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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Vídeo do protesto do Tibete Livre - Brasil no Rio de Janeiro, em 14/04/2010

No último dia 14 de abril, por ocasião da visita do presidente chinês Hu Jintao ao Brasil, o Movimento Tibete Livre - Brasil (representando a ONG inglesa Free Tibet Campaign) realizou um protesto pacífico em frente ao Consulado Geral da China, no bairro de Botafogo, cidade do Rio de Janeiro. O protesto foi encabeçado pelo Coordenador Geral do movimento, o músico e jornalista Paulo Stekel.

O objetivo do protesto foi mostrar ao governo chinês o descontentamento do Brasil com a privação de liberdade no Tibete ocupado e o descaso com os direitos humanos naquela região e em toda a China.

Concomitantemente, em Brasília, nossa coordenadoria para o DF, através do coordenador distrital, Prof. Marcelo Walsh, dezenas de cartas foram protocoladas às autoridades brasileiras: Presidente Lula, Ministros, STF, Deputados, etc. [ver postagem no blogue do movimento com o conteúdo das cartas.]

Apesar da presença de poucos manifestantes, o consulado pareceu incomodar-se, pois a polícia foi chamada e ficou até o final. Afinal, a Associated Press estava lá! De nossa parte, apenas pedimos pela liberdade do Tibete e cantamos o mantra "Om mani peme hung" (pronúncia tibetana do mantra em sânscrito "om mani padme hum"), que é o mantra de Chenrezig, o patrono do Tibete.

Assista o vídeo:


http://www.youtube.com/watch?v=QPS7tRX7IVg

Abaixo, algumas fotos:







Maiores informações sobre o Movimento Tibete Livre - Brasil no blogue oficial: http://tibetelivrebrasil.blogspot.com

Email: tibetelivrebrasil@gmail.com

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

segunda-feira, 14 de julho de 2008

100,000,000 de pessoas unirão a sua luz, no que será o maior Protesto de Luz pelo Tibete

Press release enviado por candle4tibet@gmail.com*



*O texto está em Português Europeu (PE)

Tel Aviv, Julho 14 2008

O maior PROTESTO DE LUZ NO MUNDO acontecerá a 7 de Agosto 2008, o dia anterior à abertura dos Jogos Olímpicos em Beijing, quando pelo menos 100 milhões de pessoas por todo o planeta acenderão uma vela e dirão SIM à Liberdade no Tibete!

Um protesto de luz é semelhante aos outros, mas com algumas diferenças. Ele une milhões de pessoas à volta do mundo, quando lhes é dada a oportunidade de actuar num momento específico no tempo por um só objectivo (como aconteceu em 'earth hour' ou 'live 8'). É não-comercial e pacífico. É um novo modo global que releva o poder de cada pessoa em manifestar a sua opinião por uma causa nobre. Não é de modo nenhum um protesto virtual.

A campanha começou no 'facebook' a partir do desktop de David Califa, 52, um privado, aposentado, com historial em investimentos bancários, de Ramat Hasharon, Israel. Mr. Califa tem financiado esta campanha com os seus próprios fundos. "Vela pelo Tibete" cresceu rapidamente para um movimento global que opera um 'website' multilingue (25 línguas, todas traduzidas por voluntários), e tem também a sua rede social. Mr. Califa juntou esforços com membros do Unity Network, um movimento global actuando com o fim de promover a unidade e o amor entre os seres humanos independentemente da sua cor, nacionalidade, sexo, religião ou política.
Até ao momento, mais de 500,000 pessoas de mais de 100 países estão inscritas.

A diva Tibetana, Yungchen Lhamo, juntou-se a "Vela pelo Tibete". Miss Lhamo, reconhecida como "A Voz do Tibete", conduzirá a campanha com a sua divina voz, música e espírito.

"Vela pelo Tibete" pede às pessoas que acendam uma vela à sua janela, secretária, ou qualquer outro local onde outros a vejam e desejavelmente façam o mesmo. Muitos participarão em vigílias de luz à volta do mundo. Espera-se que este protesto de luz seja visto por biliões nas TVs por todo o mundo no dia de abertura dos Jogos Olímpicos. No dia seguinte serão enviadas cartas a todos os presidentes de governo mundiais informando-os exactamente quantos seus concidadãos desejam um Tibete Livre. Pedindo a cada um deles que actue pela Liberdade do Tibete.

http://candle4tibet.org/

http://candle4tibet.ning.com/

Email: info@candle4tibet.org Contact: David Califa
+972 (54) 4730090


PORQUÊ O TIBET. O Tibete tornou-se um símbolo da liberdade. Símbolo que representa o direito de todos os seres humanos à autodeterminação, liberdade de pensamento, consciência, credo e religião.

A OPORTUNIDADE. Os Jogos Olímpicos de Beijing que começarão a 8 de Agosto 2008, são uma oportunidade única para focar a atenção mundial na completa inexistência de direitos no Tibet e em muitos outros lugares no mundo.
Esta é uma oportunidade única pois a China está sensível à sua imagem no mundo. Não somos contra os Jogos Olímpicos. Somos pela liberdade. Por esta razão sentimos que esta é uma excelente altura para manifestarmos a nossa opinião.

O OBJECTIVO. É dar a todo o mundo a oportunidade para se unir de um modo activo e enviar uma mensagem de amor e liberdade. Acreditamos no poder das pessoas quando unidas para fazer verdadeiras mudanças ao mundo. Desta vez é pelo Tibete e pela liberdade, o próximo passo poderá ser por qualquer causa que as pessoas escolherem. Desejamos mostrar que há um modo de as pessoas se unirem como uma só e fazerem a diferença. Logo após a campanha VELA PELO TIBETE anunciaremos a próxima campanha.


ACERCA DA UNITY NETWORK (Rede da Unidade). É um movimento global que actua em prol da união entre as pessoas e pelo amor entre os seres humanos independentemente da sua cor, nacionalidade, sexo, religião ou política. A Rede da Unidade tem como objectivo dar à população mundial o poder de manifestar a sua força unida criando uma rede que tornará possível a realização de acções globais sincronizadas e protestos pacíficos pela paz, amor e outras questões comuns a todos os seres humanos.

ACERCA DE YUNGCHEN LHAMO. O seu nome significa Deusa da Canção. Deixou o Tibete em 1989 aos 25 anos, fugindo através dos Himalayas para escapar à opressão chinesa no Tibete. Fez uma peregrinação a Dharamsala, para receber a benção do Dalai Lama, onde S.S. vive exilado. Ela queria alcançar o mundo com a sua música, partilhar a sua cultura e educar as pessoas acerca do Tibete. Deste que assinou contrato com a Peter Gabriel's Real World Records, Yungchen lançou dois álbuns muito bem acolhidos pela crítica. Michael Coulson dirigiu o primeiro vídeo musical da Yungchen, Happiness Is – (A Felicidade È) . O vídeo pode ser visto no nosso sítio por cortesia da cantora.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Tam Huyen Van - Carta Aberta em Prol do Tibet ao Governo Brasileiro


Prezados Amigos,

Segue abaixo a íntegra da Carta Aberta em Prol do Tibet, que foi criada após deliberação do Colegiado Buddhista Brasileiro (CBB) a partir das conclusões do Debate sobre a Questão Tibetana, ocorrido em maio último no Plenário da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.

Este documento será entrege formalmente ao Governo Brasileiro através do Deputado Fernando Gabeira, e serve como um alerta e protesto contra as ações equivocadas e violadoras dos direitos humanos ocorridas no Tibet.

Este texto pode ser divulgado por todos os interessados, mantendo-se sua integridade e assinaturas. Para quem desejar a versão em PDF, basta enviar um pedido para o e-mail do CBB em: cbb@bodhimandala.com

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Rio de Janeiro, 12 de maio de 2008.


Ao
Exmo. Sr. Embaixador Celso Amorim
Ministro das Relações Exteriores.


[Com Cópia Protocolar ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República]



CARTA ABERTA DO COLEGIADO BUDDHISTA BRASILEIRO AO MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES DO BRASIL



Exmo. Sr. Embaixador Celso Amorim,

O Colegiado Buddhista Brasileiro, instituição sem fins lucrativos e representativa das múltiplas manifestações do budismo no Brasil, vem, por meio desta, resumir o resultado do Debate Público sobre a Questão Tibetana, realizado a seu pedido e por intermédio da Vereadora Aspásia Camargo (Partido Verde), no Plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, no último dia 12 de maio de 2008. Nesta ocasião ficou clara e unânime a posição da comunidade budista brasileira a respeito da questão tibetana e transparente o constrangimento desta em relação à posição tímida e conivente do Itamaraty para com a incontestável violação dos Direitos Humanos ocorrida naquela nação, infringida pela ditadura chinesa.

Os membros do Colegiado Buddhista Brasileiro, infra-assinados, expressam nesta Carta Aberta sua decepção para com o atual Governo Brasileiro que, sendo formado por muitos indivíduos que sofreram as infrações de uma ditadura e que foram eleitos sob as bases de sua luta em prol de uma sociedade pluralista e tolerante, e por seu compromisso para com a democracia e o respeito aos direitos humanos, hoje se subordina a interesses comerciais internacionais e fecha os olhos para o triste genocídio étnico e cultural há mais de 50 anos imposto ao Tibet.

Cabe-nos ressaltar que se o Itamaraty, em nota oficial, expressa seu respeito à suposta integridade do território chinês sem manifestar-se diante dos atos ditatoriais daquele país sobre o povo tibetano, faz recair sobre toda sociedade brasileira uma co-responsabilidade para com o sofrimento daquele povo, responsabilidade essa que a comunidade budista brasileira não reconhece e quer publicamente renegar. Ao afirmar seu apoio à pretensão chinesa em anexar, de forma arbitrária e violenta, o território tibetano, o governo brasileiro revela seu despreparo em agir como legislador dos conflitos mundiais (como expresso em sua determinação para fazer parte do Conselho de Segurança da ONU), demonstra seu total desconhecimento da extrema riqueza étnica, religiosa e cultural daquela região, torna implícita sua aceitação às políticas de exceção, e põe em dúvida sua relevância no cenário internacional.


O Colegiado Buddhista Brasileiro, em nome da comunidade budista, manifesta claramente aqui seu repúdio à posição omissa do governo brasileiro, que neste ponto não a representa perante a comunidade mundial. Lamentamos observar que a atitude de nosso atual Governo destrói sua legitimidade na luta histórica de um posicionamento contra as ditaduras.

Em comunhão com o senso de oportunidade de milhões de manifestantes em todo o mundo, aproveitamos a ocasião das Olimpíadas de Pequim para colocar o foco sobre a China: suas grandezas e seus desafios ao integrar a comunidade internacional. Em primeiro lugar, cabe-nos relembrar alguns fatos históricos ampla e internacionalmente reconhecidos e exaustivamente documentados por inúmeras fontes idôneas e independentes, para que não prevaleça a versão doutrinária da propaganda chinesa, mais uma vez difundida pela embaixada chinesa no Brasil, nas palavras do Cônsul Geral da China, Sr. Li Baojun, que compareceu ao “Debate Público sobre a Questão Tibetana” à convite do Colegiado Buddhista Brasileiro e realizou uma vergonhosa manifestação da idéia fascista de que uma mentira, muitas vezes repetida, pode tornar-se uma verdade. Estamos certos de que o Itamaraty tem conhecimento dos fatos e não se deixa ludibriar pela versão da propaganda de uma ditadura que cerceia as liberdades fundamentais, nomeadamente o direito à informação e ao livre pensamento – é uma versão baseada em informações dúbias e que distorcem fatos históricos, que buscam desmerecer os dados sobre as perdas étnicas, religiosas e ecológicas sofridas segundo os relatórios publicamente divulgados pelo Escritório Oficial da Administração Central Tibetana em Dharamsala, Índia.

