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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Vídeo do protesto do Tibete Livre - Brasil no Rio de Janeiro, em 14/04/2010

No último dia 14 de abril, por ocasião da visita do presidente chinês Hu Jintao ao Brasil, o Movimento Tibete Livre - Brasil (representando a ONG inglesa Free Tibet Campaign) realizou um protesto pacífico em frente ao Consulado Geral da China, no bairro de Botafogo, cidade do Rio de Janeiro. O protesto foi encabeçado pelo Coordenador Geral do movimento, o músico e jornalista Paulo Stekel.

O objetivo do protesto foi mostrar ao governo chinês o descontentamento do Brasil com a privação de liberdade no Tibete ocupado e o descaso com os direitos humanos naquela região e em toda a China.

Concomitantemente, em Brasília, nossa coordenadoria para o DF, através do coordenador distrital, Prof. Marcelo Walsh, dezenas de cartas foram protocoladas às autoridades brasileiras: Presidente Lula, Ministros, STF, Deputados, etc. [ver postagem no blogue do movimento com o conteúdo das cartas.]

Apesar da presença de poucos manifestantes, o consulado pareceu incomodar-se, pois a polícia foi chamada e ficou até o final. Afinal, a Associated Press estava lá! De nossa parte, apenas pedimos pela liberdade do Tibete e cantamos o mantra "Om mani peme hung" (pronúncia tibetana do mantra em sânscrito "om mani padme hum"), que é o mantra de Chenrezig, o patrono do Tibete.

Assista o vídeo:


http://www.youtube.com/watch?v=QPS7tRX7IVg

Abaixo, algumas fotos:







Maiores informações sobre o Movimento Tibete Livre - Brasil no blogue oficial: http://tibetelivrebrasil.blogspot.com

Email: tibetelivrebrasil@gmail.com

terça-feira, 13 de abril de 2010

Cartas enviadas hoje pelo Tibete Livre - Brasil a autoridades em Brasília, incluindo o Presidente Lula. Confira!!!



Carta enviada pela Coordenadora para a América Latina da International Tibet Support Network (ITSN)


The Honorable Luiz Inácio Lula da Silva

President do The Federative Republic of Brazil

Dear Mr. President,

Greeting cordially to Your Excellency, we would inform that this letter comes to You on the eve of your meetings with China's President Hu Jintao. We are writing to you with our sincere hopes that these meetings may prove to be a landmark for the future of Tibet, whose people have lived under China's repressive rule for almost 60 years.

Specifically, we urge you to encourage a face to face meeting between His Holiness the Dalai Lama and China's President, Hu Jintao. After nine difficult rounds of talks between the Dalai Lama's envoys and China, a breakthrough is badly needed. A meeting between Hu Jintao and His Holiness is a necessary step if the mistrust that China appears to harbour for His Holiness is to be overcome and progress be made. Your stature and position as leader of one of the world's biggest democracies, where civil and political rights are cherished, gives us hope that Your Excellency will make this appeal to Hu Jintao, to help the people of Tibet.

This is a critical time for Tibet and peaceful protests against China's repressive rule continue to this day. In recent weeks, we hear reports that hundreds of children in a number of schools in Tibet have staged peaceful protests, calling "Free Tibet" and "Let His Holiness the Dalai Lama come back to Tibet." Despite all the suffering and loss in Tibet during the recent past, we hope that near future will bring many concrete changes to the situation inside Tibet so that Tibetans will be able to live in peace and freedom like the people of Brazil.

We appeal to you to encourage a meeting between the Dalai Lama and Hu Jintao, in order to bring about a just and lasting resolution for the Tibetan people.

Yours sincerely,
Dra. Exa Méndez

Coordinadora Regional para América Latina

Red Internacional de Apoyo al Tibet (ITSN)

Latin America Coordinator

International Tibet Support Network (ITSN)

Ciudad de México

T: 55 14 77 63

WEB: www.tibetnetwork.org


Tradução:


Exmo. Sr.

M.D. Presidente da República Federativa do Brasil

Sr. Luís Inácio Lula da Silva

Prezado Senhor Presidente,


Cumprimentando cordialmente à Vossa Excelência, gostaríamos de informar que esta carta vem-lhe na véspera do seu encontro com o presidente chinês Hu Jintao. Estamos escrevendo-lhe com nossas sinceras esperanças de que essas reuniões possam revelar-se um marco para o futuro do Tibete, cujo povo vive sob o repressivo regime da China há quase 60 anos.

Especificamente, nós lhe pedimos promover um encontro cara a cara entre Sua Santidade, o Dalai Lama, e o presidente da China, Hu Jintao. Depois de nove rodadas de negociações difíceis entre os enviados do Dalai Lama e a China, um grande avanço é extremamente necessário. Um encontro entre Hu Jintao e Sua Santidade é um passo necessário, para que a desconfiança de que a China parece porto de Sua Santidade seja superada e os progressos sejam feitos. Sua importância e posição de líder de uma das maiores democracias do mundo, onde os direitos civis e políticos são estimados, nos dá esperança de que Vossa Excelência dirigirá este apelo a Hu Jintao, para ajudar o povo do Tibete.

Este é um momento crítico para o Tibete e os protestos pacíficos contra o regime repressivo da China continuam neste dia. Nas últimas semanas, ouvimos relatos de que centenas de crianças de diversas escolas no Tibete fizeram protestos pacíficos, dizendo "Free Tibet!" (Tibete Livre!) e "Let His Holiness the Dalai Lama come back to Tibet!" (Deixem Sua Santidade, o Dalai Lama, voltar para o Tibete). Apesar de todo o sofrimento e perda no Tibete durante os últimos anos, esperamos que o futuro próximo venha a trazer muitas mudanças concretas para a situação no Tibete, para que os tibetanos sejam capazes de viver em paz e em liberdade como as pessoas do Brasil.

Fazemos um apelo para Vossa Excelência promover um encontro entre o Dalai Lama e Hu Jintao, a fim de alcançar uma resolução justa e duradoura para o povo tibetano.

Atenciosamente,
Dra. Exa Méndez

Coordenadora Regional para América Latina

Rede Internacional de Apoio ao Tibete (International Tibet Support Network - ITSN)

Cidade do México

Telefone: 55 14 77 63

Website: www.tibetnetwork.org


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Carta enviada pela Coordenação do Movimento Tibete Livre Brasil (TLB)


Exmo. Sr.

M.D. Presidente da República Federativa do Brasil

Sr. Luís Inácio Lula da Silva

Prezado Senhor Presidente,


Cumprimentando cordialmente a Vossa Excelência, gostaríamos de lhe informar que, em consonância com a carta enviada pela Coordenadora para a América Latina da International Tibet Support Network (ITSN), viemos ratificar todos os seus argumentos e complementar com algumas considerações e exortações que julgamos importantes para a promoção da democracia e do respeito aos Direitos Humanos no Tibete, na China e no mundo inteiro, considerando o exemplo que isso representa.

A situação dos Direitos Humanos no Tibete é realmente muito grave e insustentável. Todas as ONGs internacionais, incluindo a Tibetan Centre for Human Rights and Democracy – Centro Tibetano pelos Direitos Humanos e Democracia (TCHRD), a Anistia Internacional e a Repórteres Sem Fronteiras têm cotidianamente denunciado as práticas comuns de tortura, prisões arbitrárias, execuções sumárias, julgamentos sem o mínimo direito de defesa e a cruel e injustificada censura imposta naquela região.

Considerando sua crescente posição internacional e o legítimo reconhecimento de seus esforços pela paz, a ponto de ser chamado de "Profeta do Diálogo", reforçamos o pedido da Sra. Exa Méndez para que Vossa Excelência promova um encontro entre Sua Santidade o Dalai Lama e o Presidente da República Popular da China, Hu Jintao, com o objetivo de que se busque uma solução definitiva para a situação tibetana.

Todos conhecemos e temos orgulho do seu passado político em prol da democracia e dos direitos humanos no Brasil. Vemos como esta antiga luta se mantém atual em suas ações, no âmbito nacional e internacional. Por essa razão, consideramos importante sua liderança no que concerne à sugestão enfática da realização de um diálogo entre o Dalai Lama e o presidente chinês, por ocasião da visita deste ao Brasil.

Nós, do Movimento Tibete Livre – Brasil, que em nosso país representa a ONG inglesa “Free Tibet Campaign” (Londres), temos como causa principal a luta pelos Direitos Humanos no Tibete ocupado e o apoio à idéia do diálogo produtivo entre os representantes do Governo Tibetano no Exílio e as autoridades chinesas.

