quinta-feira, 20 de março de 2008

Comunicado à imprensa de S. S. o Dalai Lama


Gostaria de aproveitar essa oportunidade para expressar minha gratidão aos líderes mundiais e à comunidade internacional por sua preocupação com relação aos eventos recentes no Tibet e por suas tentativas em persuadir as autoridades chinesas no exercício da moderação ao lidar com as demonstrações.

Uma vez que o Governo Chinês tem me acusado de orquestrar tais protestos no Tibet, eu clamo por uma completa investigação da parte de algum órgão respeitável, o que deve incluir representantes chineses, a fim de investigar tais alegações. Tal órgão precisará visitar o Tibet, as áreas tradicionais tibetanas fora da Região Autônoma Tibetana e também a Administração Tibetana Central aqui na Índia. De forma que a comunidade internacional, e especialmente os mais de um bilhão de chineses que não têm acesso à informação não-censurada, possam saber o que realmente está acontecendo no Tibet seria de extrema ajuda que representantes da imprensa internacional também realizassem tais investigações.

Se intencional ou não, acredito que uma forma de genocídio cultural tem lugar no Tibet, onde a identidade tibetana passa por constante ataque. Os tibetanos foram reduzidos a uma insignificante minoria em sua própria terra como resultado da imensa transferência de não-tibetanos ao Tibet. A distinta herança cultural tibetana, com sua linguagem costumes e tradições características está desaparecendo. Ao invés de trabalhar pela unificação de suas nacionalidades, o governo chinês realiza uma discriminação contra as nacionalidades minoritárias, entre elas a dos tibetanos.

É conhecimento comum que os mosteiros tibetanos, os quais constituem nossos principais lugares de saber, além de serem repositórios da cultura buddhista tibetana, têm sido severamente reduzidos em número e população. Naqueles mosteiros que ainda existem, o estudo sério do Buddhismo Tibetano não mais é permitido; de fato, mesmo a admissão em tais centros de saber é estritamente regulada. Na realidade, não há liberdade religiosa no Tibet. Mesmo um chamado por um pouco mais de liberdade torna-se um risco de ser rotulado como separatista. Nem mesmo há qualquer real autonomia no Tibet, mesmo apesar de tais liberdades básicas serem garantidas na constituição chinesa.

Acredito que as demonstrações e protesto que ocorrem agora no Tibet são uma explosão espontânea do ressentimento popular acumulado por anos de repressão em reação a autoridades que são cegas aos sentimentos do povo local. Elas erroneamente acreditam que mais medidas repressivas são o caminho para conquistar seu objetivo declarado de unidade e estabilidade a longo prazo.

De nossa parte, permanecemos compromissados em seguir a abordagem do Caminho do Meio e buscar um processo de diálogo a fim de encontrar uma solução mutuamente benéfica para a questão tibetana.

Com tais pontos em mente, busco também o apoio da comunidade internacional em nossos esforços para resolver os problemas do Tibet por meio do diálogo, e incentivo que clamem às lideranças chinesas para que exerçam a máxima moderação em lidar com a situação turbulenta atual e tratem aqueles que têm sido presos de maneira apropriada e justa.


Dalai Lama


Dharamsala, 18 de março de 2008


Fonte: Comunidade Buddhista Nalanda


Para ler a mensagem original em inglês,
clique aqui.


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quarta-feira, 19 de março de 2008

Manifestação pelo Tibete em São Paulo


Neste domingo, 23 de março, estamos tod@s convidad@s ao meio dia na Praça da Paz do Parque Ibirapuera, em São Paulo, para uma caminhada recitando mantas pela paz no Tibete.

Que as bênçãos estejam convosco!

OM MANI PADME HUNG

terça-feira, 18 de março de 2008

DIREITOS HUMANOS NO TIBETE - AÇÃO DIRETA


Mais petições que convidamos-lhes a assinar para pedir o fim da brutal repressão chinesa no Tibet, o respeito dos direitos humanos por parte de Pequim e o diálogo com os tibetanos:


Petição ao Comitê Olímpico Internacional: clique aqui.