Que fique claro que o Colegiado Buddhista Brasileiro tem enorme respeito pelo povo chinês, por suas inúmeras contribuições à história mundial, pela posição que representa no mundo moderno, por sua sabedoria milenar. O que se repudia veementemente aqui é a política de um governo não-eleito, que mantém na ignorância o seu próprio povo, a quem também consideramos vítima – assim como consideramos vítima deste regime o Sr. Cônsul Geral da China, Li Baojun que, não sendo um homem livre, mas submetido a um regime opressor, não tem opção senão se mancomunar com as ordens de seu Governo.

Definitivamente, não estaria de acordo com a ética budista e humanista a qual pregamos imaginar que a injustiça e a insensibilidade são dos chineses, pois também eles compartilham sofrimentos e frustrações (neste momento, também o povo chinês está vivendo a dor das perdas de vidas devido ao terremoto ocorrido no dia 12 de Maio, com a qual nos solidarizamos); tal erro não pode ser imputado a toda uma nação ou àqueles que compõem um grupo social, uma instituição religiosa ou política, ou simplesmente um gênero sexual ou cor de pele. Um equívoco terrível ocorre quando imaginamos que todo um povo, toda uma classe, todo um grupo humano, é responsável pelas insanidades de seus governantes ou controladores. De fato, a problemática está na incapacidade daqueles que são presas da motivação fanática, da visão egoísta e diferenciadora no mundo, em superar sua pobreza de percepção.

Alinhado com a posição de Sua Santidade o Dalai Lama, o Colegiado Buddhista Brasileiro não vem aqui manifestar exigências à independência do Tibet, mas exigir ao seu próprio governo, o governo brasileiro, que, em suas relações internacionais, defenda a preservação dos Direitos Humanos, cujos instrumentos jurídicos é signatário. Que faça valer esta sua assinatura, que tenha coragem e manifeste pública e internacionalmente seu repúdio às versões inverídicas propagadas pelo governo chinês a respeito da sua ocupação alegadamente pacífica do Tibet, às perseguições políticas e religiosas, torturas, exílios, seqüestros, execuções e destruições do patrimônio cultural e ambiental do Tibet, parte integrante da nossa história mundial.

Queremos ainda, neste documento, ressaltar que a ética budista a qual defendemos busca os meios hábeis para superar em nós mesmos esta ignorância destruidora, esta convicção espúria baseada em erros crassos de interpretação e entendimento, e que muitas vezes vemos com mais facilidade apenas nos outros; devemos praticar todos os dias a coragem de não desistir da paz, do cuidado no diálogo, e da meta maior e definitiva, capaz de curar e transformar a humanidade: o amadurecimento de nossa consciência, de nossa sabedoria, de nosso dom de resistir à falta de compaixão correta.


Porém, a atitude compassiva e coerente com a qual os budistas são comumente identificados não é uma atitude ingênua e condescendente. Quem é capaz de agir com correta compreensão do outro, o faz por força de seu discernimento e não sob a premissa de passiva aceitação. Reafirmamos, portanto, o nosso compromisso em agir com cuidado e empenho a favor da prática de compreensão e diálogo no mundo. Estamos convictos de que mesmo através de torturas, terror e assassínios, apesar do empenho implacável em difundir delusórias interpretações dos fatos, os homens e mulheres alienados em profundo egoísmo, os poderes controladores e intolerantes, os governos insalubres, as facções terroristas e os movimentos fanáticos jamais prevalecem. Ao final, seus nomes serão apagados na memória da Vida, seus atos cruéis e injustificados serão expostos ao tempo e à história com terrível clareza, e as entranhas insalubres de suas convicções jogadas à margem da grandeza humana.

Paralelamente a este documento, informamos ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil que o Colegiado Buddhista Brasileiro apóia publicamente as seguintes propostas de ações positivas apresentadas no Debate Público sobre a Questão do Tibet, assim como todas as ações que tenham por objetivo preservar o Tibet, sua inestimável riqueza cultural e ambiental, e os direitos de seus habitantes:


- Criação de um Centro de Preservação da Cultura Tibetana no Rio de Janeiro, proposta pelo Deputado Federal Fernando Gabeira;

- Indicação do nome de Sua Santidade o Dalai Lama como Cidadão Honorário da cidade do Rio de Janeiro, à exemplo da cidade de Paris, França, proposta pela Vereadora Aspásia Camargo;

- Nominação de espaços públicos brasileiros, a começar pela cidade do Rio de Janeiro, em homenagem ao Tibet;

- Proposição de que o Itamaraty postule perante os fóruns internacionais, notadamente o Tribunal Internacional de Justiça, em Haya, Holanda, a reavaliação da questão tibetana nos seus âmbitos político, social e cultural, e o julgamento das infrações cometidas contra os Direitos Humanos no Tibet.

Concluindo, o Colegiado Buddhista Brasileiro, considerando não haver nem de longe um grave precedente dessa natureza, a de um Líder Religioso e parte significativa de seus compatriotas terem passado mais de 50 anos em exílio, entende que é chegado o momento de Sua Santidade o XIV Dalai Lama e o seu povo retornarem livres à sua própria terra, levando consigo a paz e o bem, assim como, efetivamente, a solidariedade da comunidade internacional, valores tão caros à Humanidade e inafastáveis, ainda por mais tempo, in casu. Por fim, mas não menos importante, que se considere a viabilidade de tornar o Tibet Patrimônio Histórico da Humanidade, com o devido amparo da UNESCO e da festejada Organização das Nações Unidas.


Assina o Sr. Presidente do Colegiado Buddhista Brasileiro,

Prof. Shaku Hondaku (Maurício Ghigonetto)


Assinam os membros da Diretoria Fundadora do Colegiado Buddhista Brasileiro,

Rev. Shaku Haku-Shin (Wagner Bronzeri)
Monge Meihô Genshô (Petrúcio Chalegre)
Dhammacariya Dhanapala (Ricardo Sasaki)
Prof. Tam Huyen Van (Claudio Miklos)


Assinam os membros-colaboradores do Colegiado Buddhista Brasileiro,

Monja Isshin
Monge Shaku Shoshin
Dra. Cerys Tramontini
Prof. Flávio Marcondes Velloso


Sarve Bhavantu Mangalam - Que Todos os Seres Sejam Felizes

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Debate Público sobre a questão tibetana no Rio de Janeiro - Relato do Prof. Tam Huyen Van (Cláudio Miklos)



Publicamos este relato do Prof. Tam Huyen Van sobre o Debate Público sobre a questão tibetana, realizado no Rio de Janeiro, no último dia 12 de maio, especialmente por sua clareza, consciência e serenidade nas colocações. Deixamos claro aqui que apoiamos todas as iniciativas do CBB - Colegiado Buddhista Brasileiro, do qual o Prof. Tam faz parte e é um de seus fundadores.

Prof. Tam Huyen Van do Zen Budismo Vietnamita (Thien)

Prezados Amigos,

Ocorreu nesta segunda, às 10 horas, no Plenário da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, o já divulgado Debate Público sobre a questão Tibetana. Gostaria de apresentar minhas impressões sobre o evento, após um pequeno período para reflexão e contemplação dos acontecimentos ocorridos.

Inicialmente, penso que seria importante valorizar e reiterar a importância do evento que, por si só, contribui grandemente para a consolidação da posição buddhista brasileira frente às questões de direitos humanos e valores éticos sociais, e fomenta - principalmente - a divulgação das propostas humanistas do Buddhismo.

O empenho demonstrado pela Vereadora Aspásia Camargo e o Deputado Fernando Gabeira foram, a meu ver, uma clara demonstração de que, apesar dos aspectos profundamente reprováveis associados à instituição política no Brasil e no mundo, não é sábio imputar a falta de respeito aos valores sociais a todos os membros da classe política indiscriminadamente; existem muitas personalidades políticas cientes de sua responsabilidade na defesa do exercício da ética e da reflexão saudável sobre os graves problemas que afligem a humanidade - seja no Brasil ou no outro lado do mundo.

Lamento, contudo, a pouca participação de buddhistas praticantes e simpatizantes.

Embora compreenda plenamente que o dia e horário não contribuíram para facilitar a presença de grande público, o fato de que o evento ocorreu apenas no Rio de Janeiro, e sempre considerando o aspecto não-doutrinário e não-coercitivo que fundamenta o exercício do Dharma (sem falar no fato inegável de que, no Brasil, o número de
buddhistas realmente praticantes é extremamente pequeno - há um número muito maior de pessoas simpáticas ao buddhismo, mas sem nenhuma real identificação com a prática do Caminho em sua profundidade), ainda assim gostaria de chamar a atenção de todos para a natureza de nossas opções de ação e mobilização em relação ao buddhismo e assuntos buddhistas. É preciso refletir melhor sobre quais ações podem ser realmente úteis e válidas, e quais ações seriam apenas fruto de um entusiasmo puramente romântico ou artificial em relação aos conceitos de esforço correto e ação correta.

Espero que, no futuro, eventos semelhantes possam contar com a presença mais efetiva de pessoas interessadas em valorizar o desenvolvimento das propostas de consciência e correto discernimento características do exercício ético buddhista na vida.

O caráter simples e despojado do evento, e o seu peso conceitual e reflexivo, foram cruciais para que uma porta fosse aberta no âmbito das ações buddhistas brasileiras.

A participação do monge Gensho (em seu grande discurso final, onde penso que foi dada uma resposta adequada e firme às atitudes lamentáveis do Consul Geral da China) e da monja Isshin (suas palavras gentis e admiráveis, e sua respeitável atitude de respeito humano e fraternidade ao representante chinês no evento), as afirmações contundentes e fortes do Reverendo Shaku Shoshin em defesa do povo tibetano, as ponderações compassivas e coerentes da Dra. Cerys e do Professor Flávio Marcondes, contribuíram a meu ver para apresentar à opinião pública e à classe política do Rio de Janeiro a força reflexiva e determinação compassiva do buddhismo.

Reafirmo meu apreço pela aceitação, por parte do governo Chinês, do convite de participação enviado formalmente pelo Colegiado Buddhista Brasileiro. A presença do Cônsul Geral Li Baojun representou uma pequena esperança de que a disposição pelo diálogo consciente e honesto entre as partes também ocorra nos setores chineses de relações internacionais.

Infelizmente, para o meu profundo desapontamento, as ações do Sr. Cônsul durante o evento não corresponderam àquelas expectativas. Em uma atitude pouco flexivel (a despeito de sua natureza simpática e amigável), o representante chinês limitou-se a apresentar uma versão doutrinária, extremamente alienada, e distorcida da questão tibetana. A atitude, a meu ver, confirmou para mim o caráter claramente difícil
da abordagem humanista e pacífica da questão tibetana em termos de linguagem e intenções, e que eu já havia antecipado em meu ensaio "Tibet - Entre Liberdades e Revoluções".

Não houve margem para o debate. Não houve espaço para a composição e correto esclarecimento das ações corretas ou inadequadas de todas as partes; apenas houve uma apresentação inócua e pouco coerente da versão partidária chinesa; houve uma tentativa de divulgação completamente inacurada dos fatos históricos associados às relações entre o Tibet e a China. Em meio a tudo isso, ao final de sua apresentação o Sr. Consul deixou a impressão de que o exercício de diálogo e abertura política, necessários para que a paz e a justiça prevaleça, ainda exigirá muito empenho e equilíbrio.