Entendemos plenamente a necessidade das parcerias político-econômico-comerciais entre Brasil e China, e é exatamente por causa delas que vemos como primordial para uma perenidade dos acordos que se têm assinado, uma clareza quanto à posição do Brasil nas fundamentais questões de Direitos Humanos, Liberdades Individuais e Coletivas, Preservação das Culturas, das Línguas e da Identidade Étnica, especificamente, no tocante ao Tibet.

Certos de que Vossa Excelência considerará as aspirações da Sra. Exa Méndez, representando a ITSN, as quais ratificamos nesta carta, despedimo-nos.


Atenciosamente,

Prof. Paulo Stekel

Coordenador Geral do Movimento Tibete Livre – Brasil

Representante da ONG Free Tibet Campaign (Londres)

tibetelivrebrasil@gmail.com

http://tibetelivrebrasil.blogspot.com

Membro Nacional da Rede Internacional de Apoio ao Tibete (International Tibet Support Network - ITSN)

Prof. Marcelo Vieira Walsh

Coordenador do Movimento Tibet Livre – Brasil para o Distrito Federal (DF)

Membro Local da Rede Internacional de Apoio ao Tibete (International Tibet Support Network - ITSN)

tibetelivrebrasil@gmail.com

http://tibetelivrebrasil.blogspot.com

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Carta enviada pela Coordenação do Movimento Tibete Livre Brasil (TLB)


Exmo. Sr.

M.D. Ministro de Estado das Relações Exteriores do Brasil

Dr. Celso Amorim
Prezado Senhor Chanceler,


Cumprimentando cordialmente a Vossa Excelência, gostaríamos de lhe informar que, em consonância com a carta enviada pela Coordenadora para a América Latina da International Tibet Support Network (ITSN), viemos ratificar todos os seus argumentos e complementar com algumas considerações e exortações que julgamos importantes para a promoção da democracia e do respeito aos Direitos Humanos no Tibete, na China e no mundo inteiro, considerando o exemplo que isso representa.

A situação dos Direitos Humanos no Tibete é realmente muito grave e insustentável. Todas as ONGs internacionais, incluindo a Tibetan Centre for Human Rights and Democracy – Centro Tibetano pelos Direitos Humanos e Democracia (TCHRD), a Anistia Internacional e a Repórteres Sem Fronteiras têm cotidianamente denunciado as práticas comuns de tortura, prisões arbitrárias, execuções sumárias, julgamentos sem o mínimo direito de defesa e a cruel e injustificada censura imposta naquela região.

Considerando a crescente posição internacional do Brasil e o legítimo reconhecimento dos esforços do Presidente Luís Inácio Lula da Silva em prol da Paz Mundial, a ponto de ser chamado de "Profeta do Diálogo", reforçamos o pedido da Sra. Exa Méndez para que Sua Excelência o Presidente da República do Brasil promova um encontro entre Sua Santidade o Dalai Lama e o Presidente da República Popular da China, Hu Jintao, com o objetivo de que se busque uma solução definitiva para a situação tibetana.

Todos conhecemos e temos orgulho do passado político do Presidente Luís Inácio Lula da Silva em prol da democracia e dos direitos humanos no Brasil. Vemos como esta antiga luta se mantém atual em suas ações, no âmbito nacional e internacional. Por essa razão, consideramos importante sua liderança no que concerne à sugestão enfática da realização de um diálogo entre o Dalai Lama e o presidente chinês, por ocasião da visita deste ao Brasil.

Nós, do Movimento Tibete Livre – Brasil, que em nosso país representa a ONG inglesa “Free Tibet Campaign” (Londres), temos como causa principal a luta pelos Direitos Humanos no Tibete ocupado e o apoio à idéia do diálogo produtivo entre os representantes do Governo Tibetano no Exílio e as autoridades chinesas.

Entendemos plenamente a necessidade das parcerias político-econômico-comerciais entre Brasil e China, e é exatamente por causa delas que vemos como primordial para uma perenidade dos acordos que se têm assinado, uma clareza quanto à posição do Brasil nas fundamentais questões de Direitos Humanos, Liberdades Individuais e Coletivas, Preservação das Culturas, das Línguas e da Identidade Étnica, especificamente, no tocante ao Tibet.

Certos de que Vossa Excelência considerará as aspirações da Sra. Exa Méndez, representando a ITSN, as quais ratificamos nesta carta, despedimo-nos.


Atenciosamente,

Prof. Paulo Stekel

Coordenador Geral do Movimento Tibete Livre – Brasil

Representante da ONG Free Tibet Campaign (Londres)

tibetelivrebrasil@gmail.com

http://tibetelivrebrasil.blogspot.com

Membro Nacional da Rede Internacional de Apoio ao Tibete (International Tibet Support Network - ITSN)

Prof. Marcelo Vieira Walsh

Coordenador do Movimento Tibet Livre – Brasil para o Distrito Federal (DF)

Membro Local da Rede Internacional de Apoio ao Tibete (International Tibet Support Network - ITSN)

tibetelivrebrasil@gmail.com

http://tibetelivrebrasil.blogspot.com

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Carta enviada pela Coordenação do Movimento Tibete Livre Brasil (TLB)


Exmo. Sr.

M.D. Presidente do Congresso Nacional e do Senado Federal

Dr. José Sarney

Prezado Senhor,

Cumprimentando cordialmente a Vossa Excelência, gostaríamos de lhe informar que, em consonância com a carta enviada pela Coordenadora para a América Latina da International Tibet Support Network (ITSN), viemos ratificar todos os seus argumentos e complementar com algumas considerações e exortações que julgamos importantes para a promoção da democracia e do respeito aos Direitos Humanos no Tibete, na China e no mundo inteiro, considerando o exemplo que isso representa.

A situação dos Direitos Humanos no Tibete é realmente muito grave e insustentável. Todas as ONGs internacionais, incluindo a Tibetan Centre for Human Rights and Democracy – Centro Tibetano pelos Direitos Humanos e Democracia (TCHRD), a Anistia Internacional e a Repórteres Sem Fronteiras têm cotidianamente denunciado as práticas comuns de tortura, prisões arbitrárias, execuções sumárias, julgamentos sem o mínimo direito de defesa e a cruel e injustificada censura imposta naquela região.

Considerando a crescente posição internacional do Brasil e o legítimo reconhecimento dos esforços do Presidente Luís Inácio Lula da Silva em prol da Paz Mundial, a ponto de ser chamado de "Profeta do Diálogo", reforçamos o pedido da Sra. Exa Méndez para que Sua Excelência o Presidente da República do Brasil promova um encontro entre Sua Santidade o Dalai Lama e o Presidente da República Popular da China, Hu Jintao, com o objetivo de que se busque uma solução definitiva para a situação tibetana.

Todos conhecemos e temos orgulho do passado político do Presidente Luís Inácio Lula da Silva em prol da democracia e dos direitos humanos no Brasil. Vemos como esta antiga luta se mantém atual em suas ações, no âmbito nacional e internacional. Por essa razão, consideramos importante sua liderança no que concerne à sugestão enfática da realização de um diálogo entre o Dalai Lama e o presidente chinês, por ocasião da visita deste ao Brasil.

Nós, do Movimento Tibete Livre – Brasil, que em nosso país representa a ONG inglesa “Free Tibet Campaign” (Londres), temos como causa principal a luta pelos Direitos Humanos no Tibete ocupado e o apoio à idéia do diálogo produtivo entre os representantes do Governo Tibetano no Exílio e as autoridades chinesas.

Entendemos plenamente a necessidade das parcerias político-econômico-comerciais entre Brasil e China, e é exatamente por causa delas que vemos como primordial para uma perenidade dos acordos que se têm assinado, uma clareza quanto à posição do Brasil nas fundamentais questões de Direitos Humanos, Liberdades Individuais e Coletivas, Preservação das Culturas, das Línguas e da Identidade Étnica, especificamente, no tocante ao Tibet.

Certos de que Vossa Excelência considerará as aspirações da Sra. Exa Méndez, representando a ITSN, as quais ratificamos nesta carta, despedimo-nos.


Atenciosamente,
Prof. Paulo Stekel

Coordenador Geral do Movimento Tibete Livre – Brasil

Representante da ONG Free Tibet Campaign (Londres)

tibetelivrebrasil@gmail.com

http://tibetelivrebrasil.blogspot.com

Membro Nacional da Rede Internacional de Apoio ao Tibete (International Tibet Support Network - ITSN)

Prof. Marcelo Vieira Walsh

Coordenador do Movimento Tibet Livre – Brasil para o Distrito Federal (DF)

Membro Local da Rede Internacional de Apoio ao Tibete (International Tibet Support Network - ITSN)

tibetelivrebrasil@gmail.com

http://tibetelivrebrasil.blogspot.com

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Carta enviada pela Coordenação do Movimento Tibete Livre Brasil (TLB)


Exmo. Sr.

