos para que nos tornemos felizes...