Saí do debate convicto de que, como buddhista e professor de dharma, devo ainda mais aprofundar minha prática de paciência e percepção correta em relação aos aspectos insalubres contidos nas mentes doutrinadas, presas a um modelo perverso de interpretação do mundo e da vida, aspectos esses que se apresentam em muitos grupos humanos, seja na China ou no Brasil, ou em qualquer lugar do mundo. A tarefa
de ação hábil e adequada para superar a crueldade das instituições ditatoriais e imperialistas é árdua, pode causar ressentimentos e raiva em muitos de nós, mas não devemos de modo algum sucumbir a tais erros ignorantes.

Neste contexto, gostaria de pedir a todas as pessoas sinceramente interessadas em contribuir para o esforço de liberação dos povos oprimidos, que jamais caiam no erro de perpetuar a ignorância das mentes fanáticas e intolerantes, agindo com raiva ou agressividade. Quanto mais percebemos o grau de insalubridade nas doutrinas
ditatoriais, nos discursos pobres em discernimento, na incapacidade de muitos em saber ouvir e falar com consciência e maturidade argumentativa, mais devemos nos esforçar para evitar o ressentimento.

Após o debate, percebi que definitivamente não devemos imaginar que a injustiça e a insensibilidade são dos chineses pois também eles compartilham sofrimentos e frustrações (neste momento, também o povo chinês está vivendo a dor das perdas de vidas devido ao terremoto ocorrido no dia 12 de Maio), tal erro não pode ser imputado a toda uma nação - ou àqueles que compõem um grupo social, uma instituição
religiosa ou política, ou simplesmente um gênero sexual ou cor de pele. Um erro terrível ocorre quando imaginamos que todo um povo, toda uma classe, todo um grupo, é responsável pelas insanidades de seus governantes ou controladores. Não, a problemática está na incapacidade daqueles que são presas da motivação fanática e da visão egoísta e diferenciadora no mundo de superar sua pobreza de percepção.

Devemos buscar os meios hábeis para superar em nós mesmos esta ignorância destruidora, esta convicção espúria baseada em erros crassos de interpretação e entendimento, e que muitas vezes vemos com mais facilidade apenas nos outros; devemos praticar todos os dias a coragem de não desistir da paz, do cuidado no diálogo, e da meta maior e definitiva, capaz de curar e transformar a humanidade: o amadurecimento de nossa consciência, de nossa sabedoria, de nosso dom de resistir à falta de compaixão correta. Volto a repetir que a atitude compassiva e coerente não é uma atitude ingênua e condescendente: quem é capaz de agir com correta compreensão do outro, o faz por força de seu discernimento e não por uma ingênua atitude de passiva aceitação.

Assim, sinto que me tornei ainda mais disposto a agir com cuidado e empenho a favor da prática de compreensão no mundo. Quanto mais ouço as palavras tolas daqueles que defendem um modelo de vida injusto e perverso, me sinto mais livre. E percebo que, mesmo através de torturas, terror e assassinatos, apesar do empenho implacável em
difundir delusórias intepretações dos fatos, os homens e mulheres alienados em profundo egoísmo, os poderes controladores e intolerantes, os governos insalubres, as facções terroristas e os movimentos fanáticos jamais prevalecem. Ao final, seus nomes serão apagados na memória da Vida, os atos cruéis e injustificados serão expostos ao tempo e à história com terrível clareza, e as entranhas insalubres de suas convicções jogadas à margem da grandeza humana.

No Dharma,
Tam Huyen Van

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Sobre Tam Huyen Van (Prof. Cláudio Miklos)

Nascido em 1962, Claudio Miklos iniciou sua prática no buddhismo aos 17 anos, através da tradição Zen Soto. Participou de retiros e freqüentou locais de prática na região do Rio de Janeiro. Aos 28 anos começou a organizar grupos de estudos sobre o Buddhismo tradicional, sempre na qualidade de praticante zen leigo. Em 1994 viajou à China (Hong Kong) onde realizou uma peregrinação pessoal a diversos templos buddhistas da região do sul da China, com o objetivo de conhecer mais profundamente a tradição espiritual a qual se dedica. A partir de 1996 filiou-se informalmente à escola zen vietnamita - escola do Inter-ser (Tiep Hien) - liderada por Thich Nhat Hanh, cujos ditames e orientações vem seguindo desde então.

Em 2001 recebeu, em cerimônia formal ocorria durante um retido de Plena Atenção em Teresópolis e organizado pelo Centro Lótus e coordenado pelos monges Phap An e Phap Ung, da tradição Interser, o Nome de Dharma Tam Huyen Van (Maravilhosa Nuvem do Coração).

Atualmente, coordena grupos leigos de estudos buddhistas em Niterói e Rio de Janeiro, e escreve vários artigos sobre a prática buddhista leiga.

Site Oficial

http://tamhaovan.multiply.com

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Debate Público sobre a questão tibetana no Rio de Janeiro - 12 de maio



Recebemos e repassamos a todos que desejem participar do evento no Rio de Janeiro.

Debate Público sobre questão Tibetana- RJ

Prezados Irmãos no Dharma

O Colegiado Buddhista Brasileiro, contando com o apoio da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro e do Deputado Fernando Gabeira, estará realizando no dia 12 de Maio, às 10 horas, no Plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro o "Debate Público sobre a Questão Tibetana" juntamente com lideranças budistas brasileiras, o qual será registrado nos anais e divulgado no Diário Oficial.

É um evento que liga os políticos brasileiros à causa do Dalai Lama, e uma oportunidade especial para nos manifestarmos e fazer diferença em favor do oprimido povo tibetano, reforçando a posição do Budismo Brasileiro em prol do exercício da não-violência e da paz, do diálogo entre povos e culturas, e o respeito aos direitos de todos os seres.

Sendo necessário o maior apoio possível ao evento, solicitamos a todos os que deste tomem conhecimento que o divulguem em todas as listas públicas e particulares, blogs e sites, convidando os budistas e simpatizantes com a causa tibetana a comparecerem ao Plenário da Câmara.

Debate Público sobre a Questão Tibetana
Dia 12 de Maio às 10 Horas
Plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro - Palácio Pedro Ernesto - Praça Marechal Floriano, s/n, Cinelândia, Rio de Janeiro.


Em nome do Dharma,

Prof. Maurício Ghigonetto (Shaku Hondaku)
Presidente


Membros Fundadores

Rev. Monge Wagner Bronzeri (Shaku Haku-Shin)
Site Oficial
http://www.honganji.dharmanet.com.br

Rev. Monge Meihô Genshô
Escola Soto Zen

Diretor Geral do Colegiado Buddhista Brasileiro
www.chalegre.com.br/zendo

Dhammacariya Ricardo Sasaki (Dhanapala)
Site Oficial
http://www.nalanda.org.br/

Prof. Claudio Miklos (Tam Huyen Van)
Site Oficial
http://tamhaovan.multiply.com

________________________

Colegiado Buddhista Brasileiro
http://cbb.bodhimandala.com
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Sarve Bhavantu Mangalam - Que Todos os Seres Sejam Felizes

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Tibete: Reflexão e Pedido [Monge Ngawang Tenphel]



Caros irmãos do Dharma, caros brasileiros,

Em torno de 10 minutos atrás, meu colega de quarto no monastério entrou, e senta-se em silêncio.

Senti uma certa tensão nele, apesar de seu silêncio.

Ele percebe que eu percebi algo, e me mostra o jornal tibetano que esta lendo e diz: Estão matando pessoas em minha comunidade, no distrito de Dege Jodha, no Tibete.

Lendo a matéria em língua tibetana, pude entender que em torno de 300 soldados chineses tomaram conta da região, a qual haviam suspeitos de liderarem passeatas a favor de um Tibete Livre.

Surge uma passeata incluindo muitos tibetanos, entre estes, crianças, jovens, e velhos, monges e laicos.

O exército chinês simplesmente abre fogo contra a passeata.

Uma criança de 14 anos de idade, com o nome de Kunga, filho de Sonam Tagye (pai) e de Dega (mãe) é atingida por uma bala e morre ali mesmo.

Muitos outros são também atingidos, caindo indefesos... muitos feridos e alguns em situação de emergência.

Terminei de ler a matéria e entreguei de volta em silêncio o jornal para meu colega monge.

Ele manteve-se em silêncio por mais uns 15 minutos enquanto eu estudava nossos textos sagrados budistas.

Novamente olhei para ele em que permanecia em silêncio e percebi que a tensão ainda continuava enquanto não tirava os olhos do jornal.

Perguntei a ele se estava tudo bem. Ele olhou para mim e seus olhos se encheram de lágrimas... ele tentou falar algo, mas sua voz não saiu enquanto as lágrimas cresciam em seus olhos... conseguiu dizer em voz baixa e tremida... deixa para lá...

Olhando nos olhos dele, percebi que ele não conseguiu compartilhar comigo seu sofrimento e tensão, por talvez achar que eu não entenderia... pois não sou tibetano, não tenho família no Tibete, não é meu povo que esta sendo brutalmente assassinado.

Me senti impotente, sem palavras... sem nada que pudesse fazer para ajudar...

Alguns minutos depois, ele diz... meu irmão (um khenpo formado em nosso monastério que foi visitar a família no Tibete pouco antes do início destes acontecimentos) que está lá em nossa comunidade ligou e disse que a situação não está boa para ficar lá... e voltou a ficar em silêncio, com os olhos em lágrimas.

Senti que ele temia de alguma forma que acontecesse algo com seu irmão, com seu pai, mãe e família que vivem lá. São nômades, hulmides que vivem sua vida cuidando de seus animais que proporcionam sua sobrevivência.

Neste momento pensei comigo: a mãe, pai, irmãos e família de meu colega está em perigo de vida... ele está tenso temendo por sua família e sem poder fazer nada daqui, além de suas preces.

Pensei em minha mãe, em meu pai e irmãos... todos estão bem no Brasil. Mas e se não estivessem? E se eles estivessem correndo perigo de vida? E se eles estivessem sendo ameaçados de morte simplesmente por manter a aspiração de serem livres novamente, de terem seus direitos de cidadão, seus direitos humanos?

Talvez eu me movimentasse mais em prol de fazer algo se fosse minha própria família que estivesse nesta situação.

Caso fosse minha mãe, pai ou irmãos talvez eu fosse capaz de proteger a vida deles mesmo que a minha própria estivesse em jogo.

Pensei no Dharma, pensei nos grandes mestres, pensei no Buddha.

Será que eles assistiriam um filho, seu pai ou sua mãe serem assassinados sem mover-se em direção a evitar tal desgraça, tanto para com aqueles que serão privados de seu nascimento humano precioso, como também daqueles que estão cessando por completo tais vidas?

Percebi que provavelmente por sua profunda compaixão, amor e compreensão provalvemente seu coração e mente moveriam-se em direção a engajar-se em algum tipo de meio hábil para que tal situação não não surgisse.

Tenho ouvido e percebido uma maior manifestação de apoio para com S.S. Dalai Lama e o povo tibetano por parte de organizações de valores humanos e indivíduos não-budistas, do que aqueles que tiveram a felicidade e boa-fortuna de receber o Dharma através do que foi preservado pela tradição tibetana e por seus grandes mestres que mantiveram não só o conhecimento teórico do Dharma, mas o conhecimento empírico, a realização das palavras de Buddha. Tais dois tipos de conhecimento vêm sendo compassivamente transmitidos para o ocidente, para os ocidentais, por estes mestres.