M.D. Presidente da Câmara dos Deputados Federais

Dr. Michel Temer

Prezado Senhor,

Cumprimentando cordialmente a Vossa Excelência, gostaríamos de lhe informar que, em consonância com a carta enviada pela Coordenadora para a América Latina da International Tibet Support Network (ITSN), viemos ratificar todos os seus argumentos e complementar com algumas considerações e exortações que julgamos importantes para a promoção da democracia e do respeito aos Direitos Humanos no Tibete, na China e no mundo inteiro, considerando o exemplo que isso representa.

A situação dos Direitos Humanos no Tibete é realmente muito grave e insustentável. Todas as ONGs internacionais, incluindo a Tibetan Centre for Human Rights and Democracy – Centro Tibetano pelos Direitos Humanos e Democracia (TCHRD), a Anistia Internacional e a Repórteres Sem Fronteiras têm cotidianamente denunciado as práticas comuns de tortura, prisões arbitrárias, execuções sumárias, julgamentos sem o mínimo direito de defesa e a cruel e injustificada censura imposta naquela região.

Considerando a crescente posição internacional do Brasil e o legítimo reconhecimento dos esforços do Presidente Luís Inácio Lula da Silva em prol da Paz Mundial, a ponto de ser chamado de "Profeta do Diálogo", reforçamos o pedido da Sra. Exa Méndez para que Sua Excelência o Presidente da República do Brasil promova um encontro entre Sua Santidade o Dalai Lama e o Presidente da República Popular da China, Hu Jintao, com o objetivo de que se busque uma solução definitiva para a situação tibetana.

Todos conhecemos e temos orgulho do passado político do Presidente Luís Inácio Lula da Silva em prol da democracia e dos direitos humanos no Brasil. Vemos como esta antiga luta se mantém atual em suas ações, no âmbito nacional e internacional. Por essa razão, consideramos importante sua liderança no que concerne à sugestão enfática da realização de um diálogo entre o Dalai Lama e o presidente chinês, por ocasião da visita deste ao Brasil.

Nós, do Movimento Tibete Livre – Brasil, que em nosso país representa a ONG inglesa “Free Tibet Campaign” (Londres), temos como causa principal a luta pelos Direitos Humanos no Tibete ocupado e o apoio à idéia do diálogo produtivo entre os representantes do Governo Tibetano no Exílio e as autoridades chinesas.

Entendemos plenamente a necessidade das parcerias político-econômico-comerciais entre Brasil e China, e é exatamente por causa delas que vemos como primordial para uma perenidade dos acordos que se têm assinado, uma clareza quanto à posição do Brasil nas fundamentais questões de Direitos Humanos, Liberdades Individuais e Coletivas, Preservação das Culturas, das Línguas e da Identidade Étnica, especificamente, no tocante ao Tibet.

Certos de que Vossa Excelência considerará as aspirações da Sra. Exa Méndez, representando a ITSN, as quais ratificamos nesta carta, despedimo-nos.


Atenciosamente,
Prof. Paulo Stekel

Coordenador Geral do Movimento Tibete Livre – Brasil

Representante da ONG Free Tibet Campaign (Londres)

tibetelivrebrasil@gmail.com

http://tibetelivrebrasil.blogspot.com

Membro Nacional da Rede Internacional de Apoio ao Tibete (International Tibet Support Network - ITSN)

Prof. Marcelo Vieira Walsh

Coordenador do Movimento Tibet Livre – Brasil para o Distrito Federal (DF)

Membro Local da Rede Internacional de Apoio ao Tibete (International Tibet Support Network - ITSN)

tibetelivrebrasil@gmail.com

http://tibetelivrebrasil.blogspot.com

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Carta enviada pela Coordenação do Movimento Tibete Livre Brasil (TLB)


Exmo. Sr.

M.D. Presidente do Supremo Tribunal Federal

Dr. Gilmar Mendes

Prezado Senhor,

Cumprimentando cordialmente a Vossa Excelência, gostaríamos de lhe informar que, em consonância com a carta enviada pela Coordenadora para a América Latina da International Tibet Support Network (ITSN), viemos ratificar todos os seus argumentos e complementar com algumas considerações e exortações que julgamos importantes para a promoção da democracia e do respeito aos Direitos Humanos no Tibete, na China e no mundo inteiro, considerando o exemplo que isso representa.

A situação dos Direitos Humanos no Tibete é realmente muito grave e insustentável. Todas as ONGs internacionais, incluindo a Tibetan Centre for Human Rights and Democracy – Centro Tibetano pelos Direitos Humanos e Democracia (TCHRD), a Anistia Internacional e a Repórteres Sem Fronteiras têm cotidianamente denunciado as práticas comuns de tortura, prisões arbitrárias, execuções sumárias, julgamentos sem o mínimo direito de defesa e a cruel e injustificada censura imposta naquela região.

Considerando a crescente posição internacional do Brasil e o legítimo reconhecimento dos esforços do Presidente Luís Inácio Lula da Silva em prol da Paz Mundial, a ponto de ser chamado de "Profeta do Diálogo", reforçamos o pedido da Sra. Exa Méndez para que Sua Excelência o Presidente da República do Brasil promova um encontro entre Sua Santidade o Dalai Lama e o Presidente da República Popular da China, Hu Jintao, com o objetivo de que se busque uma solução definitiva para a situação tibetana.

Todos conhecemos e temos orgulho do passado político do Presidente Luís Inácio Lula da Silva em prol da democracia e dos direitos humanos no Brasil. Vemos como esta antiga luta se mantém atual em suas ações, no âmbito nacional e internacional. Por essa razão, consideramos importante sua liderança no que concerne à sugestão enfática da realização de um diálogo entre o Dalai Lama e o presidente chinês, por ocasião da visita deste ao Brasil.

Nós, do Movimento Tibete Livre – Brasil, que em nosso país representa a ONG inglesa “Free Tibet Campaign” (Londres), temos como causa principal a luta pelos Direitos Humanos no Tibete ocupado e o apoio à idéia do diálogo produtivo entre os representantes do Governo Tibetano no Exílio e as autoridades chinesas.

Entendemos plenamente a necessidade das parcerias político-econômico-comerciais entre Brasil e China, e é exatamente por causa delas que vemos como primordial para uma perenidade dos acordos que se têm assinado, uma clareza quanto à posição do Brasil nas fundamentais questões de Direitos Humanos, Liberdades Individuais e Coletivas, Preservação das Culturas, das Línguas e da Identidade Étnica, especificamente, no tocante ao Tibet.

Certos de que Vossa Excelência considerará as aspirações da Sra. Exa Méndez, representando a ITSN, as quais ratificamos nesta carta, despedimo-nos.


Atenciosamente,
Prof. Paulo Stekel

Coordenador Geral do Movimento Tibete Livre – Brasil

Representante da ONG Free Tibet Campaign (Londres)

tibetelivrebrasil@gmail.com

http://tibetelivrebrasil.blogspot.com

Membro Nacional da Rede Internacional de Apoio ao Tibete (International Tibet Support Network - ITSN)

Prof. Marcelo Vieira Walsh

Coordenador do Movimento Tibet Livre – Brasil para o Distrito Federal (DF)

Membro Local da Rede Internacional de Apoio ao Tibete (International Tibet Support Network - ITSN)

tibetelivrebrasil@gmail.com

http://tibetelivrebrasil.blogspot.com

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Tibete Livre - Brasil envia email oficial a Google Brasil sobre protesto no Rio de Janeiro





Enviamos no dia de hoje um email à empresa Google Brasil (representante em nosso país da internacional Google) solicitando informações sobre o posicionamento da empresa quanto ao governo chinês, que impôs uma brutal censura à Internet e às atividades da empresa Google naquele país recentemente. Tal atitude é uma entre as muitas típicas da política repressiva chinesa não só quanto ao Tibete ocupado, mas quanto ao próprio povo chinês.

O email foi enviado ao Sr. Felix Ximenes, Diretor de Comunicação da Google Brasil. Aguardamos, a partir de agora, uma resposta oficial, e a publicaremos aqui assim que (e se) nos for enviada.

Fraternalmente,

Paulo Stekel
(Coordenador Geral - Mov. Tibete Livre - Brasil)




Abaixo, a mensagem enviada:


---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Tibete Livre Brasil
Data: 7 de abril de 2010 19:54
Assunto: Protesto contra a visita de Hu Jintao ao Brasil no Rio de Janeiro
Para: cfximenes@google.com
Cc: contato@agenciaideal.com.br


Prezado sr. Felix Ximenes,

Sabendo da situação atual da empresa Google na China continental, informamos de nossa atividade de protesto em frente ao Consulado da China, na cidade do Rio de Janeiro, no próximo dia 14 de abril, por ocasião da visita oficial a nosso país do Presidente da China, Hu Jintao.