Petição às Nações Unidas: clique aqui.


Que as bênçãos estejam convosco!


OM MANI PADME HUNG

DIREITOS HUMANOS NO TIBETE - AÇÃO DIRETA


Assine esta petição para o Presidente da China, Hu Jintao, pedindo o respeito dos direitos humanos no Tibete e o diálogo de Pequim com o povo tibetano!


A organização-não-governamental internacional Avaaz está lançando uma petição, que conta já com milhares de assinaturas, que será enviada em breve para o Presidente da China, Hu Jintao. Convida aqueles que são sensíveis ao sofrimento dos tibetanos e ao sofrimento humano em geral a assinarem a petição, que pede ao governo chinês o respeito dos direitos humanos em sua resposta aos protestos no Tibete e a abertura de um diálogo com os tibetanos.


Eis o texto da petição:


Petição para o Presidente chinês Hu Jintao:


Como cidadãos do mundo, nós o convidamos a mostrar controle e respeito pelos direitos humanos em sua resposta aos protestos no Tibete, e a tratar do que interessa a todos os tibetanos através de um diálogo aberto com o Dalai Lama. Apenas o diálogo e a reforma trarão a estabilidade definitiva. O futuro mais promissor da China, assim como sua relação mais positiva com o mundo, jaz no desenvolvimento harmônico, no diálogo e no respeito.


Para assinar a petiç
ão, clique aqui.


Texto original da petição em inglês:


Petition to Chinese President Hu Jintao:


As citizens around the world, we call on you to show restraint and respect for human rights in your response to the protests in Tibet, and to address the concerns of all Tibetans by opening meaningful dialogue with the Dalai Lama. Only dialogue and reform will bring lasting stability. China's brightest future, and its most positive relationship with the world, lies in harmonious development, dialogue and respect


Para assinar a petiç
ão original em inglês, clique aqui.


Obrigado a tod@s e que as bênçãos estejam convosco.


OM MANI PADME HUNG


Fonte: Paulo Stekel (Pema Dorje), membro da Rede Brasileira de Budistas Engajados

Relato de uma residente em Dharamsala


Uma visão geral da situação tibetana dentro e fora do Tibete

16/03/2008


McLeod Ganj (o quarteirão tibetano em Dharamsala) está fervendo. Eu vivo a 200 metros do templo principal, o qual , nesses últimos dias , tem sido o maior foco para as protestos aqui. As ondas das emoções que variam de alegria, cantos e gritos de lamentos e 'slogans', que podem ser ouvidos do meu quarto. Na rua em frente ao templo uns quarenta tibetanos estão em greve de fome, esperamos, porém que não cheguem até a morte. Cem daqueles que planejavam marchar de Dharamsala a Lhasa, foram detidos antes que chegassem à fronteria do estado do Himachal Pradesh com o estado do Punjab. Eles estão sendo detidos por quatorze dias porque recusam de assinar um papel no qual eles juram que abandonarão a marcha.

Ontem - dia 16/03 - um grupo de duzentos sairam em marcha de Macleod Ganj para cercar a prisão onde seus companheiros estão detidos. Este grupo se transformou em uma multidão de mais de três mill dos tibetanos que vivem aqui. E até hoje mesmo muitos outros estão dispostos a fazer o mesmo. Todas as lojas, restaurantes e tudo aquilo que diz respeitos aos tibetanos estão fechadas. Em Delhi a poucos dias atrás uns cinqüenta protestantes também foram presos.