Hoje não é somente seu país que foi tomado, mas são suas famílias que estão sendo assassinadas.

Há grupos tentando manifestar-se em prol desta causa. Esta pressão internacional fez hoje, com que a China, esta grande potência, cedesse a possibilidade de conversar com S.S. Dalai lama.

Mesmo que esta conversa seja somente para acalmar as críticas e pressão internacional, percebo que o pouco que fizemos já teve algum respaldo.

Aqui fica meu apelo para que aqueles que vêm se esforçando, mesmo que sozinhos, a dar apoio a esta causa, não desestimulem. E para aqueles que ainda não se manifestaram, que coloquem sua mãe, pai, filho e família nesta situação, e por favor apoiem aqueles que estão trabalhando na direção de apoiar S.S. Dalai lama para com esta causa.

Fiquei pensando, nossa, como consegui “eu”, fazer com que esta potência que é a China, cedesse sua teimosia de não dialogar com S.S. Dalai Lama?

Me senti poderoso, mesmo que o que tenha feita seja principalmente circular informações.
Percebi que sozinhos temos a capacidade de dar alguns poucos passos.
Juntos temos a capacidade de mover montanhas, abrindo estradas positivas que levem a paz, liberdade e direitos humanos iguais a todos.

Meus melhores votos,

Gabriel Jaeger

Monge Ngawang Tenphel
Dzongsar Shedra

Índia

domingo, 27 de abril de 2008

Contestação ao artigo de Slavoj Zizek

Paulo Stekel (editor da Revista Horizonte - Leitura Holística)



Artigo parcial do filósofo esloveno Slavoj Zizek publicado na Folha de São Paulo em 13 de abril de 2008, que mereceu o repúdio de todos os que lutam pela causa do Tibet:


O Tibete não é tudo isso
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E se aqueles que se preocupam com a falta de democracia na China estiverem na realidade preocupados com o desenvolvimento acelerado do país?
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PROTESTOS ANTI-CHINA POR COMETER ATOS DE VIOLÊNCIA CONTRA MONGES NÃO LEVAM EM CONTA QUE PEQUIM AJUDOU A TIRAR TERRITÓRIO DA MISÉRIA E DA CORRUPÇÃO APÓS A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

SLAVOJ ZIZEK
COLUNISTA DA FOLHA

As notícias publicadas em toda a mídia nos impõem uma imagem determinada que é mais ou menos como segue. A República Popular da China, que, nos idos de 1949, ocupou ilegalmente o Tibete, durante décadas promoveu a destruição brutal e sistemática não apenas da religião tibetana, mas também da própria identidade dos tibetanos como povo livre. Os protestos recentes do povo tibetano contra a ocupação chinesa foram novamente sufocados com força policial e militar bruta.
Como a China está organizando os Jogos Olímpicos de 2008, é dever de todos nós que amamos a democracia e a liberdade pressionarmos a China para devolver aos tibetanos aquilo que ela lhes roubou; não se pode permitir que um país que possui um histórico tão deficiente em matéria de direitos humanos passe uma mão de cal sobre sua imagem com a ajuda do nobre espetáculo olímpico.
O que farão nossos governos? Vão ceder ao pragmatismo econômico, como de costume, ou encontrarão a força necessária para colocar nossos mais elevados valores éticos e políticos acima dos interesses econômicos de curto prazo?
Embora a atividade chinesa no Tibete sem dúvida tenha incluído muitos atos de destruição e terror assassino, existem muitos aspectos dela que destoam dessa imagem simplista de "mocinhos versus vilões".
Enumero, a seguir, nove pontos a serem mantidos em mente por qualquer pessoa que faça um julgamento sobre os fatos recentes no Tibete.

Poder protetor
1) Não é fato que até 1949 o Tibete era um país independente, que então foi repentinamente ocupado pela China. A história das relações entre eles é longa e complexa, e em muitos momentos a China exerceu o papel de poder protetor. O próprio termo "dalai-lama" é testemunho dessa interação: reúne o "dalai" (oceano) mongol e o "bla-ma" tibetano.
2) Antes de 1949, o Tibete não era nenhum Xangri-Lá, mas um país dotado de feudalismo extremamente rígido, miséria (a expectativa média de vida pouco passava dos 30 anos), corrupção endêmica e guerras civis (sendo que a última, entre duas facções monásticas, ocorreu em 1948, quando o Exército Vermelho já batia às portas do país).
Por temer a insatisfação social e a desintegração, a elite governante proibia o desenvolvimento de qualquer tipo de indústria, de modo que cada pedaço de metal usado tinha que ser importado da Índia.
Mas isso não impedia a elite de enviar seus filhos para estudar em escolas britânicas na Índia e transferir seus ativos financeiros a bancos britânicos, também na Índia.
3) A Revolução Cultural que devastou os mosteiros tibetanos na década de 1960 não foi simplesmente "importada" dos chineses: na época da Revolução Cultural, menos de cem guardas vermelhos foram ao Tibete, de modo que as turbas de jovens que queimaram mosteiros foram compostas quase exclusivamente de tibetanos.
4) No início dos anos 1950, começou um longo, sistemático e substancial envolvimento da CIA na incitação de distúrbios anti-China no Tibete, de modo que o receio chinês de tentativas externas de desestabilizar o Tibete não era, de modo algum, "irracional".
5) Como demonstram as imagens veiculadas pela TV, o que está acontecendo agora nas regiões tibetanas já não é mais um protesto "espiritual" pacífico de monges (como o que aconteceu em Mianmar um ano atrás), mas (também) bandos de pessoas matando imigrantes chineses comuns e incendiando suas lojas. Logo, devemos avaliar os protestos tibetanos segundo os mesmos critérios com os quais julgamos outras manifestações violentas: se tibetanos podem atacar imigrantes chineses em seu próprio país, por que os palestinos não podem fazer o mesmo com colonos israelenses na Cisjordânia?
6) É fato que a China fez grandes investimentos no desenvolvimento econômico do Tibete e em sua infra-estrutura, educação, saúde etc. Para explicar em termos simples: apesar de toda a opressão inegável, nunca, em toda sua história, os tibetanos medianos desfrutaram de um padrão de vida comparável ao que têm hoje.
7) Nos últimos anos, a China vem mudando sua estratégia no Tibete: a religião despida de política hoje é tolerada e mesmo apoiada. Mais do que na pura e simples coação militar.
Em suma, o que escondem as imagens veiculadas pela mídia de soldados e policiais chineses brutais espalhando o terror entre monges budistas é a muito mais eficaz transformação socioeconômica em estilo americano: dentro de uma ou duas décadas, os tibetanos estarão reduzidos à situação dos indígenas americanos nos EUA.
Parece que os comunistas chineses finalmente entenderam a lição: de que vale o poder opressor de polícias secretas, campos e guardas vermelhos destruindo monumentos antigos, comparado ao poder do capitalismo sem freios, quando se trata de enfraquecer todas as relações sociais tradicionais?

Ideologia "new age"
8) Uma das principais razões por que tantas pessoas no Ocidente tomam parte nos protestos contra a China é de natureza ideológica: o budismo tibetano, habilmente propagado pelo dalai-lama, é um dos pontos de referência da espiritualidade hedonista "new age", que está rapidamente se convertendo na forma predominante de ideologia nos dias atuais.
Nosso fascínio pelo Tibete o converte numa entidade mítica sobre a qual projetamos nossos sonhos. Assim, quando as pessoas lamentam a perda do autêntico modo de vida tibetano, não estão, na verdade, preocupadas com os tibetanos reais.
O que querem dos tibetanos é que sejam autenticamente espirituais por nós, em lugar de nós mesmos o sermos, para continuarmos a jogar nosso desvairado jogo consumista.
O filósofo francês Gilles Deleuze [1925-75] escreveu: "Se você está preso no sonho de outro, está perdido". Os manifestantes que protestam contra a China estão certos quando contestam o lema olímpico de Pequim, "Um mundo, um sonho", propondo em lugar disso "um mundo, muitos sonhos".
Mas eles devem tomar consciência de que estão prendendo os tibetanos em seu próprio sonho, que é apenas um entre muitos outros.
9) Para concluir, a dimensão realmente nefasta do que vem acontecendo hoje na China está em outra parte. Diante da atual explosão do capitalismo na China, os analistas freqüentemente indagam quando vai se impor a democracia política, o acompanhamento político "natural" do capitalismo.
Essa questão com freqüência assume a forma de outra pergunta: até que ponto o desenvolvimento chinês teria sido mais rápido se fosse acompanhado de democracia política? Mas será que isso é verdade?
Numa entrevista há cerca de dois anos, [o sociólogo] Ralf Dahrendorf vinculou a crescente desconfiança com que a democracia vem sendo vista nos países pós-comunistas do Leste Europeu ao fato de que, após cada mudança revolucionária, a estrada que conduz à nova prosperidade passa por um "vale de lágrimas".
Ou seja, após o colapso do socialismo não se pode passar diretamente para a abundância de uma economia de mercado bem-sucedida: o sistema socialista limitado, porém real, de bem-estar e segurança precisou ser desmontado, e esses primeiros passos são necessariamente dolorosos.

Vale de lágrimas
O mesmo se aplica à Europa Ocidental, onde a passagem do Estado de Bem-Estar Social para a nova economia global envolve renúncias dolorosas, menos segurança e menos atendimento social garantido.
Para Dahrendorf, o problema é resumido pelo fato de que essa dolorosa passagem pelo "vale de lágrimas" dura mais tempo que o período médio entre eleições (democráticas), de modo que é grande a tentação de adiar as transformações difíceis, optando por ganhos eleitorais de curto prazo. Não surpreende que os países mais bem-sucedidos do Terceiro Mundo, em termos econômicos (Taiwan, Coréia do Sul, Chile), tenham adotado a democracia plena só após um período de governo autoritário.
Esse raciocínio não seria o melhor argumento em defesa do caminho chinês em direção ao capitalismo, em oposição à via seguida pela Rússia? Seguindo o caminho percorrido pelo Chile e a Coréia do Sul, os chineses usaram o poder irrestrito do Estado autoritário para controlar os custos sociais da passagem para o capitalismo, desse modo evitando o caos.
Em suma, uma combinação esdrúxula de capitalismo e governo comunista, longe de ser uma anomalia ridícula, mostrou ser uma bênção (nem sequer) disfarçada: a China se desenvolveu na velocidade em que o fez não apesar do governo comunista autoritário, mas devido a ele.
E se aqueles que se preocupam com a falta de democracia na China estiverem na realidade preocupados com o desenvolvimento acelerado da China, que faz dela a próxima superpotência global, ameaçando a primazia do Ocidente?
Há mesmo um outro paradoxo em ação aqui: e se a prometida segunda etapa democrática que vem após o vale de lágrimas autoritário nunca chegar?
É isso, possivelmente, que é tão perturbador na China de hoje: a idéia de que seu capitalismo autoritário talvez não seja apenas um resquício de nosso passado, a repetição do processo de acúmulo capitalista que se desenrolou na Europa entre os séculos 16 e 18, mas sim um sinal do futuro.
E se "a combinação agressiva entre o chicote asiático e o mercado acionário europeu" se mostrar economicamente mais eficiente que nosso capitalismo liberal? E se ela assinalar que a democracia, tal como a conhecemos, não é mais condição e motor do desenvolvimento econômico, e sim um obstáculo a ele?