Estamos enviando ao sr. esta mensagem por sugestão de vários ativistas e cidadãos brasileiros indignados com o tratamento do governo chinês ao Tibete, ao povo chinês, à Internet e à Google, impondo uma censura inadmissível à Internet naquele país e ainda querendo a cumplicidade de uma empresa séria como a Google.

Nosso protesto tratará da censura na China como um todo, incluindo a Internet. Muitos cidadãos brasileiros externaram a sensação de que a empresa Google, se ainda não se tornou uma empresa "Free Tibet friendly", pelo menos quer deixar claro que a liberdade naquela região é imprescindível para o futuro da liberdade no mundo todo.

Representando o Movimento Tibete Livre - Brasil (braço brasileiro da ONG inglesa "Free Tibet Campaign", Londres), gostaríamos de saber a posição da empresa Google quanto à situação atual de censura na China e no Tibete ocupado.

Agregamos a isto uma aspiração que, ainda que possa parecer utópica, é muito desejada por milhares de ativistas dos direitos humanos que também são fãs de todos os produtos e serviços Google: um apoio a nosso protesto, cujos objetivos estão esclarecidos na mensagem-padrão abaixo que está sendo repassada para todo o Brasil e, em inglês, para todo o mundo.

Certo de recebermos uma pronta resposta corporativa atenciosa e enaltecedora da liberdade, despedimo-nos.

Paulo Stekel
(Coordenador Geral do Movimento Tibete Livre - Brasil)

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Movimento Tibete Livre – Brasil
representando no Brasil a ONG inglesa Free Tibet Campaign

http://tibetelivrebrasil.blogspot.com

convida todos os defensores dos direitos humanos para o
Protesto contra a visita de Hu Jintao ao Brasil

Dia 14 de abril, das 16h às 18h, em frente ao
Consulado Geral da China na cidade do Rio de Janeiro

Com a presença de Paulo Stekel, o Coordenador Geral do Movimento Tibete Livre – Brasil, que no Brasil representa a ONG inglesa Free Tibet Campaign

O protesto pacífico ocorrerá em frente ao:
Consulado Geral da China‎
Rua Muniz Barreto, 715 – Botafogo - Rio de Janeiro - RJ, Brasil


Recomendações: O protesto será PACÍFICO. A coordenação geral pede que todos levem velas para serem acesas durante o protesto. A coordenação ainda pede que todos que puderem levem a Constituição da República Federativa do Brasil, para que seja lido em voz alta o Capítulo I, intitulado “Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos”, para que o governo chinês saiba que em nosso país não somos uma ditadura, mas sim um país governado por homens livres e sob os olhos atentos de seu próprio povo! Os budistas que participarem do protesto podem ir paramentados com suas roupas cerimonias (zen, tchuba, etc.), bandeiras do Brasil e do Tibete, banners e cartazes pedindo a libertação do Tibete e o respeito aos direitos humanos naquele país invadido.


A principal frase de ordem do protesto será: “Hu Jintao, Tibet will be free after the fall of the Chinese dictatorship!”; “Hu Jintao, o Tibete será livre após a queda da Ditadura chinesa!” Além da frase de ordem, dita em português e inglês, os budistas que participarem do evento poderão entoar mantras tibetanos, como o mantra principal do Tibete Livre, “om mani peme hung”, o mantra de Avalokiteshvara (Chenrezig), patrono do Tibete.

Em caso de interferência policial: A coordenação pede que todos se mantenham CALMOS, PACÍFICOS, ORDEIROS, CORTESES e invoquem seus direitos constitucionais à liberdade de expressão. Advogados simpatizantes da causa tibetana serão bem-vindos neste caso, para garantir que todos os direitos individuais e coletivos sejam garantidos. Pedimos que os advogados que estiverem presentes confirmem-nos por email antecipadamente, para que utilizemos de seus serviços, em caso de necessidade.

Considerações sobre a visita de Hu Jin Tao ao Brasil

No mês de abril, o presidente da China, Hu Jintao, realizará uma série de viagens oficiais por quatro países da América: Estados Unidos, Brasil, Venezuela e Chile.

Nos dias 14 e 15, Hu Jintao desembarcará em Brasília e se encontrará com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participando da reunião dos países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China).

A estadia de Hu Jintao nesses países, incluindo o Brasil, marca a reaproximação diplomática com os EUA, após semanas de desentendimentos institucionais (Taiwan, Dalai Lama e desvalorização do iuan) e também o aumento dos investimentos de uma das maiores economias do mundo na América Latina. Em 2008, a região recebeu US$ 50 bilhões de aplicação econômica da China.

Contudo, a China é hoje o país que mais executa seres humanos no mundo, o que, na grande maioria dos casos, ocorre sem que os acusados tenham o mínimo direito de defesa consignado nas cartas constituicionais de quaisquer repúblicas do mundo, incluindo os países membros da ONU, organização à qual a China pertence.

A China invadiu o Tibete na década de 1950 e, desde então, submete o povo tibetano a um regime ditatorial muito cruel, com a privação das liberdades individuais, coletivas, culturais, religiosas e linguísticas, algo inadmissível em pleno século XXI.

Igualmente inadmissível é o Governo Lula apoiar uma ditadura cruel como a chinesa por causa de interesses econômicos e políticos, quando a China hoje é a principal responsável pela diminuição das exportações de produtos brasileiros, produtos genuinamente verde-amarelos, por conta da desleal concorrência dos produtos chineses, feitos na base do trabalho escravo e a salários inferiores a CEM DÓLARES, algo que no Brasil, em outros tempos, seria motivo para Guerra Civil!

Propósitos do Protesto: Dar a conhecer a Hu Jintao e camarilha a indignação do povo brasileiro em relação à política adotada pelo governo chinês quanto à questão tibetana, ao status do Dalai Lama, ao sequestro do Panchen Lama e à condução dos direitos humanos no Tibete; dar a conhecer ao governo chinês que, às expensas do atual (mas não eterno!) governo brasileiro, ideologicamente ligado à China, o povo brasileiro não aceita DITADURAS nem a privação dos DIREITOS HUMANOS, principalmente quando patrocinados pelo Estado! O tempo de Hitler, Mussolini, Salazar, Mao Tsé-Tung, Idi Amin e Saddam já se foi! O tempo da ditadura chinesa está prestes a acabar! O próprio povo chinês não aguentará ser massacrado por tantas décadas!

IMPORTANTE: O protesto será mantido mesmo com tempo chuvoso, dificuldades técnicas, intimidação policial ou decisão judicial, pois a Constituição da República Federativa do Brasil está do nosso lado!

Sobre o Consulado Geral da República Popular da China - Rio de Janeiro - RJ
Endereço: R. Muniz Barreto, 715 - Botafogo
Local: Rio de Janeiro - RJ
Pais: Brasil / CEP: 22251-090
Telefone: (0xx21) 2551-4578 / Fax: (0xx21) 2551-5736
Email: chinaconsul_rj_br@mfa.gov.cn
Site: http://riodejaneiro.china-consulate.org (última atualização em 29/12/2009)
Expediente: de Segunda à Sexta-feira: das 9:00 às 12:00 hs - Jurisdição: RJ/MG/ES/BA

quarta-feira, 11 de março de 2009

Tibete, um ano depois

Rodrigo Araujo Corrêa
(Professor e Jornalista)



10 de março é um dia especial para os tibetanos: marca o levante, em 1959, contra o domínio chinês no Tibete, invadido em 1950. Ano passado, milhares de cidadãos foram novamente às ruas em diversas partes do país manifestar seu descontentamento com a situação. A resposta do governo foi dura - como seria também em outras datas ao longo do ano.

Não faz muito, a ONG Tibetan Centre for Human Rights and Democracy (TCHRD) apresentou seu mais recente relatório anual sobre violações aos direitos humanos no Tibete, referente a 2008. Entre o saldo reportado, temos: mais de uma centena de tibetanos mortos em diferentes manifestações; 6500 prisões, e 190 condenações por períodos que variam de três meses a prisão perpétua. Uma dezena de mortes ligadas à suposta tortura – a descrição dos casos choca. Mais de mil desaparecidos. O governo chinês, a respeito dos protestos, conforme revelou Zero Hora em 26 de fevereiro, ‘afirma que a ação dos revoltosos deixou 19 mortos (18 civis e um policial) e não fala de vítimas da repressão das autoridades’. Além disso, admite apenas a detenção e condenação de 80 pessoas.