Eu há pouco vim do templo onde a Sua Santidade o Dalai Lama deu uma entrevista coletiva - jornalistas da BBC, CNN, de meios da Alemanha, Japão e outros pa
íses estavam presentes. Só aqueles jornalistas da imprensa puderam participar da coletiva. Tibete: Os chineses dizem que dez pessoas morreram. Mas a mídia noticiou uns trinta, a dois dias atrás. Ontem contavam oitenta corpos. Mas aqui as vozes que chegam dizem que são mais de cem. A tendência é só subir. O governo chinês pediu que os manifestantes se rendam antes da meia-noite de segunda-feira 17/03 - se eles desafiarem, ao invés do 'tratamento severo' receberão uma 'moderada' punição. Seríamos hipócritas em acreditar nisso. Os manifestantes sabem o que exatamente se espera. Mas não eles esperam render. Os chineses os bloquearam em um quarterão velho da cidade. Ainda não é claro como começou a violência. Relatórios de tibetanos em Lhasa, por celulares, dizem que as manifestações começaram pacificamente por alguns monjes mas foram reprimidas pelas forças chinesas com força brutal. Isto fez com que as manifestações aumentassem, envolvendo pessoas leigas e eventualmente algum tibetano, lançando pedras e queimando edifícios etc. Quase todas as imagens e notícias vêm de Lhasa, com lojas quebradas e queimando. Todavia isto parece ser mais uma tentativa, chinesa de retratar os tibetanos como agitadores e 'terroristas separadores.'

O que as novas imagens das notícias não mostram é a sua ação severa. Relatórios nos chegam através de celulares dos tibetanos na capital de Lhasa dizendo que grandes números de manifestantes ainda inconscientes devido a um tipo de gás lançado, foram levados nos caminhões dos exército para lugar ignorado. Outros relatórios contam de pessoas sendo mortas e seus corpos sendo jogados fora. Embora a atenção da mídia esteja concentrada em Lhasa, os tibetanos em todas as outras três regiões do Tibete (Utsang, Kham e Amdo), tambem fazem demonstrações com milhares de participantes em Tau, Kandze, Lithang, Labrang Tashikyil e Penpo. Em Amdo Ngawa até mesmo 12,000 pessoas se levantaram em demostração de protesto. Na Província de Gansu, os estudantes de uma universidade também se ergueram em manifestação. Em todos os lugares o exército chinês respondeu, a estas demonstrações pacíficas de forma brutal, matando um número de pessoas ainda não confirmado.

Tudo isso são só relatórios, o que realmente está acontecendo nesse momento em Lhasa e nas outras províncias do Tibet é muito dificil de ser efetivamente constatado. O Dalai Lama e o Governo chinês: O governo chinês diz que as demonstrações foram 'habilmente planejadas pelo Dalai e seu grupo exclusivo'. O Dalai Lama desmentiu tudo isso publicamente e temos toda razão para acreditar nele. Ele lamentou profundamente pelas perdas das vidas que estão ocorrendo não pode encorajar as ações que custem as vidas de outros seres. Por isso é inverossímil, dizer que as manifestações foram coordenadas por ele, como os chineses estão proclamando. É muito mais plausível, e de acordo com aquilo que eu conheço dos tibetanos, que eles tenham começado com demonstrações pacíficas espontâneas aproveitando essa oportunidade das Olimpíadas em Beijim, onde o mundo inteiro esta aí focalizado, para fazer a causa do Tibet se tornar em uma causa de interesse mundial, tais demonstrações ganharam impulso e geraram eventos semelhantes em outros lugares.