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SLAVOJ ZIZEK é filósofo esloveno e autor de "Um Mapa da Ideologia" (Contraponto). Ele escreve na seção "Autores", do Mais! . Tradução de Clara Allain .


A CONTESTAÇÃO

Todos nós, que defendemos os direitos do povo tibetano, ficamos indignados com a parcialidade do artigo e o desconhecimento de seu autor de questões históricas importantes relativas ao Tibet e ao Budismo Tibetano.
Chegamos a ser instados por algumas pessoas a escrever uma crítica a este artigo. Mas, antes de fazê-lo, recebemos uma crítica ao referido artigo feita pelo Monge Joaquim Monteiro, do Budismo Terra Pura. Por considerarmos que a crítica do monge cumpre sua função perfeitamente, a postamos logo abaixo:



Comentários críticos ao "O Tibete não é tudo isso" de Slavov Zizek


Prezados editores do "Mais":

Tive a oportunidade de ler a matéria de título "O Tibete não é tudo isso" de autoria do Sr. Slavoj Zizek e gostaria de tecer alguns comentários críticos em relação aos 9 pontos levantados pelo autor:

1- O primeiro ponto consiste na alegação de que a relação entre a China e o Tibet é longa e complexa e que é problemática a asserção de que o Tibete era um país independente em 1949 quando foi invadido pela China. Acho importante ressaltar que "China" é um termo muito vago no que diz respeito à unidade política desse país. Na crônica histórica chinesa geralmente se emprega o nome de cada dinastia para designar a unidade política. Acho no mínimo problemático afirmar que o Tibet tenha estado sujeito ao poder protetor da China durante alguma das Dinastias nacionais, mas me parece bem mais fácil e mais concreto apontar para a relação entre esses dois estados nas três últimas Dinastias (Yuan, Ming e Shin) e na época da república chinesa. Na dinastia Yuan, China e Tibet fazem parte de uma mesma formação política, mas a própria China nada mais é nessa época do que uma parte do Império Mongol. Se a atual República popular da China quizer reclamar como integrante de seu território toda a extensão territorial do Império Mongol ela teria que reclamar a Hungria e a Ucrânia como parte de seu território. Na Dinastia Ming são expulsos os Mongóis e consequentemente à sua expulsão o território chinês mingua considerávelmente. Não conheço nenhum historiador responsável que afirme que o Tibete fazia parte do território chinês durante essa Dinastia. No que diz respeito à última Dinastia, a Dinastia Shin é polêmico que o Tibet fizesse parte do território dessa Dinastia, mas o problema central não é esse: mesmo que o Tibet tivesse se tornado parte do território dessa Dinastia ela era da mesma forma que o Império Mongol uma unidade política capaz de abarcar a China e o Tibet em seu interior. A Dinastia Shin era uma unidade política completamente distinta da atual República popular da China e sua relação com o Tibet em nada legitima o direito de posse territorial do Tibet por parte desta última. O exemplo dado por Zizek a respeito da origem do termo Dalai Lama é particularmente infeliz: esse título se origina em uma relação contratual entre o Tibet e a Mongólia e não entre o Tibet e a China. Para terminar, existem várias avaliações a respeito da relação entre o Tibete e a república chinesa iniciada em 1911, mas não conheço nenhum historiador responsável que reconheça que o Tibet fazia parte do território chinês nesse período. Assim sendo, a invasão do Tibet pela China em 1949 assume um caráter nítidamente imperialista e os argumentos apresentados por Zizek se revelam como a expressão de uma ignorância e obscurantismo verdadeiramente inacreditáveis. Semelhante ignorância e obscurantismo não condizem com o ofício de um filósofo.

2- O segundo ponto levantado por Zizek diz respeito ao feudalismo rígido e à ausência de desenvolvimento econômico no Tibet anterior à invasão chinesa.
Acho estranho que se tente superar esses problemas através de uma ocupação imperialista, mas se impõe aí a seguinte questão: a quem esse desenvolvimento econõmico tem beneficiado? Ao que parece não foi ao povo tibetano.

3- O argumento seguinte consiste em que a destruição dos mosteiros tibetanos não foi um efeito importado pela revolução cultural na medida em que só estavam estacionados 100 guardas vermelhos no Tibet da época e que as destruições foram desenvolvidas pelos próprios tibetanos. Acho duvidosos esses dados históricos e gostaria de solicitar provas de sua veracidade, mas essa não é a questão decisiva. O que importa é que tendo sido essas destruições orquestradas pela ideologia e pela liderança política do governo de Beijing ele não tem como se eximir da responsabilidade por esse processo de destruição cultural e religiosa. Trata-se de outro argumento inacreditável para alguém que pretende representar a filosofia.

4- O quarto argumento tenta racionalizar a invasão chinesa do Tibet em função da presença de agitadores da CIA que buscavam desestabilizar essa região.
Dizer isso é a mesma coisa que justificar a antiga invasão do Afeganistão pela URSS. (existe aí um dado curioso: Tibet e Afeganistão possuem um destino comum como objetos da disputa territorial das nações imperialistas)

5- O quinto argumento diz respeito à violência dos protestos. Além de silenciar a respeito da brutal repressão policial voltada para esses protestos evita discutir a complexidade da avaliação contextual e a existência de forças políticas envolvidas que possuem orientação completamente distinta dos Monges budistas e do Dalai Lama. A comparação completamente infeliz com a situação palestina evidencia a meu ver um viés claramente fascista na abordagem de Zizek.

6- Aparece em seguida a alegação de que a China tem investido economicamente no Tibet e que esses investimentos tem proporcionado ao povo tibetano um padrão de vida de que ele nunca gozou em toda sua história. É curioso que ele silencia a respeito da política de transferência de populações e dos privilégios econômicos e sociais que essas populações gozam em relação à população tibetana. Semelhante visão aponta para uma concepção vulgarmente desenvolvimentista, visão essa que parece se constituir no único fundamento das infelizes afirmações de Zizek.

7- O argumento seguinte diz respeito em parte ao abrandamento da repressão física à religião e ao fato parcialmente verdadeiro de que os chineses aprenderam que o capitalismo sem freios é muito mais eficaz que a violência física quando se trata de enfraquecer as relações sociais tradicionais. Zizek confirma essa visão afirmando que em uma ou duas décadas os tibetanos estarão reduzidos a uma minoria semelhante aos índios Norte-Americanos.

Semelhante afirmação implica a meu ver em uma apologia do genocídio cultural orquestrado pelo desenvolvimentismo e pelo capitalismo selvagem.

Tudo isso me parece uma grotesca justificação do genocídio de minorias através da categoria criminosa da inevitabilidade histórica do capitalismo sem freios. Pretendo que a função de um filósofo consiste em criticar radicalmente semelhante visão e em apontar caminhos para sua superação. Zizek parece ter capitulado diante da ideologia neo-liberal e abdicado de seu papel de filósofo.

8- Vem em seguida a visão extremamente preconceituosa de que a motivação da solidariedade ocidental ao Tibet deriva da ideologia "New Age" veiculada pelo Budismo do Dalai Lama. Sendo eu mesmo budista e essencialmente crítico da ideologia do "New Age" sinto-me obrigado a protestar energicamente contra uma asserção tão profundamente marcada pelo preconceito e pela ignorância. Mesmo no Brasil as lideranças budistas que lideram o movimento de solidariadade ao Tibet são essencialmente críticas à ideologia do "New Age". Zizek chega ao absurdo de expressar o temor de que essa "ideologia budista do new age" esteja se transformando na ideologia dominante do mundo capitalista globalizado, afirmação essa que além de ser uma verdadeira expressão de ignorância e obscurantismo traz em sí fortes implicações xenófobas e etnocêntricas.

9- O último argumento é o mais sério de todos e me parece expressar o ponto central da visão de Zizek. Ele aponta para uma possível contradição entre o desenvolvimento econômico e a democracia e desenvolve uma verdadeira apologia da eficácia dos regimes autoritários no processo de desenvolvimento econômico. Semelhante visão é um insulto para quem viveu sob as ditaduras militares desenvolvimentistas no Brasil e em outros países da América latina.

E isso aponta para o caráter medíocre da visão marxista de Zizek. Ele ainda parece acreditar no mito de que o crescimento das forças produtivas conduz à desagregação das relações de produção capitalista. Semelhante visão é virtualmente idêntica à visão do Partido comunista Chinês que resume sua atual tarefa como sendo o "desenvolvimento das forças produtivas". Lembro-me de ter assistido na televisão a um discurso do ditador norte-americano George W.Bush que justificava a entrada do mercado norte-americano no Iraque sob o pretexto da necessidade de superar a miséria. A retórica de Zizek não difere em nada a meu ver da visão dos ditadores chinese e norte-americanos.

Para concluir, gostaria de dizer que é precisamente essa crença fatalista na inevitabilidade do crescimento econômico capitalista e quantitativo, essa superstição que acredita existir alguma relação entre semelhante desenvolvimento e a superação da miséria das massas que se constituiu no verdadeiro monstro do século XX, monstro esse responsável por todas as guerras e genocídios que pudemos testemunhar nesse terrível e doloroso século. A superação de semelhante superstição me parece ser a grande questão do século XXI. Concordo com Zizek que existe um conflito essencial entre capitalismo e democracia; a questão para mim consiste precisamente na superação do capitalismo e da crença fatalista no crescimento econômico através da radicalização da democracia. Creio também que a publicação dessa grotesca apologia do genocídio, da ignorância e do obscurantismo coloca uma séria questão para os senhores: como conciliar a liberdade de expressão com a publicação de semelhante apologia do genocídio? Admito que não tenho uma resposta definitiva para essa questão: aguardo o claro posicionamento dos senhores editores do "Mais".


Sem mais, respeitosamente.

Joaquim Antônio Bernardes Carneiro Monteiro.
Monge Shaku Shoshin.
Rua José Líbero-80. Planalto Paulista.
CEP-04070-040.
Tel-5071-2422.


Currículo do Monge Joaquim Monteiro:

Joaquim Antonio Bernardes Carneiro Monteiro é monge budista.

Formação acadêmica :

• Licenciado em psicologia pela Universidade Santa Úrsula, Rio de Janeiro.(Junho,1983)

• Formação no Seminário Budista da Shinshu Otani-ha (Otani senshugakuin) em Kyoto.(Junho,1987)

• Mestrado em estudos Budistas pela Universidade de Komazawa, Tóquio,Japão. Especialidade: Budismo Chinês. (Março,1997)

• Doutor em estudos Budistas pela Universidade de Komazawa, Tóquio, Japão. Especialidade: Budismo Chinês. (Março,2000)


Mais uma vez declaramos nosso apoio ao trabalho de conscientização feito pelo Monge Joaquim Monteiro com este artigo e outras atitudes suas durante este período de conflito no Tibet. Gostaríamos de ver mais lideranças budistas do Brasil engajando-se nesta causa humanitária com a mesma força, coragem e inteligência do Monge Joaquim Monteiro. Essa é nossa maior aspiração, no momento.

Tibet - Aula Aberta em Porto Alegre (23/04/2008)

Paulo Stekel



O evento ocorreu em 23 de abril, às 17h, no Recanto Oriental do Parque da Redenção, em Porto Alegre.