É uma pena: o triste quadro – não importa o lado em que se acredite - poderia ter sido completamente evitado, nem mesmo existir, caso o governo da China deixasse os tibetanos tomarem conta de si mesmos, terem um governo autônomo, como no passado. Nenhum grito de dor teria sido ouvido, nenhum excesso teria sido cometido – e não falo apenas da polícia chinesa, alguns manifestantes tibetanos também ‘perderam a cabeça’. Nem mesmo talvez fosse significativo o número de pessoas que saem à rua relembrar o 10 de março. E, caso o Tibete não tivesse sido invadido, nem mesmo haveria de ser marcante tal data. Porém, a realidade é bem diferente e toca a muitos.

Neste ano, as mobilizações continuam, tanto no exterior – como mostrou ZH em 26 de fevereiro – quanto no próprio Tibete – como confirmam visitas ao site da TCHRD -, mesmo sob imprevisíveis consequências. Em 16 de fevereiro, por exemplo, quinze manifestantes foram presos após uma marcha pacífica de duas horas pela praça central da cidade de Lithang. O crime? Carregar um retrato do Dalai Lama e desejar em alto e bom tom a sua volta, além da independência tibetana. O Dalai, por sua vez, já afirmou que se contentaria com o retorno da autonomia. Mas as autoridades de Pequim não negociam a sério.

A ONU é bastante articulada para pressionar o Irã. E os clamores tibetanos, quando ouvirá?

domingo, 7 de setembro de 2008

Budismo no Brasil para o Século XXI - Reflexões e Metas, no Dharma

Flávio Marcondes Velloso



“A religião organizada mata o espírito,
sempre que o acomoda no que fazemos
e o inibe no que somos.”

(FMV, Escritos Esparsos, 2008,
http://fmarcondesvelloso.blogspot.com)

O presente artigo não tem a pretensão de ser uma sentença pronta e tampouco o receituário para a solução dos “problemas do mundo”. Nasceu de honroso convite com que nos distinguiu o Reverendo Genshô, diante de perguntas que formulamos no Colegiado Buddhista Brasileiro, na condição de “Membros Colaboradores”, em face da atenção de dois de seus insignes “Membros Fundadores”.

Difícil “mexer” com o status quo ante, mas o fazemos com espírito aberto e profundo respeito a cada ser humano. As diferenças de nossos corações e mentes nos fazem iguais em nossa condição de sermos homens. À frente, por certo, temos o Dharma em comum escopo, a partir de nós próprios. Eis o intento de nossa reflexão.

Para o que pretendemos propor, alguma segurança nos trazem nossas vidas passadas em berços do Hymalaia, nomeadamente as vividas enquanto monge e lama, para além de nossa formação acadêmica, vivência em continentes vários, prolongada moradia em capitais do chamado “primeiro mundo”, estudos regulares em Universidades, tais como as velhas Sorbonne e Coimbra, nos anos 80 e 90, obras publicadas, especialmente “Direito de Ingerência por Razões Humanitárias, em Regiões de Conflito”, “Tribunal Internacional de Justiça, Caminho para uma Nova Comunidade” etc. Filosofia e Economia em Londres. Magistério de Direito na Universidade Lusófona de Lisboa. Atualmente, escrevendo sobre “Iluminação Crística para o Milênio Terceiro”, esperando uma breve publicação. Encontrando-nos em nossa terra natal, Guaratinguetá, São Paulo, cidade do Presidente Conselheiro Rodrigues Alves e de Frei Galvão, o primeiro “santo” brasileiro.

Mas nada dessa identificação sobre nossa pessoa tem importância. Em mundos mais ditosos, como é sabido, nem de nomes precisamos. Comunicamo-nos em pensamento e nos conhecemos pelo que verdadeiramente somos, dispensando apresentações. Nossa luz simplesmente brilha mais ou brilha menos, conforme a pureza de nossos sentimos e ações. Neles, as palavras são pobres, como pobres são os títulos que conquistamos na Terra. Portanto, não há nenhum envaidecimento de nossa parte respeitante ao parágrafo anterior, pelo contrário! Temos plena lucidez de nossa insignificância. Entretanto, aí estão algumas linhas a nosso respeito, em razão de percebermos a necessidade, para alguns, desses breves esclarecimentos. Infelizmente, mesmo para Membros de um seleto Colegiado revelaram-se ainda indispensáveis perante o que nos foi contraposto.

As perguntas que apresentamos foram motivadas pela quase não-participação das Sanghas brasileiras face aos acontecimentos recentes no Tibete, por seu inafastável anseio de libertação espiritual, social, fim da violência e das transgressões dos direitos humanos pelos últimos cinqüenta anos:

- "No geral, onde estariam as Sanghas? Não seria o momento de o CBB recomendar definições e postura? É sabido de seus respectivos desafios internos, mas as Sanghas continuarão sem responsabilidade social?"

Reflitamos... Não estamos aqui para criticar ou disputar lugares ou louvores. Façamos isso com a elevação de nosso Buda interior. Pensamos que seja fundamental, nessa quadratura, estabelecer um “plano de metas” para os próximos anos e a partir dele trabalhar as comunidades envolvidas. Para tanto, é imprescindível ter a consciência do poder que o CBB detém e exercê-lo como um dever no Dharma. Devemos contar com a luz de cada um dos senhores líderes, do que não seria ajuizado declinar.

O que é uma Sangha? Qual a sua essência senão o Amor? Qual amor? Amar individualmente é humano. Amar universalmente é divino. Qual a dimensão que devemos tomar para o seu efetivo exercício? Na harmonia da convivência comunitária, na mantença da consciência e do seu sentido social. Quando não atingimos isso não podemos considerar o que se denomina uma verdadeira Sangha.

Lembra-nos Thich Nhat Hanh, apontando o evangelho de Mateus: - “Vocês são o sal da terra, mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? Para nada mais presta, senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens.” Para o cânone budista, os seus Reverendos, Monges, Mestres, Professores do Dharma, no conjunto das Sanghas, são o seu valoroso, temperado sal. Ainda o Venerável Vietnamita: - “o Buda disse que a água nos quatro oceanos tem um só sabor, o sabor do sal, assim como seus ensinamentos têm apenas um sabor, o sabor da liberação. Portanto, os elementos da Sangha são o sabor da vida, o sabor da liberação e temos que praticá-los de forma a nos tornarmos o sal. Quando dizemos que tomamos refúgio na Sangha não é uma declaração, é uma prática. É dito no Sutra da Terra Pura que se somos conscientes, quando o vento tocar as árvores ouviremos os ensinamentos dos Quatro Estabelecimentos de Atenção Plena, o Nobre Caminho Óctuplo... O cosmos todo estará rezando o Dharma do Buda e o praticando. Se formos atentos, estaremos realizando essa Sangha.”

Restamos de inteiro acordo com essas observações. Hoje mais do que nunca não devemos abandonar nossa sociedade, nossa cultura ou nossas raízes. O Budismo deve praticar essa consciência nas Sanghas e levá-las para fora. A prática budista deve formar e ajudar as pessoas a se ajudarem, a redescobrirem valores abafados pelos equívocos dos descaminhos e da “modernidade”. Qual a melhor linhagem? Não há “a melhor”, mas aquela em que mais se identifica cada um e interage em seu interior, “aclimatada” no espaço presente. Nessa abordagem, o Budismo brasileiro, como um todo, deve ter a autenticidade de assumir a sua cara, em parâmetros acertados. Esses parâmetros podem e devem ser estabelecidos pelo CBB. Até onde o CBB deverá recomendar a atuação social na formação e prática das Sanghas brasileiras? O brilho pela ausência das Sanghas no Debate nacional de 12 de maio último é algo emblemático, sintomático do tamanho trabalho e desafio pungente. E não se pode dizer da dificuldade de deslocamento em um país continental para se fazerem presentes, porquanto os sites de quase todas as Sanghas e outros pessoais, cuja postura virtual seria didática, sinalizadora, não assumiram sua insubstituível parcela de atuação. Quase nenhuma notícia, quase nenhuma divulgação, quase nenhuma participação, quase nenhuma campanha, enquanto o Dharma estava e continua a arder naquele espaço do globo.

Por que o Tibete? O Tibete, por motivos óbvios, por ter sido invadido e sofrer há mais de meio-século um genocídio cultural, conseqüente e forçosamente ter o seu líder espiritual e político em exílio por todo esse período - ninguém menos que Sua Santidade o Dalai Lama -, com parte de sua gente igualmente em exílio, passou a representar, naturalmente, os anseios de liberdade e respeito aos direitos humanos dos povos de todo o mundo. Portanto, implicando em lídimo e decisivo exercício de nossa cidadania universal. Não desmerecendo outras regiões necessitadas, mas fortalecendo-as pela comunidade internacional em comunhão e partilha de valores, atuações pontuais. Mianmar etc. etc. etc.