A intensidade que nós estamos vendo, é uma explosão de frustração retida por cinco décadas, um ressentimento por serem oprimidos por um regime que não dá liberdade de expressão, religião e cultura, e não o produto de um 'esquema do clã do Dalai.' Os tibetanos sentem entristecidos e com toda razão. As atrocidades que vem acontecendo a mais de 60 anos são muitas e variadas não reveladas aos olhos do mundo. Entretanto aqui não é o lugar para entrar em detalhes. Embora seja verdade que o Dalai Lama tenha se recusado a pedir que parassem as manifestações, não foi porque ele desejasse causar algum dano aos chineses ou encorajasse a violência. E sim por que nesses últimos dias ele recebeu telefonemas de Tibetanos suplicarando a ele que não lhes pedisse para suspender as suas manifestações. Os tibetanos querem exercitar os seus básicos direitos humanos de expressão. Durante anos o povo tibetano foi atormentado por um sentimento de inutilidade, de querer melhorar as condições na sua própria pátria sem o menor resultado. Agora, eles acham que têm uma oportunidade para fazer algo que poderia trazer a atenção do mundo à situação do Tibet. Qualquer que seja o resultado mesmo seja se unindo em uma marcha, a sensação de estar contribuindo pessoalmente com algo, dá esperança e coragem as pessoas. Considerando que não fazendo nada somos conduzidos à desesperança e a frustração. Se no caso o Dalai Lama pedir pedir aos tibetanos que parem com as manifestações , eles se sentiriam devastados, porque eles o respeitam acima de qualquer outra coisa e não querem contradizer os seus desejos expressos. Mas os tibetanos, e principalemente a nova geração, sente a necessidade de agir, e agir agora. Muitos tibetanos me disseram, "Como eu não posso simplesmente fazer nada enquando meus irmãos e irmãs estão no Tibet arriscando as suas próprias vidas pela nossa pátria? Nós temos uma responsabilidade para os apoiar, não só em pensamento, mas também em palavra e ação."

As demonstrações começaram no dia 10 de Março que é o 49º aniversário da insurreição falhada contra o chinês após o qual a Sua Santidade fugiu do Tibete para a Índia. É uma data que trás emoções dolorosas para os tibetanos. E eles sabem que o mundo está vendo a China na corrida até as Olimpíadas. Estes dois, o aniversário da rebelião e a chegada das Olimpíadas, proporcionaram às pessoas um catalisador. Por favor lembrem que o tibetanos não são hipócritas. Embora não se poderia esperar tal reação de povo nômade e comerciante, eles são politicamente astutos. Eles tiveram que sobreviver sob um regime comunista. E ainda, considerando que em outro lugar tal astúcia combinada ao egoísmo poderia ter conduzido à colaboração. Ao contrário em geral, os tibetanos resistiram à ideologia comunista chinesa e à sua propaganda. Eu atribuo isso à força de caráter e cultura desse povo. Embora quieto durante relativamente muito tempo, eles esperaram pacientemente o momento apropriado de agir. Esses são os fatos até onde se pode averiguar.

Quanto a minha opinião. Eu me senti devastada e com lágrimas nos olhos quando eu vi os primeiros relatórios na BBC. Enquanto os meus amigos (monges tibetanos) asseguraram que o que nós estamos vendo era bom. Apesar de ser um erro e queimar as lojas fosse algo que eles não devessem ter feito... eles fizeram, e os outros notarão... Eles estão frustrados pelo jeito em que a Comunidade Mundial até hoje não fez nada mais para garantir a paz e liberdade pessoal no Tibet. Eles querem a expressão do mundo e seu apoio. Os tibetanos acham (como eu também) que esta é uma hora crítica.

O Dalai Lama tem 73 anos. Com as Olimpíadas em Beijing, o mundo pode ter alguma influência sobre China. Pode ser um tipo de idealismo (eu não direi ingenuidade) esperar que, por uma vez, o mundo coloque suas preocupações humanitárias e éticas à frente do lado econômico. Se não agora, então quando? Eu não espero que a situação possa ser resolvida logo. Haverão incidentes relacionados às Olimpíadas. As Olimpíadas devem prosseguir, porque o mundo estará lá para testemunhar. Embora possa aparecer firme, O governo chinês, é frágil por essa razão que é obrigado a usar meios brutais e medo. Eles não têm nenhuma consideração pelos sentimentos e mentes das pessoas. O que aconteceu na Europa oriental é ligado ao que eventualmente pode acontecer na China. Ou seja, eu não estou predizendo a queda iminente do regime comunista chinês. Eu só pretendo insinuar que essa agitação é difundida e sentida profundamente. Não só no Tibet mas através de toda China. Vamos esperar que estas manifestações tragam frutos positivos, sejam para os tibetanos, para os chineses e para o mundo. Eu peço a vocês que leiam, assistam ou escutem o que a Sua Santidade o Dalai Lama diz. Ele é prático, sábio e acima de tudo compassivo. Ele não é nenhum estadista ordinário e a resposta dele seguramente será um testamento da originalidade do seu pensamento.