As violações dos direitos humanos no Tibete. Convidados: Dr. José Henrique Fardin (advogado, autor do livro A Compaixão pelo Rato: O Romance da Libertação do Tibete, entre 2005 e 2006 viveu na cidade de Dharamsala, na Índia); Cerys Tramontini (bacharel em Direito pela UNIVALI, membro do Instituto de Desenvolvimento e Direitos Humanos, Joinville, Santa Catarina, desenvolveu pesquisa de campo com o povo tibetano na Índia, Nepal e Tibete).

Vale a pena lembrar que Cerys Tramontini escreve sobre Direitos Humanos para a Revista Horizonte - Leitura Holística.

A iniciativa do evento foi de Giancarla Brunetto, da FACED/UFRGS, através do Projeto "Liga dos Direitos Humanos" (FACED/UFRGS).

O link original do vídeo no YouTube é:

http://www.youtube.com/watch?v=PfwOpgq5EGk

terça-feira, 1 de abril de 2008

Manifestação Pró-Tibet em Porto Alegre - 31 de março de 2008 - Quase mil pessoas entoando mantras pela paz no Tibet!



Durante o 3º Encontro Estadual de Terapeutas e Profissionais Holísticos, realizado na Assembléia Legislativa do RS e promovido pelo Deputado Giovani Cherini (PDT-RS), o jornalista Paulo Stekel propôs a todos os quase mil participantes cinco minutos de manifestação em prol da paz no Tibet. Neste tempo, todos se levantaram e entoaram o mantra de Chenrezig, o bodisatva regente do Tibet. Foi uma manifestação pacífica, e a maior até aquele dia no Brasil, em prol da cessação dos conflitos no Tibet ocupado. Possam todos os seres, em especial os tibetanos, serem beneficiados por esta iniciativa. E, que muitas mais sejam inspiradas a partir deste ato simples, mas compassivo.

domingo, 30 de março de 2008

Ato de solidariedade ao povo do Tibet


Esta é uma mensagem enviada em 29 de março à comunidade budista brasileira por Joaquim Monteiro, monge da escola Terra Pura. Ele foi uma das cerca de 30 pessoas que participaram dos protestos em prol do Tibet junto ao Consulado da China em São Paulo.

Prezados Irmãos do Dharma:

Participei hoje de tarde do ato de solidariedade ao povo do Tibet diante do Consulado da China. Como sempre, foram poucos os participantes e a organização dava muito a desejar, mas valeu a pena ter participado. Os participantes mantiveram um postura extremamente madura de perfeita não-violência que exclui por completo qualquer acusação de "baderna","desordem" ou "provocação". Essa maturidade contrastava fortemente com o enorme nervosismo dos funcionários do consulado, nervosismo completamente desproporcional diante da fraqueza numérica e organizacional do movimento com que se confrontavam. Além de atitudes completamente policialescas e injustificáveis, como a constante tirada de fotografias do movimento, era evidente o recurso do consulado a firmas de segurança particulares completamente inapropriadas para esse tipo de situação. Seria uma demonstração de uma competência política muito maior abrir um diálogo com os manifestantes, mas isso jamais ocorreria aos defensores da "harmonia social" pós-maoísta. (Que saudades que sinto nesses momentos das críticas de meu mentor intelectual, Prof. Noriaki Hakamaia, em relação ao caráter anti-budista da ideologia do "Wa".) Aprendi hoje antes de tudo a importância de correr riscos e "pegar o bonde andando": Budismo sem coragem, pensamento e ação não passa de fato de um pseudo-Budismo, possivelmente parecido com a coisa original mas indigno de comparação com ela. E é à retomada desses valores que aconselho fortemente aqueles que buscam pelo dharma em nosso país.

Sem mais, Gashô.
Joaquim Monteiro.
Shaku Shoshin.

"Quanto mais se ouve o Dharma,
mais ampla e profunda se torna a vida"
- Masanobu Tominaga (1915- ) -

sábado, 29 de março de 2008

Ação Urgente: Envie seus apelos o mais rápido possível


Divulgamos o seguinte chamamento recebido de Anistia Internacional

18 de março de 2008

TEMOR DE TORTURAS E DE OUTROS MAUS-TRATOS
CHINA

Samten, 17 anos, Monastério de Lungkar, Província de Qinghai

Trulku Tenpa Rigsang, 26 anos, Monastério de Lungkar, Província de Qinghai

Gelek Pel, 32 anos, Monastério de Lungkar, Província de Qinghai

Lobsang, 15 anos, Monastério de Onpo, Província de Sichuan

Lobsang Thukjey, 19 anos, Monastério de Onpo, Província de Sichuan

Tsultrim Palden, 20 anos, Monastério de Onpo, Província de Sichuan

Lobsher, 20 anos, Monastério de Onpo, Província de Sichuan

Phurden, 22 anos, Monastério de Onpo, Província de Sichuan

Thupdon, 24 anos, Monastério de Onpo, Província de Sichuan

Lobsang Ngodup, 29 anos, Monastério de Onpo, Província de Sichuan

Lodoe, 30 anos, Monastério de Onpo, Província de Sichuan

Thupwang, 30 anos, Monastério de Darthang

Pema Garwang, 30 anos, Monastério de Darthang

Tsegyam, 22 anos, Monastério de Kashi

Soepa, 30 anos, Monastério de Mangye


Segundo a informação difundida pelo Centro Tibetano para os Direitos Humanos e a Democracia, em 10 de março foram detidos 15 monges tibetanos por manifestar-se pacificamente em Barkhor, Lhasa, capital da Região Autônoma do Tibete. Não se dispõe de informação sobre o paradeiro nem sobre as acusações que possam ter sido apresentadas contra eles. É muito grande o perigo de que sofram tortura e outros maus-tratos.

Centenas de monges começaram na segunda-feira 10 de março uma marcha do Monastério de Drepung a Barkhor. Outro grupo, no qual estavam os 15 monges agora detidos, começou sua marcha no Monastério de Sera, mas logo foram detidos. Os monges pediam que o governo relaxasse a campanha de “reeducação patriótica”, em virtude da qual têm a obrigação de denunciar o Dalai Lama e estão submetidos à propaganda governamental.

Em apoio aos detidos, iniciaram-se protestos em outros monastérios. As manifestações, as quais se incorporaram pessoas alheias ao clero, propagaram-se depois por toda Lhasa, por outras partes do Tibete e por diversas áreas das províncias vizinhas de Qinghai, Gansu e Sichuan, que possuem numerosa população tibetana. Na sexta-feira dia 14, os protestos degeneraram em violência e alguns manifestantes atacaram e incendiaram especificamente comércios de propriedade chinesa e agrediram pessoas de outros grupos étnicos.

As autoridades chinesas instaram os manifestantes a entregar-se antes da meia-noite da segunda-feira 17 de março, e prometeram que quem o fizesse seriam tratado com indulgência. Segundo a informação disponível, hoje (18 de março) as ruas de Lhasa estavam tranqüilas e vazias.

A informação disponível assegura que policiais e soldados estão revistando Lhasa, casa por casa. Testemunhas informaram ter visto pessoas serem arrastadas de suas casas. Continuam, também, chegando informes sobre distúrbios nas províncias vizinhas de Sichuan e Gansu. Outros informes asseguram que alguns policiais e soldados chineses fizeram uso excessivo da força, incluindo força letal, contra os manifestantes tibetanos em Lhasa e outros lugares. É possível que sejam cometidas novas violações de direitos humanos, pois vários efetivos militares foram transferidos para a região.

As autoridades chinesas impuseram um bloqueio quase total sobre a informação que sai do Tibete e das áreas vizinhas. Em 12 de março pararam de emitir permissões para jornalistas que desejavam entrar no Tibete. Jornalistas foram expulsos ou proibidos de exercer sua atividade em alguns distritos das províncias de Gansu, Sichuan e Qinghai, onde se propagaram os distúrbios.

O governo chinês tem o direito e a obrigação de defender todas as pessoas e suas propriedades dos atos de violência. Ao mesmo tempo, o direito internacional obriga as autoridades a abordar tais crises de forma a respeitar os direitos humanos fundamentais e os princípios de necessidade e proporcionalidade no uso da força. Por exemplo, apenas deve-se fazer uso das armas de fogo como último recurso e quando haja vidas em perigo.

O Centro Tibetano para os Direitos Humanos e a Democracia conseguiu imagens de 14 dos monges detidos. Suas fotografias podem se vistas no site do Centro em: http://www.tchrd.org/press/2008/p001.html.

AÇÃO RECOMENDADA: Por favor, envie apelos, o mais depressa possível, em mandarim, em inglês ou em português:


- instando as autoridades a libertar os 15 monges citados acima, bem como as demais pessoas detidas por exercerem pacificamente seu direito à liberdade de expressão, de associação e reunião;

- instando as autoridades a divulgar o nome das pessoas que tenham sido detidas no curso das manifestações, garantindo que não sejam torturadas nem submetidas a outros maus-tratos, que tenham acesso a advogados e a atendimento médico, e a que compareçam, sem demora, perante um tribunal independente, tendo a oportunidade de impugnar sua detenção;

- instando a garantir que sejam apresentadas acusações reconhecíveis internacionalmente contra os acusados judicialmente, e que estes sejam julgados em processos que cumpram as normas internacionais de justiça processual;

- instando as autoridades a permitirem que jornalistas e outros observadores independentes tenham acesso pleno e irrestrito ao Tibete e a outras regiões tibetanas;

- instando que permitam à ONU realizar uma investigação independente sobre os acontecimentos de março, e que nessa autorização incluam o pleno acesso aos lugares dos confrontos, a testemunhas presenciais e a detidos, e se autorize também um acesso similar a observadores independentes, entre eles jornalistas e organizações não governamentais de direitos humanos.


POR FAVOR, ENVIE APELOS PARA:

Presidente da República Popular da China

President of the People’s Republic of China

HU Jintao Guojia Zhuxi

The State Council General Office

2 Fuyoujie, Xichengqu

Beijingshi 100017,

República Popular da China

Tratamento: Your Excellency / Sua Excelência


Presidente do governo da Região Autônoma do Tibete

Chairman of the Tibet Autonomous Regional People's Government

Qiangba PUNCOG Zhuren

Xizang Zizhiqu Renmin Zhengfu

1 Kang'angdonglu

Lasashi 850000, Xizang Zizhiqu,

República Popular da China

Tratamento: Dear Chairman / Exmo Senhor Presidente



Ministro de Segurança Pública da República Popular da China

Minister of Public Security of the People's Republic of China

MENG Jianzhu Buzhang

Gong’anbu

14 Dongchang’anjie

Dongchengqu, Beijingshi 100741,

República Popular da China

Fax: +86 10 63099216 (pode ser difícil comunicar-se com este número, favor insistir)

Tratamento: Your Excellency / Sua Excelência



E CÓPIA DOS APELOS PARA:


Prefeito de Lhasa, Região Autônoma do Tibete
Mayor of Lhasa Municipal People’s Government Tibet Autonomous Region

LOBSANG Gyaincain Shizhang

Lasashi Zizhiqu Renmin Zhengfu

16 Jinjulu, Lasashi 850000, Xizang Zizhiqu, República Popular da China

Tratamento: Dear Mayor / Exmo Senhor Prefeito



Embaixada da República Popular da China

SE Sr. Chen Duqing

Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário

SES Avenida das Nações quadra 813 lote 51

CEP: 70.443-900 – Brasília / DF

Fax: (61) 3346-3299

E-mails: chinaemb_br@mfa.gov.cn / china@opendef.com.br

Tratamento: Sua Excelência



MODELO DE CARTA:


À

HU Jintao Guojia Zhuxi

Exmo Presidente da República Popular da China



Escrevo para expressar minha preocupação pela detenção de manifestantes, inclusive os monges Samten, 17 anos, Trulku Tenpa Rigsang, 26 anos, Gelek Pel, 32 anos, Lobsang, 15 anos, Lobsang Thukjey, 19 anos, Tsultrim Palden, 20 anos, Lobsher, 20 anos, Phurden, 22 anos, Thupdon, 24 anos, Lobsang Ngodup, 29 anos, Lodoe, 30 anos, Thupwang, 30 anos, Pema Garwang, 30 anos, Tsegyam, 22 anos e Soepa, 30 anos, que teriam sido presos unicamente por exercerem pacificamente seu direito à liberdade de expressão, de associação e reunião.