É imperioso fincar raízes aos nossos jovens, os quais, grosso modo, se encontram soltos de suas famílias, de sua sociedade, talvez pela desestrutura desses núcleos, carentes de algo a que possam pertencer e ligar a outros. Se a Sangha alimenta essa disposição formativa e age como uma grande família, os jovens sentem-se mais integrados e, por conseguinte, partícipes de sua comunidade consciente. As Sanghas haverão de ter ciência que a dor do mundo é a sua “salvação”. O amor universal, incondicional, possibilitando que perdoemos a nós mesmos em primeiro. E com a nossa transformação, mudando-se o que precisa ser mudado externamente, com muito respeito, resignação, compreensão, humildade e reconhecimento. Pois essa dor que nos contemplou em chegar até aqui é que possibilitará caminharmos ainda mais, muito mais.

Valendo-nos da autoridade de Thich Nhat Hanh, “a prática é, portanto, fazer crescer algumas raízes. A Sangha não é um lugar para se esconder de forma a se evitar responsabilidades. A Sangha é um lugar para praticar, para a transformação e a cura do ego e da sociedade. Quando você é forte, pode estar presente de forma a ajudar a sociedade. Se sua sociedade está em confusão, se sua família está desestruturada, se sua igreja não é capaz de te prever vida espiritual, então você trabalha para tomar refúgio na Sangha de forma que possa restabelecer sua força, seu entendimento, sua compaixão, sua confiança. Então, você poderá usar sua força, entendimento e compaixão de volta para reconstruir sua família e sociedade, para renovar sua igreja, para restabelecer comunicação e harmonia. Isto pode ser apenas feito como comunidade, não como indivíduos, mas como uma Sangha. Uma Sangha não é uma comunidade de prática onde cada pessoa é uma ilha, incapaz de comunicar-se com os outros. Isto não é uma Sangha verdadeira. Nenhuma cura ou transformação resultará de tal Sangha. Há muito sofrimento, sim, e temos que abraçar esse sofrimento. Mas para ficarmos fortes, também precisamos tocar os elementos positivos e quando formos fortes, poderemos abraçar o sofrimento em nós e ao nosso redor.”

Quando conseguimos a formação de grupos conscientes, “capazes de sorrir, de amar”, estaremos projetando confiança no futuro de forma a não perder o estímulo necessário para a prática quotidiana no presente. “Em uma Sangha boa e saudável há encorajamento para a mente do principiante, para nossa bodhicitta. Portanto, a Sangha é o solo e somos a semente. Não importa o quanto seja bonita e vigorosa nossa semente, se o solo não nos provê vitalidade, nossa semente morrerá. A mente principiante pode ser quebrada, destruída, perdida se não for nutrida ou apoiada por uma Sangha. Uma Sangha onde todos estão praticando a caminhada atenta, fala atenciosa, alimentação consciente parece ser a única chance para termos sucesso para terminar o círculo vicioso” do momento em curso.

O Colegiado Buddhista Brasileiro já se perguntou quais as contribuições do Budismo que devem ser implementadas para a construção de uma sociedade mais ética, justa e compassiva? O seu contributo para o amadurecimento da democraticidade e do próprio Estado democrático de Direito na sociedade em que está inserido?

O Budismo brasileiro deve ter a sua identidade, a sua voz e natural liderança no Colegiado. Todavia a conquista dessa autoridade está a meio caminho, dependente de uma maior e decidida atuação. É mister o estabelecimento eletivo desses pilares, internamente, de forma tão democrática quanto possível. Definido o seu corpo, sólida e harmonicamente, o mesmo precisará ser externado em nível de projeção nacional, interativamente junto a todas as Sanghas. Observando-se que o pior dos critérios é melhor do que critério nenhum. Para tal sorte, a elaboração de seu Estatuto e de seu Regimento Interno se faz inadiável.

Uma vez aprovados pelo CBB o seu Estatuto e o seu Regimento Interno, então a sua atuação devesse expandir para todas as Instituições, ligadas direta ou indiretamente ao Budismo. Quanto mais Sanghas e Institutos afiliados, com aceitação expressa das diretrizes do Colegiado melhor, mais dinamismo, mais responsabilidades, mais ações, mais resultados, mais inserção e influência positiva, exemplar, na edificação de uma sociedade desejável, com horizontes mais claros de um mundo novo. Ainda nos dias presentes não é vergonhosa a postura do governo federal frente à violação dos direitos humanos por parte do governo chinês? O Ministério das Relações Exteriores respondeu à Carta Aberta do Colegiado? Responderá a essa e outras questões na medida de sua intensidade junto à sociedade brasileira, pelo maior número de brasileiros nas Sanghas e nos demais meios budistas brasileiros. O CBB como voz ativa do Budismo, organizado para ter inquestionável autoridade ética e social, bem como diretrizes ponderadas de sua sabedoria espiritual. O isolamento de iniciativas em suas variadas vertentes não será mais saudável para o crescimento harmônico do conjunto do Budismo brasileiro. O CBB, salvo melhor juízo, não pode parar de liderar, crescer e agir, daqui para frente sempre assumindo novas responsabilidades sociais, para as mudanças e melhorias na qualidade de vida. A prática do CBB, a prática das Sanghas em consonância, a prática dos indivíduos então recebedores de formação consciente são fundamentais para o mundo que queremos. Mas qual o mundo que o CBB quer ver, quer ajudar a construir? Para o sábio Thich Nhat Hanh, “precisamos dar ouvidos ao nosso próprio sofrimento e ao sofrimento de nossa família, comunidade, nação e não só. A Terra está padecendo, nossa sociedade está padecendo e há tanto desespero e violência. É possível ser feliz com uma vida simples, com tempo para tomarmos conta de nós mesmos, de nossa família, daqueles que sofrem e, ao mesmo tempo, promovermos uma justiça social maior. Quando praticamos o segundo treinamento da generosidade para oferecermos nosso tempo, energia e recursos materiais àqueles que necessitam realmente deles, nossa vida torna-se repleta de significado e realização. O Budismo e a prática dos Cinco Treinamentos têm muitos meios para levar mais justiça e compaixão à sociedade. Com plena consciência, compaixão e compreensão dentro de nós, agimos naturalmente, levando a cura a nossas relações, comunidade e sociedade. Devemos estar cientes das situações de injustiça, como desigualdade entre gêneros e a exclusão da mulher, a opressão de minorias, a exploração das crianças e dos pobres. Há muitas formas de falarmos sobre injustiça e de chamarmos a atenção para aqueles que sofrem e não são ouvidos. Podemos organizar passeatas para promover a paz, pois cada passo é um movimento em direção à paz. Não se trata de uma demonstração ou de um protesto, mas sim de uma verdadeira manifestação de paz, de irmandade. Podemos escrever declarações de amor a nossos políticos e representantes. O Budismo Engajado é o primeiro de todos os tipos de Budismo praticado ao longo de todo o dia, ininterruptamente, vivendo em plena consciência e concentração quando caminhamos, dirigimos, cozinhamos, vamos ao banheiro etc. O Budismo Engajado também é a nossa prática dos Cinco Treinamentos da Plena Consciência dentro de nosso ambiente social. Praticamos a compreensão e o amor em nossa família, escola, local de trabalho, hospital, prisão, fábrica, exército, prefeitura e governo. Não precisamos usar termos budistas para trazer a prática à nossa vida diária. Nossa sabedoria é o interser, a Visão Correta Budista do mundo, no sentido de que tudo depende de todo o resto para se manifestar. Não somos apenas nosso corpo e espírito, somos também nosso ambiente. Nosso ambiente é a retribuição de nossa ação coletiva. Viver com simplicidade, desenvolver a compreensão e o amor, cuidar de nosso ambiente, assumir um compromisso em prol do desenvolvimento sustentável. Em outras palavras, seguir o caminho do Buda. Nossa civilização se auto-destruirá se não acordarmos a tempo. A prática da escuta profunda e da bondade amorosa preserva e recupera a comunicação. A prática da plena consciência possibilita a transformação e a cura, fazendo com que os pais protejam-se contra o divórcio e o distanciamento de seus filhos. Os Estudos Budistas se tornaram teóricos demais ao longo do tempo. Podemos ser doutores em estudos budistas e não saber como transformar nosso sofrimento e nossas angústias. Não temos a habilidade necessária para formar uma Sangha, para ajudar a reconciliar conflitos em nossa família ou comunidade, para praticar os treinamentos da plena consciência, a concentração e o insight. Hoje em dia, nosso conhecimento sobre o Budismo só nos permite escrever livros budistas e ensinar o Budismo nas escolas. Temos que reorganizar nossos estudos budistas e transformar nossas instituições de ensino em centros de prática também. Vamos formar instituições de Budismo Aplicado e oferecer cursos e práticas voltados à transformação e à cura. Nas escolas, nossas crianças precisam ter a chance de aprender a lidar com a raiva e a violência que trazem dentro de si, saber como escutar com compaixão e usar a fala amorosa. A instrução cívica e a ética budista devem ser ensinadas de modo que mesmo as crianças mais jovens possam praticá-las. O Dharma está disponível a muitas pessoas nesta Era Digital. Podemos participar de uma palestra no Dharma ao vivo, de uma discussão do Dharma, ou até mesmo de uma sessão de meditação sentados com um Mestre e uma Sangha sem sairmos de nossas próprias casas, a quilômetros de distância do Mestre e da Sangha. Contudo, a construção de uma Sangha requer escuta profunda, fala amorosa, compreensão, amor e apoio. Uma Sangha por correspondência não é suficiente. Uma Sangha com uma boa prática sempre carrega consigo o Buda vivo e o Dharma vivo. Assim, aprender meios de construir uma Sangha torna-se uma prática essencial. É também muito importante modernizar e atualizar nossas tradições para que permaneçam relevantes às pessoas de nossa era. O Buda nos ofereceu uma ferramenta diagnóstica muito boa sob a forma das Quatro Nobres Verdades: o sofrimento, as raízes do sofrimento, o fim do sofrimento e a prática para cessar o sofrimento. O Budismo deve ser praticado à luz das Quatro Nobres Verdades e a transformação e a cura de que necessitamos deverão acontecer aqui e agora, e não posteriormente, em outro mundo. Sabemos muito bem como apresentar teorias budistas, mas ainda não conseguimos colocar seus lindos ensinamentos em prática no aqui e agora. A prática, principalmente o Dharma vivo, deve ser bela no aqui e no agora. Vamos aproveitar esta oportunidade para compartilhar nosso insight e nosso despertar, vamos nos comprometer a viver nossa vida diária à luz deste insight e deste despertar, e apoiar uns aos outros neste caminho de vida. As contribuições do budismo à construção de uma sociedade, justa, democrática e civil devem ser observadas em nossa prática, em nossa vida diária. Através de nossa consciência, nosso despertar, nosso compromisso, podemos ser a própria mudança que queremos ver em nossa sociedade”.