Beatriz Bispo – Dharamsala, India



Fonte: Blog Grupo de Apoio ao Tibete (Portugal)



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sábado, 15 de março de 2008

O Dalai Lama: "A China abandone a violência e instaure o diálogo com a população tibetana"


Em solidariedade às tibetanas e os tibetanos que estão sofrendo a violenta repressão desencadeada pela polícia chinesa contra os manifestantes que desceram nas ruas de Lhasa e de diversas regiões do país nos últimos dias, às monjas e monges que começaram os protestos, alguns dos quais imolaram suas vidas, e a toda a população tibetana na pátria mãe e no exílio, mas também com compaixão para os chineses supostamente mortos durantes as rebeliões, para o regime de Pequim cuja falta de compreensão e cujo sofrimento o levam a cumprir as maciças violações dos direitos humanos das quais é protagonista e, finalmente, para todo o povo chinês, reafirmando o nosso firme compromisso com a não-violência e o diálogo como forma de resolução de todas as controvérsias e construção de uma convivência harmoniosa e pacífica entre os povos, retransmitimos (na tradução em espanhol) o discurso que S. S. o Dalai Lama pronunciou em Dharamsala (Índia) no passado 10 de março, aniversário da insurreção popular do Tibete contra a invasão chinesa de 1959.


Con ocasión del 49º aniversario del levantamiento pacífico del pueblo tibetano en Lhasa el 10 de marzo de 1959, ofrezco mis plegarias y doy tributo a aquellos valientes hombres y mujeres de Tíbet que padecieron dificultades indecibles y sacrificaron sus vidas por la causa del pueblo tibetano, y expreso mi solidaridad con aquellos tibetanos que actualmente padecen represión y maltrato. Extiendo, además, mis saludos a los tibetanos dentro y fuera de Tíbet, los partidarios de la causa tibetana y a todos aquellos que valoran la justicia.


Por casi seis décadas, los tibetanos en todo Tíbet, conocido como Cholkha Sum (U-Tsang, Kham y Amdo) han debido vivir en un estado de constante temor, intimidación y sospecha bajo la represión china. Sin embargo, además de mantener su fe religiosa, un sentido de nacionalismo y su cultura única, el pueblo tibetano ha sido capaz de mantener viva su aspiración básica a la libertad. Siento gran admiración por las características especiales del pueblo tibetano y su coraje indomable. Me siento extremadamente satisfecho y orgulloso de ellos.


Muchos gobiernos, organizaciones no gubernamentales y particulares en el mundo, dado su interés por la paz y la justicia, han apoyado permanentemente la causa de Tíbet. En particular, durante el año pasado, los gobiernos y pueblos de muchos países tuvieron gestos importantes que expresaron claramente su apoyo a nosotros. Quisiera expresar mi gratitud a cada uno de ellos.


El problema de Tíbet es muy complicado. Se relaciona intrínsicamente con muchos aspectos: la política, la naturaleza de la sociedad, la ley, los derechos humanos, la religión, la cultura, la identidad de un pueblo, la economía y el estado del medio ambiente natural. Por consiguiente, se ha de adoptar un enfoque amplio para resolver este problema, que considere los beneficios de todas las partes involucradas y no de una sola parte. Por lo tanto, nos hemos mantenido firmes en nuestro compromiso hacia una política mutuamente beneficiosa, el enfoque de la Vía del Medio, y nos hemos esforzado sincera y persistentemente hacia el logro de ésta por muchos años. Desde el año 2002, mis enviados han sostenido seis rondas de conversaciones con oficiales de la República Popular de China para discutir temas relevantes. Estas extensas conversaciones han ayudado a despejar algunas de sus dudas y nos han permitido explicarles nuestras aspiraciones. No obstante, no ha habido resultado concreto alguno sobre el tema fundamental. Y durante los últimos años, Tíbet ha presenciado mayor represión y brutalidad. A pesar de estos sucesos desafortunados, mi posición y determinación a aspirar a la política de la Vía del Medio y continuar nuestro diálogo con el gobierno chino se mantienen inalteradas.