Peço a S.Ex.ª que sejam divulgados os nomes e paradeiro das pessoas presas durante as manifestações ocorridas no Tibete e outras regiões tibetanas, e que os detidos tenham acesso a advogados e a atendimento médico, que compareçam sem demora perante um tribunal independente, e que tenham a chance de impugnar a detenção. Caso sejam abertos processos judiciais contra eles, solicito que sejam apresentadas acusações internacionalmente reconhecíveis, e que sejam julgados em processos que cumpram as normas internacionais de justiça processual. Além disso, apelo para que eles não corram riscos de serem submetidos à tortura ou a qualquer outro tipo de maus-tratos.



Apelo a S.Ex.ª, ainda, para que seja autorizado o acesso pleno e irrestrito de jornalistas e observadores independentes ao Tibete e a outras regiões tibetanas, e que o governo permita que a ONU realize uma investigação independente sobre os eventos ocorridos neste mês de março, com pleno acesso aos locais onde ocorreram os confrontos, a testemunhas e aos detidos. Solicito, ainda, que esta permissão seja estendida a observadores independentes, incluindo jornalistas e organizações não governamentais de direitos humanos.



Conto com sua especial atenção e agradeço, desde já, qualquer informação atualizada sobre a situação e apresento minhas cordiais saudações.



Respeitosamente,



(seu nome)

Brasil


COMO ESCREVER OS APELOS PARA AS AUTORIDADES:



1) Leia a seção "Ações Recomendadas" da Ação Urgente no mínimo duas vezes para se familiarizar com a lista específica de preocupações.



2) Seja breve. Geralmente uma página é suficiente para passar a mensagem e requerer a atenção de quem lê.



3) Vá aos fatos. Transmita os detalhes do caso como se você os conhecesse bem. Não discuta ideologia ou política. Sua mensagem precisa ser para o benefício da vítima e não para veicular suas próprias opiniões políticas. Atenha-se às orientações da AI.



4) Seja educado. Linguagem ofensiva não é efetiva. Presuma que a autoridade não está informada, mas está disposta a tentar remediar a violação dos direitos humanos.



5) Mostre respeito. É mais provável que você consiga reter a atenção do leitor mostrando respeito pela constituição e procedimentos judiciais de seu país. Se houver tido casos positivos no país (liberação de prisioneiros, por exemplo), isto pode ser brevemente reconhecido e saudado.



6) Seja claro na expressão de sua preocupação com a vítima. Você pode se mostrar fortemente contra a tortura ou outras injustiças praticadas contra um indivíduo e ainda mostrar um tom respeitoso na mensagem. Você pode presumir que a autoridade desconheça o caso da vítima e assim, mostrar sua grande preocupação com o erro que a envolve.



7) Escreva em português. É mais eficiente escrever suas mensagens em português, a menos que possa ser escrita na língua do país envolvido. Se você decidir traduzir sua mensagem para a língua do país, não deixe que isso diminua a rapidez de envio da mensagem. Lembre-se: trabalhamos com ações urgentes!



8) Escreva de modo claro. A autoridade precisa ler facilmente sua carta e, se ela for escrita à mão, assegure-se que seja simples e legível.



9) Use atalhos. Faça todo o necessário para fazer sua carta o mais rápido possível. Assim elas não serão deixadas de lado e poderão ser enviadas mais cedo. Por exemplo, no computador você pode fazer um arquivo genérico para cada tipo de preocupação expressas nas AUs (Ações Urgentes). Parágrafos sobre desaparecimentos, tortura, pena de morte, negação de cuidados médicos, etc, podem ser copiados para o arquivo de trabalho e editados, se necessário.


POR FAVOR, ENVIE APELOS IMEDIATAMENTE.

Consulte a RAU-Brasil (rau@br.amnesty.org) se for enviá-los após 29 de abril de 2008.


Caso recebam respostas de qualquer uma das autoridades sobre este caso ou de outras ações urgentes, por favor, enviem cópia para a RAU-Brasil:

e-mail: rau@br.amnesty.org

fax: (13) 3236-7320

Caixa Postal 2516

Santos – SP CEP 11021-970

sexta-feira, 28 de março de 2008

Dia de Mobilização Global pelo Tibet será em 31 de março: Entrega da petição da ONG internacional Avaaz ao governo chinês


Recebemos este email de Ricken Patel, representante da ONG internacional Avaaz, responsável pela petição em prol dos Direitos Humanos no Tibet que está correndo o mundo:

Amigos,

Em apenas 7 dias, 1 milhão de pessoas assinaram nossa petição pelos direitos humanos e diálogo no Tibete, se tornando a petição on-line que cresceu mais rápido na história! Depois de décadas de injustiça, o povo tibetano está demandando mudanças e a nossa petição mostra que o mundo está respondendo com uma solidariedade surpreendente a esse chamado.

Foi declarado o Dia de Mobilização Global pelo Tibete nesta segunda-feira dia 31 de março. Em apenas 4 dias, milhares de pessoas em várias cidades do mundo irão protestar em embaixadas e consulados da China, trazendo consigo nossa petição de 1 milhão de assinaturas. Nossa mensagem global e simultânea com certeza chamará a atenção do governo chinês.

Temos somente 4 dias até a entrega da petição, por isso estamos concentrando nossos esforços em dobrar nossa petição: será que podemos conseguir 2 milhões de assinaturas? Nossa mensagem já deu a volta ao mundo e com a sua ajuda podemos chegar ainda mais longe. Por favor, clique no link para assinar a petição e em seguida encaminhe este email para todos os seus amigos e familiares:

http://www.avaaz.org/po/tibet_end_the_violence/83.php/?cl=68285218

Embora alguns líderes linha dura da China têm atacado o Dalai Lama publicamente, muitos líderes chineses acreditam que o diálogo é a melhor esperança para estabilizar o Tibete. Governos ao redor do mundo começaram a pedir o diálogo e muitos sinais indicam que, se a pressão da sociedade civil global continuar, a China terá que ceder.

O presidente da China Hu Jintao valoriza a reputação da China perante o mundo e ele precisa ouvir que a marca “Made in China” e as Olimpíadas de Pequim só serão um sucesso se ele optar pelo diálogo ao invés da repressão. Uma avalanche de solidariedade global está se mobilizando para chamar sua atenção. Nossa petição reconhece as preocupações dos líderes chineses de que protestos e separatismo podem gerar uma perigosa instabilidade, porém nós apoiamos o posicionamento do Dalai Lama que afirma que o melhor caminho é o diálogo e respeito, ao invés da repressão.

Esta é a primeira oportunidade em décadas que vemos um movimento promissor para enfrentar as injustiças no Tibete, porém a atenção dá mídia pode durar pouco. Está na hora de aproveitarmos esse momento para divulgar a manifestação de solidariedade massiva que irá acontecer na segunda-feira, vamos usar todas as nossas forças para fazer dos próximos quatro dias um momento decisivo na história do Tibete.

Com esperança,

Ricken, Graziela, Ben, Iain, Pascal, Milena, Galit, Paul, Esra'a e toda a equipe Avaaz

segunda-feira, 24 de março de 2008

Protestos pelo Tibete no Rio de Janeiro: 26 e 30 de março


Conforme informação enviada pelo Monge Gabriel Jaeger, haverá uma manifestação pró-Tibet em frente ao Consulado da China, no Rio de Janeiro, na próxima quarta-feira, dia 26 de março.

Transcrevo alguns trechos do e-mail recebido:

Nesse momento em que o mundo se volta para a dor dos tibetanos, é de extrema importância que façamos movimentos pela paz no Tibet. Um grupo de amigos * do RJ está se mobilizando para que façamos um protesto PACÍFICO e silencioso em frente ao consulado Chinês nesta quarta feira , 12h e uma caminhada na praia no domingo dia 30/03, 11h (por favor vejam o convite anexo).

*O Marcos Prado (diretor da produtora ZAZEN que faz filmes de protesto como Tropa de Elite, Ônibus 174, Estamira, etc.) e o cantor Leoni, praticante como eu do budismo tibetano, é que tomaram a iniciativa e me convidaram para contactar as sangas para esta manifestação...

Além de apoiar uma causa mais que justa, esse é um símbolo de luta contra as torturas e perseguições oficiais em todo o planeta. É uma manifestação de cidadãos, não de governos ou partidos políticos.

Se você é do Rio de Janeiro, compareça e traga uma faixa preta para colocar sobre a boca ou sobre os olhos, como uma forma de protesto contra a censura de imprensa e de livre expressão. Você sabe que os jornais e a internet estão censurados ou bloqueados na China e no Tibet, e que os jornalistas estrangeiros não podem entrar no Tibet? Não existe mais notícia, só versão oficial dos fatos.

Se você não é do Rio, que tal organizar na sua cidade algo semelhante para fazer barulho com o seu silêncio na quarta-feira?

Nós podemos muito mais do que imaginamos. Com as manifestações populares pelo mundo, o diretor Steven Spielberg já desisitiu de dirigir a abertura das Olimpíadas, o governo chinês já admite negociar com o Dalai Lama e outros resultados positivos virão.

Manifeste–se.

POR FAVOR, O MOMENTO É ESSE! NOS PRONUNCIEMOS AGORA!
ENVIEM E-STE E MAIL PARA TODOS QUE PUDEREM E FAÇAMOS UMA CORRENTE... ESTAMOS FAZENDO , FAIXAS , GALHARDETES E CONVOCANDO TODOS OS CIDADÃOS PARA QUE MOSTREMOS A NOSSA TRISTEZA COM ESTE ATO TÃO DESUMANO.

Vamos nos pronunciar para acabar com esse HOLOCAUSTO QUE ESTÁ ACONTECENDO NO TIBETE...

Até quando vamos assistir a toda essa violência sem fazer nada?
O povo brasileiro sofre, mas tem autonomia de ir e vir, votar, ter a religião que quiser...

O povo tibetano perdeu sua pátria, sua dignidade, é escravizado, torturado e massacrado diariamente há mais de 50 anos... e, por questões políticas e econômicas o mundo não se pronuncia. ATÉ QUANDO!?

O Mundo está sangrando...

ESTE É UM ATO DE CIDADANIA....
AUTONOMIA PARA O TIBET JÁ!
DIREITOS HUMANOS PARA O TIBET , JÁ!
CHEGA DE SOFRIMENTO...

FIQUE NA PAZ

ANGELA MATTOS


O recado está dado. Toda a manifestação pacífica em prol da liberdade, da paz e do fim da violência no Tibet contribui para a formação de um mundo melhor.

terça-feira, 18 de março de 2008

DIREITOS HUMANOS NO TIBETE - AÇÃO DIRETA


Assine esta petição para o Presidente da China, Hu Jintao, pedindo o respeito dos direitos humanos no Tibete e o diálogo de Pequim com o povo tibetano!