Definidas, sopesadas essas considerações, seriam mais facilmente elencadas as “metas” para o Budismo no Brasil, no enfrentamento dos desafios do Séc. XXI e amadurecimento das questões seguintes:

1º O que o CBB quer para o CBB?

2º O que o CBB quer para o Budismo brasileiro?

3º O que o CBB quer para as Sanghas brasileiras?

4º O que o CBB quer para a Sociedade brasileira?

5º O que o CBB quer para os demais Povos e, de uma forma muita especial, para o Planeta Terra?

6º Em vista das cinco questões anteriores, quais as ações a serem implementadas e o organograma a que se propõe cumprir?

7º Quais as recomendações formais e as atuações a serem passadas às Sanghas, demais Instituições, direta ou indiretamente ligadas ao Dharma, e à Sociedade brasileira, para a construção de uma realidade mais equilibrada e equânime?


A sabedoria dos tempos atuais está em conseguir fora sem deixar morrer dentro. No caminho do meio resta o desafio do homem integral.

Com a máxima vênia, é tempo de mais semeadura. É tempo de mais transformação. Nós, pessoalmente, acreditamos na grande capacidade de cada Membro e no potencial imenso do Colegiado Buddhista Brasileiro. Estamos, portanto, profundamente convosco. Estejam também conosco.



Fraternal e cordialmente,

Flávio Marcondes Velloso, prof.
http://fmarcondesvelloso.blogspot.com
VIII-2008

Post Scriptum

“Que eu me torne em todos os momentos, agora e sempre,
um protetor para os desprotegidos,
um guia para os que perderam o rumo,
um navio para os que têm oceanos a cruzar,
uma ponte para os que têm rios a atravessar,
um santuário para os que estão em perigo,
uma lâmpada para os que não têm luz,
um refúgio para os que não têm abrigo e
um servidor para todos os necessitados.”
(Dalai Lama)

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Mais uma vela pelo Tibete!

Flávio Marcondes Velloso


[Mariane Alexandre]

Evento realizado nesse último dia 23, com vigília das 21 às 23:30 horas, em frente ao Consulado da China, em São Paulo.

Em uma das mais populosas e completas cidades do mundo, o "protesto de luz" se deu graças à iniciativa de Mariane Alexandre, uma flor de lótus da capital paulista, e pronta adesão do Reverendo Budista da Terra Pura Shaku Shoshin, que entoou mantras e celebrou preces.

Presença de poucos, mas heróicos cidadãos, diante da reação intimidatória do Consulado, com "amáveis" cães hotwaillers e retaguarda de 04 viaturas de polícia ostensivamente armada diante das "velas acesas"!

Muitas Marianes e muitos Reverendos possam fazer o mesmo mundo à fora, pois a sobrevivência do Tibete, daqui para frente, dependerá muito da não-acomodação da Comunidade Internacional, em todos os níveis, da cidadania individual ao conjunto das nações!

Flávio Marcondes Velloso, prof.
http://tibetparaomundo.blogspot.com



[Em frente ao Consulado da China, em São Paulo]



[Reverendo Budista da Terra Pura Shaku Shoshin]

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

AME A CHINA, AME O TIBETE!


Car@s amig@s,


Para os cidadãos chineses, as Olimpíadas de Pequim representam um momento de abertura ao mundo nunca vista antes. Porém, faltando apenas 10 dias para o final dos jogos, os líderes chineses devem tomar uma decisão: seguir o caminho do nacionalismo e controle ferrenho ou explorar um novo espírito de abertura e cooperação após as Olimpíadas?

O futuro da China é incerto, e os chineses que não compartilham do radicalismo precisam da nossa ajuda já. É por isso que estamos aproveitando a oportunidade para estender a mão em um gesto positivo e ético: o Aperto de Mão Olímpico, que foi iniciado pelo Dalai Lama e hoje circula pelo mundo, de mão em mão, até chegar a Pequim. Já somos mais de 150.000 participantes do aperto de mão virtual. Hoje está sendo lançando na China um website irmão que levará o aperto de mão para dentro do país, enquanto nossos anúncios da campanha “AME A CHINA, AME O TIBETE” (juntamente com os anúncios “Ame o Mianmar” e “Ame o Darfur”) estão agitando comunidades chinesas pelo mundo afora.

Agora, precisamos que pelo menos 250.000 pessoas se juntem ao aperto de mão no decorrer da semana, para oferecer à mídia internacional e chinesa um furo de notícia sem precedentes no mundo e levar nossa mensagem às cerimônias de encerramento das olimpíadas. Se você ainda não se mobilizou, junte-se ao aperto de mão inserindo seu nome abaixo e divulgando amplamente esta mensagem.

http://www.avaaz.org/po/handshake/

O aperto de mão é acompanhado por uma promessa: fazer TODOS os nossos governos responsáveis pelas atitudes que deixam de tomar em relação ao Tibete, Iraque, Birmânia etc. Entregaremos nossa mensagem através de uma corajosa campanha de mídia em Hong Kong e em todo o mundo antes das cerimônias de encerramento.

Temos somente mais uma chance de exigir de volta o espírito das olimpíadas, com a mensagem de amizade e diálogo que compartilhamos com o Dalai Lama. Quanto mais pessoas se juntarem ao aperto de mão global, mais poderosa será nossa mensagem quando ela chegar à mídia chinesa e internacional. Então, vamos passar adiante este e-mail, encorajando todos a se juntarem. “Um mundo, um sonho” ? esse ideal é maior que as Olimpíadas e está na hora de os cidadãos de todo o mundo tomarem posse novamente dele, de aperto de mão em aperto de mão.

http://www.avaaz.org/po/handshake/

Com esperança e respeito,

Paul, Ricken, Ben, Milena, Graziela, Iain, Pascal, Veronique e toda a equipe da Avaaz

P.S.: Se você estiver nos Jogos Olímpicos de Pequim ou conhecer alguém que está lá, entre em contato conosco agora mesmo pelo e-mail handshake@avaaz.org.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O aperto de mão olímpico - Participe!



Amig@s,

Antes mesmo de começar, as Olimpíadas de Pequim já causaram muita polêmica, principalmente por causa da situação do Tibete. As pessoas ainda não sabem o que pensar da China: um vilão dos direitos humanos ou um emergente esforçado? Esse é um momento que deveria celebrar a união dos povos, e o povo chinês merece essa oportunidade, porém o governo chinês ainda está deixando muito a desejar no campo da política internacional. A China ainda não se abriu para um diálogo significativo com o Dalai Lama, nem mudou sua atitude em relação à Birmânia (Myanmar), Darfur ou outros assuntos importantes.