Una de las principales preocupaciones de la República Popular de China es su falta de legitimidad en Tíbet. La mejor manera de otorgar peso a su posición es que el gobierno chino mantenga una política que satisfaga al pueblo tibetano y gane su confianza. Si somos capaces de lograr una reconciliación forjando un camino de consentimiento mutuo, entonces, como he dicho muchas veces, pondré todo mi esfuerzo para lograr el apoyo del pueblo tibetano.


En Tíbet hoy, por causa de las numerosas acciones del gobierno chino, carentes de visión, el medio ambiente natural se ha visto dañado severamente. Y, como resultado de su política de transferencia de población, la población no tibetana ha aumentado muchísimo, reduciendo a los tibetanos nativos a una minoría insignificante en su propia tierra. Además, el idioma, costumbres y tradiciones de Tíbet, las que reflejan la verdadera naturaleza e identidad del pueblo tibetano están desapareciendo gradualmente. Como consecuencia, los tibetanos están siendo cada vez más asimilados en una población china mayor. En Tíbet la represión continua aumentando mediante numerosas, inimaginables y enormes violaciones a los derechos humanos, la negación de la libertad religiosa y el hecho de politizar los temas religiosos. Todo esto acontece como resultado de la falta de respeto del gobierno chino hacia el pueblo tibetano. Estos son obstáculos importantes que el gobierno de China pone deliberadamente en el camino de su política de unificación de las nacionalidades, discriminando entre los pueblos de Tíbet y China. Por lo tanto, insto al gobierno chino a poner fin de inmediato a dichas políticas.


Aunque las áreas habitadas por el pueblo tibetano son referidas con distintos nombres como región autónoma, prefecturas autónomas y condados autónomos, éstas son autónomas sólo en nombre; en realidad, no cuentan con una autonomía verdadera. En cambio, son gobernadas por personas que no consideran la situación regional y son impulsadas por lo que Mao Zedong llamaba "Chovinismo Han". Como consecuencia, esta así llamada autonomía no ha brindado a las nacionalidades ningún beneficio tangible. Políticas falsas que no están de acuerdo con la realidad están causando un daño enorme no sólo a las nacionalidades respectivas, sino también a la unidad y estabilidad de la nación china. Resulta importante para el gobierno chino como aconsejó Deng Xiaoping, "buscar la verdad a partir de los hechos" en el verdadero sentido de la expresión.


El gobierno chino me critica severamente cuando presento interrogantes sobre el bienestar del pueblo tibetano ante la comunidad internacional. Hasta que alcancemos una solución mutuamente beneficiosa, tengo la responsabilidad histórica y moral de continuar hablando libremente en su nombre. Sin embargo, es de conocimiento común que he estado en semirretiro, ya que el liderazgo político de la diáspora tibetana fue elegido directamente por la población tibetana común.


China está emergiendo como un país poderoso debido a su gran progreso económico. Esto es algo digno de regocijo, pero también ha ofrecido a China una oportunidad para jugar un papel importante en el escenario global. El mundo está esperando ansioso ver cómo el actual liderazgo chino hará efectivos los conceptos que ha admitido de "sociedad en armonía" y "surgimiento pacífico". Para lograr estos conceptos, el progreso económico solo no será suficiente. Deben haber mejorías en la observancia de la ley, transparencia y derecho de información, como también en la libertad de palabra. Ya que China es un país de muchas nacionalidades, a todas se les ha de brindar igualdad y libertad para proteger sus identidades respectivas únicas, si el país ha de mantenerse estable.


El 6 de marzo de 2008, el presidente Hu Jintao declaró: "La estabilidad en Tíbet atañe a la estabilidad del país, y la seguridad en Tíbet atañe a la seguridad del país". Él añadió que el liderazgo chino debe asegurar el bienestar de los tibetanos, mejorar el trabajo en relación a los grupos religiosos y étnicos, y mantener la armonía y estabilidad sociales. La declaración del presidente Hu se ajusta a la realidad y estamos en espera de su implementación.