A organização-não-governamental internacional Avaaz está lançando uma petição, que conta já com milhares de assinaturas, que será enviada em breve para o Presidente da China, Hu Jintao. Convida aqueles que são sensíveis ao sofrimento dos tibetanos e ao sofrimento humano em geral a assinarem a petição, que pede ao governo chinês o respeito dos direitos humanos em sua resposta aos protestos no Tibete e a abertura de um diálogo com os tibetanos.


Eis o texto da petição:


Petição para o Presidente chinês Hu Jintao:


Como cidadãos do mundo, nós o convidamos a mostrar controle e respeito pelos direitos humanos em sua resposta aos protestos no Tibete, e a tratar do que interessa a todos os tibetanos através de um diálogo aberto com o Dalai Lama. Apenas o diálogo e a reforma trarão a estabilidade definitiva. O futuro mais promissor da China, assim como sua relação mais positiva com o mundo, jaz no desenvolvimento harmônico, no diálogo e no respeito.


Para assinar a petiç
ão, clique aqui.


Texto original da petição em inglês:


Petition to Chinese President Hu Jintao:


As citizens around the world, we call on you to show restraint and respect for human rights in your response to the protests in Tibet, and to address the concerns of all Tibetans by opening meaningful dialogue with the Dalai Lama. Only dialogue and reform will bring lasting stability. China's brightest future, and its most positive relationship with the world, lies in harmonious development, dialogue and respect


Para assinar a petiç
ão original em inglês, clique aqui.


Obrigado a tod@s e que as bênçãos estejam convosco.


OM MANI PADME HUNG


Fonte: Paulo Stekel (Pema Dorje), membro da Rede Brasileira de Budistas Engajados

sábado, 15 de março de 2008

O Dalai Lama: "A China abandone a violência e instaure o diálogo com a população tibetana"


Em solidariedade às tibetanas e os tibetanos que estão sofrendo a violenta repressão desencadeada pela polícia chinesa contra os manifestantes que desceram nas ruas de Lhasa e de diversas regiões do país nos últimos dias, às monjas e monges que começaram os protestos, alguns dos quais imolaram suas vidas, e a toda a população tibetana na pátria mãe e no exílio, mas também com compaixão para os chineses supostamente mortos durantes as rebeliões, para o regime de Pequim cuja falta de compreensão e cujo sofrimento o levam a cumprir as maciças violações dos direitos humanos das quais é protagonista e, finalmente, para todo o povo chinês, reafirmando o nosso firme compromisso com a não-violência e o diálogo como forma de resolução de todas as controvérsias e construção de uma convivência harmoniosa e pacífica entre os povos, retransmitimos (na tradução em espanhol) o discurso que S. S. o Dalai Lama pronunciou em Dharamsala (Índia) no passado 10 de março, aniversário da insurreção popular do Tibete contra a invasão chinesa de 1959.


Con ocasión del 49º aniversario del levantamiento pacífico del pueblo tibetano en Lhasa el 10 de marzo de 1959, ofrezco mis plegarias y doy tributo a aquellos valientes hombres y mujeres de Tíbet que padecieron dificultades indecibles y sacrificaron sus vidas por la causa del pueblo tibetano, y expreso mi solidaridad con aquellos tibetanos que actualmente padecen represión y maltrato. Extiendo, además, mis saludos a los tibetanos dentro y fuera de Tíbet, los partidarios de la causa tibetana y a todos aquellos que valoran la justicia.


Por casi seis décadas, los tibetanos en todo Tíbet, conocido como Cholkha Sum (U-Tsang, Kham y Amdo) han debido vivir en un estado de constante temor, intimidación y sospecha bajo la represión china. Sin embargo, además de mantener su fe religiosa, un sentido de nacionalismo y su cultura única, el pueblo tibetano ha sido capaz de mantener viva su aspiración básica a la libertad. Siento gran admiración por las características especiales del pueblo tibetano y su coraje indomable. Me siento extremadamente satisfecho y orgulloso de ellos.


Muchos gobiernos, organizaciones no gubernamentales y particulares en el mundo, dado su interés por la paz y la justicia, han apoyado permanentemente la causa de Tíbet. En particular, durante el año pasado, los gobiernos y pueblos de muchos países tuvieron gestos importantes que expresaron claramente su apoyo a nosotros. Quisiera expresar mi gratitud a cada uno de ellos.


El problema de Tíbet es muy complicado. Se relaciona intrínsicamente con muchos aspectos: la política, la naturaleza de la sociedad, la ley, los derechos humanos, la religión, la cultura, la identidad de un pueblo, la economía y el estado del medio ambiente natural. Por consiguiente, se ha de adoptar un enfoque amplio para resolver este problema, que considere los beneficios de todas las partes involucradas y no de una sola parte. Por lo tanto, nos hemos mantenido firmes en nuestro compromiso hacia una política mutuamente beneficiosa, el enfoque de la Vía del Medio, y nos hemos esforzado sincera y persistentemente hacia el logro de ésta por muchos años. Desde el año 2002, mis enviados han sostenido seis rondas de conversaciones con oficiales de la República Popular de China para discutir temas relevantes. Estas extensas conversaciones han ayudado a despejar algunas de sus dudas y nos han permitido explicarles nuestras aspiraciones. No obstante, no ha habido resultado concreto alguno sobre el tema fundamental. Y durante los últimos años, Tíbet ha presenciado mayor represión y brutalidad. A pesar de estos sucesos desafortunados, mi posición y determinación a aspirar a la política de la Vía del Medio y continuar nuestro diálogo con el gobierno chino se mantienen inalteradas.


Una de las principales preocupaciones de la República Popular de China es su falta de legitimidad en Tíbet. La mejor manera de otorgar peso a su posición es que el gobierno chino mantenga una política que satisfaga al pueblo tibetano y gane su confianza. Si somos capaces de lograr una reconciliación forjando un camino de consentimiento mutuo, entonces, como he dicho muchas veces, pondré todo mi esfuerzo para lograr el apoyo del pueblo tibetano.


En Tíbet hoy, por causa de las numerosas acciones del gobierno chino, carentes de visión, el medio ambiente natural se ha visto dañado severamente. Y, como resultado de su política de transferencia de población, la población no tibetana ha aumentado muchísimo, reduciendo a los tibetanos nativos a una minoría insignificante en su propia tierra. Además, el idioma, costumbres y tradiciones de Tíbet, las que reflejan la verdadera naturaleza e identidad del pueblo tibetano están desapareciendo gradualmente. Como consecuencia, los tibetanos están siendo cada vez más asimilados en una población china mayor. En Tíbet la represión continua aumentando mediante numerosas, inimaginables y enormes violaciones a los derechos humanos, la negación de la libertad religiosa y el hecho de politizar los temas religiosos. Todo esto acontece como resultado de la falta de respeto del gobierno chino hacia el pueblo tibetano. Estos son obstáculos importantes que el gobierno de China pone deliberadamente en el camino de su política de unificación de las nacionalidades, discriminando entre los pueblos de Tíbet y China. Por lo tanto, insto al gobierno chino a poner fin de inmediato a dichas políticas.


Aunque las áreas habitadas por el pueblo tibetano son referidas con distintos nombres como región autónoma, prefecturas autónomas y condados autónomos, éstas son autónomas sólo en nombre; en realidad, no cuentan con una autonomía verdadera. En cambio, son gobernadas por personas que no consideran la situación regional y son impulsadas por lo que Mao Zedong llamaba "Chovinismo Han". Como consecuencia, esta así llamada autonomía no ha brindado a las nacionalidades ningún beneficio tangible. Políticas falsas que no están de acuerdo con la realidad están causando un daño enorme no sólo a las nacionalidades respectivas, sino también a la unidad y estabilidad de la nación china. Resulta importante para el gobierno chino como aconsejó Deng Xiaoping, "buscar la verdad a partir de los hechos" en el verdadero sentido de la expresión.


El gobierno chino me critica severamente cuando presento interrogantes sobre el bienestar del pueblo tibetano ante la comunidad internacional. Hasta que alcancemos una solución mutuamente beneficiosa, tengo la responsabilidad histórica y moral de continuar hablando libremente en su nombre. Sin embargo, es de conocimiento común que he estado en semirretiro, ya que el liderazgo político de la diáspora tibetana fue elegido directamente por la población tibetana común.


China está emergiendo como un país poderoso debido a su gran progreso económico. Esto es algo digno de regocijo, pero también ha ofrecido a China una oportunidad para jugar un papel importante en el escenario global. El mundo está esperando ansioso ver cómo el actual liderazgo chino hará efectivos los conceptos que ha admitido de "sociedad en armonía" y "surgimiento pacífico". Para lograr estos conceptos, el progreso económico solo no será suficiente. Deben haber mejorías en la observancia de la ley, transparencia y derecho de información, como también en la libertad de palabra. Ya que China es un país de muchas nacionalidades, a todas se les ha de brindar igualdad y libertad para proteger sus identidades respectivas únicas, si el país ha de mantenerse estable.


El 6 de marzo de 2008, el presidente Hu Jintao declaró: "La estabilidad en Tíbet atañe a la estabilidad del país, y la seguridad en Tíbet atañe a la seguridad del país". Él añadió que el liderazgo chino debe asegurar el bienestar de los tibetanos, mejorar el trabajo en relación a los grupos religiosos y étnicos, y mantener la armonía y estabilidad sociales. La declaración del presidente Hu se ajusta a la realidad y estamos en espera de su implementación.


Este año, el pueblo chino espera orgullosa y ansiosamente la apertura de los Juegos Olímpicos. Desde un comienzo, yo he apoyado la idea de que China tenga la oportunidad de ser el país anfitrión de los Juegos Olímpicos. Ya que dichos eventos deportivos internacionales, especialmente las Olimpíadas, sostienen los principios de libertad de palabra, libertad de expresión, igualdad y amistad, China ha de probar ser un buen anfitrión proporcionando estas libertades. Por lo tanto, la comunidad internacional además de enviar a sus atletas, debe recordar al gobierno chino estos temas. Me he enterado que muchos parlamentarios, particulares y organizaciones no gubernamentales en el mundo están realizando una serie de actividades ante la oportunidad que existe para que China realice un cambio positivo. Admiro la sinceridad de ellos. Quisiera decir enfáticamente que será muy importante observar el período tras la conclusión de los Juegos. Los Juegos Olímpicos sin duda impactarán enormemente las mentes del pueblo chino. Por ende, el mundo debe explorar formas de invertir su energía colectiva para producir un cambio positivo continuo dentro de China, incluso después que las Olimpíadas hayan finalizado.


Quisiera aprovechar esta oportunidad para expresar mi orgullo y aprecio por la sinceridad, coraje y determinación del pueblo tibetano dentro de Tíbet; le insto a continuar trabajando de manera pacífica y dentro del marco de la ley para asegurar que todas las nacionalidades minoritarias de la República Popular de China, incluyendo el pueblo tibetano, disfruten de sus derechos y beneficios legítimos.


Además, quisiera agradecer en esta ocasión al gobierno y pueblo de India en particular, por su apoyo permanente y sin igual a los refugiados tibetanos y la causa de Tíbet, como también expresar mi gratitud a todos aquellos gobiernos y pueblos que han mantenido su preocupación por la causa de Tíbet.


Con oraciones por el bienestar de todos los seres sintientes,


El Dalai Lama


10 de marzo de 2008


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