Este año, el pueblo chino espera orgullosa y ansiosamente la apertura de los Juegos Olímpicos. Desde un comienzo, yo he apoyado la idea de que China tenga la oportunidad de ser el país anfitrión de los Juegos Olímpicos. Ya que dichos eventos deportivos internacionales, especialmente las Olimpíadas, sostienen los principios de libertad de palabra, libertad de expresión, igualdad y amistad, China ha de probar ser un buen anfitrión proporcionando estas libertades. Por lo tanto, la comunidad internacional además de enviar a sus atletas, debe recordar al gobierno chino estos temas. Me he enterado que muchos parlamentarios, particulares y organizaciones no gubernamentales en el mundo están realizando una serie de actividades ante la oportunidad que existe para que China realice un cambio positivo. Admiro la sinceridad de ellos. Quisiera decir enfáticamente que será muy importante observar el período tras la conclusión de los Juegos. Los Juegos Olímpicos sin duda impactarán enormemente las mentes del pueblo chino. Por ende, el mundo debe explorar formas de invertir su energía colectiva para producir un cambio positivo continuo dentro de China, incluso después que las Olimpíadas hayan finalizado.


Quisiera aprovechar esta oportunidad para expresar mi orgullo y aprecio por la sinceridad, coraje y determinación del pueblo tibetano dentro de Tíbet; le insto a continuar trabajando de manera pacífica y dentro del marco de la ley para asegurar que todas las nacionalidades minoritarias de la República Popular de China, incluyendo el pueblo tibetano, disfruten de sus derechos y beneficios legítimos.


Además, quisiera agradecer en esta ocasión al gobierno y pueblo de India en particular, por su apoyo permanente y sin igual a los refugiados tibetanos y la causa de Tíbet, como también expresar mi gratitud a todos aquellos gobiernos y pueblos que han mantenido su preocupación por la causa de Tíbet.


Con oraciones por el bienestar de todos los seres sintientes,


El Dalai Lama


10 de marzo de 2008


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quinta-feira, 13 de março de 2008

A Paz Começa Aqui - Terceira Parte


Palestinos e israelenses escutando-se uns aos outros


Por
Thich Nhât Hanh*

Nós temos nosso próprio território de paz dentro de nós, que é composto de cinco reinos - nosso corpo, nossos sentimentos, nossas percepções, formações mentais e consciência. Temos que trazer paz ao nosso corpo e remover seus conflitos, tensão e dor. Existem também muitas tempestades, aflições e dor no reino de nossas emoções. Temos que aprender a trazer a paz para esse território de sentimentos e emoções.

Quando eu olho para a minha caneta, eu tenho uma percepção dela. Se minha percepção corresponde fa realidade da caneta ou não é uma questão real - por que vivemos com muitas percepções errôneas. Acreditamos que somos os únicos a sofrer, que os outros estão nos fazendo sofrer e que eles não sofrem de jeito nenhum. Este é um tipo de percepção errônea. Se acharmos tempo para inspirar e expirar e encontrar a paz em nós mesmos, poderemos ver que as outras pessoas também sofrem enormemente, assim como nós, e precisam ser ajudadas, não punidas. Por isso a paz não poderá ser possível sem a remoção dos elementos de percepção. Quando nossas percepções nascem da raiva e do medo, elas não podem ser chamadas de percepções corretas. Por sua vez, nossas percepções erradas dão origem ao medo, à raiva e ao desespero, que podem nos levar a cometer atos de violência, punição e morte. Por causa disso, é muito importante praticar a meditação sentada e andando, para podermos trazer paz aao reino das nossas percepções e remover os elementos errôneos.

Continua... (Para ler o texto na íntegra, clique aqui)

* Trecho do livro Peace Begins Here: Palestinians and Israelis Listening to Each Other, publicado pela Parallax Press.


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