Os chineses mais radicais só estão piorando a situação, dizendo que o ativismo nas Olimpíadas é antichinês e antiolímpico. Nós não podemos ficar calados, mas também não podemos deixar que os nossos esforços sejam usados como argumentos para nacionalistas preconceituosos. Por isso nossa reação é uma ação positiva, alinhada aos ensinamentos do Dalai Lama, que celebra o espírito olímpico, a união dos povos e a amizade: o aperto de mão.

Nosso aperto de mãos global começou em Londres, onde milhares de pessoas formaram uma fila gigante para passar o aperto de mão do Dalai Lama até a Embaixada Chinesa. Este aperto de mão está agora ganhando a Internet, através da qual passará por todos os continentes até chegar a Pequim. Com este aperto de mãos vamos levar uma mensagem poderosa: demandar um comprometimento de TODOS os nossos governos nos pontos onde eles são falhos, seja Tibete, Iraque, Birmânia ou qualquer outro lugar do planeta. Essa iniciativa será divulgada em Hong Kong e outras capitais do mundo. Portanto, ajude-nos a crescer: encaminhe esse email para seus amigos. Clique abaixo para ver como o aperto de mãos global começou, depois veja por que países ele já passou e assine essa corrente mundial.

http://www.avaaz.org/po/handshake?CLICKTRACK

As Olimpíadas representam uma mensagem muito bonita de confraternização e paz. Porém queremos ter certeza de que isso é mais do que um slogan bonito, de que realmente há um esforço dos nossos governantes em solucionar crises e conflitos globais. Queremos que os direitos humanos não sejam esquecidos, nem durante nem depois do fim das Olimpíadas de Pequim. Justamente por isso estamos enviando nossa mensagem: um desafio sério, porém positivo e respeitoso.

Quanto mais pessoas participarem do aperto de mãos global, mais forte será nossa mensagem quando ela chegar à imprensa chinesa e internacional. Por isso, encaminhe esse email para seus amigos com um recado pessoal, incentivando-os a participar. "Um Mundo, Um Sonho", o slogan das Olimpíadas de Pequim é um ideal que vai muito além dos Jogos Olímpicos - e ele pertence a todos nós.

Respeitosamente,

Paul, Ricken, Ben, Milena, Graziela, Iain, Pascal, Veronique e toda a equipe Avaaz

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Agenda das protestos de luz pelo Tibete no Brasil



São Paulo

No dia 6 de agosto, quarta-feira, acontecerá em Guaratinguetá (São Paulo), em frente à Câmara Municipal, um pré-lançamento da Campanha "Acenda uma vela pelo Tibete", com início às 18:00 horas e término previsto para as 21:00 horas.

Você e todos os seus são nossos convidados! Participe dessa confraternização! Convide os amigos!

Não é preciso levar nada. Tudo deverá estar em seu coração compassivo.

Fonte: Flávio Marcondes Velloso


Porto Alegre (Rio Grande do Sul)



Olá.

Convidamos a tod@s para o ato pró-Tibete que acontecerá em Porto Alegre no dia 3 de agosto, domingo, junto aos Arcos no Parque da Redenção. Teremos faixa, cartazes, mural de fotos e bandeira tibetana (dá pra levar colaborações, quem quiser).

Acenderemos velas para representar o
desejo de liberdade para o Tibete e humanidade, e faremos uma caminhada.

Não somos contra as Olimpíadas. Somos a favor da liberdade: de expressão, de imprensa e religiosa. E pela independência ou autonomia tibetana (conforme sugere o Dalai Lama). Grandes realizações começam por pequenos atos!

Obrigado.

Digo Araújo

Contatos:
(51) 9631-8290
rodrigopoars@hotmail.com

segunda-feira, 14 de julho de 2008

100,000,000 de pessoas unirão a sua luz, no que será o maior Protesto de Luz pelo Tibete

Press release enviado por candle4tibet@gmail.com*



*O texto está em Português Europeu (PE)

Tel Aviv, Julho 14 2008

O maior PROTESTO DE LUZ NO MUNDO acontecerá a 7 de Agosto 2008, o dia anterior à abertura dos Jogos Olímpicos em Beijing, quando pelo menos 100 milhões de pessoas por todo o planeta acenderão uma vela e dirão SIM à Liberdade no Tibete!

Um protesto de luz é semelhante aos outros, mas com algumas diferenças. Ele une milhões de pessoas à volta do mundo, quando lhes é dada a oportunidade de actuar num momento específico no tempo por um só objectivo (como aconteceu em 'earth hour' ou 'live 8'). É não-comercial e pacífico. É um novo modo global que releva o poder de cada pessoa em manifestar a sua opinião por uma causa nobre. Não é de modo nenhum um protesto virtual.

A campanha começou no 'facebook' a partir do desktop de David Califa, 52, um privado, aposentado, com historial em investimentos bancários, de Ramat Hasharon, Israel. Mr. Califa tem financiado esta campanha com os seus próprios fundos. "Vela pelo Tibete" cresceu rapidamente para um movimento global que opera um 'website' multilingue (25 línguas, todas traduzidas por voluntários), e tem também a sua rede social. Mr. Califa juntou esforços com membros do Unity Network, um movimento global actuando com o fim de promover a unidade e o amor entre os seres humanos independentemente da sua cor, nacionalidade, sexo, religião ou política.
Até ao momento, mais de 500,000 pessoas de mais de 100 países estão inscritas.

A diva Tibetana, Yungchen Lhamo, juntou-se a "Vela pelo Tibete". Miss Lhamo, reconhecida como "A Voz do Tibete", conduzirá a campanha com a sua divina voz, música e espírito.

"Vela pelo Tibete" pede às pessoas que acendam uma vela à sua janela, secretária, ou qualquer outro local onde outros a vejam e desejavelmente façam o mesmo. Muitos participarão em vigílias de luz à volta do mundo. Espera-se que este protesto de luz seja visto por biliões nas TVs por todo o mundo no dia de abertura dos Jogos Olímpicos. No dia seguinte serão enviadas cartas a todos os presidentes de governo mundiais informando-os exactamente quantos seus concidadãos desejam um Tibete Livre. Pedindo a cada um deles que actue pela Liberdade do Tibete.

http://candle4tibet.org/

http://candle4tibet.ning.com/

Email: info@candle4tibet.org Contact: David Califa
+972 (54) 4730090


PORQUÊ O TIBET. O Tibete tornou-se um símbolo da liberdade. Símbolo que representa o direito de todos os seres humanos à autodeterminação, liberdade de pensamento, consciência, credo e religião.

A OPORTUNIDADE. Os Jogos Olímpicos de Beijing que começarão a 8 de Agosto 2008, são uma oportunidade única para focar a atenção mundial na completa inexistência de direitos no Tibet e em muitos outros lugares no mundo.
Esta é uma oportunidade única pois a China está sensível à sua imagem no mundo. Não somos contra os Jogos Olímpicos. Somos pela liberdade. Por esta razão sentimos que esta é uma excelente altura para manifestarmos a nossa opinião.

O OBJECTIVO. É dar a todo o mundo a oportunidade para se unir de um modo activo e enviar uma mensagem de amor e liberdade. Acreditamos no poder das pessoas quando unidas para fazer verdadeiras mudanças ao mundo. Desta vez é pelo Tibete e pela liberdade, o próximo passo poderá ser por qualquer causa que as pessoas escolherem. Desejamos mostrar que há um modo de as pessoas se unirem como uma só e fazerem a diferença. Logo após a campanha VELA PELO TIBETE anunciaremos a próxima campanha.


ACERCA DA UNITY NETWORK (Rede da Unidade). É um movimento global que actua em prol da união entre as pessoas e pelo amor entre os seres humanos independentemente da sua cor, nacionalidade, sexo, religião ou política. A Rede da Unidade tem como objectivo dar à população mundial o poder de manifestar a sua força unida criando uma rede que tornará possível a realização de acções globais sincronizadas e protestos pacíficos pela paz, amor e outras questões comuns a todos os seres humanos.

ACERCA DE YUNGCHEN LHAMO. O seu nome significa Deusa da Canção. Deixou o Tibete em 1989 aos 25 anos, fugindo através dos Himalayas para escapar à opressão chinesa no Tibete. Fez uma peregrinação a Dharamsala, para receber a benção do Dalai Lama, onde S.S. vive exilado. Ela queria alcançar o mundo com a sua música, partilhar a sua cultura e educar as pessoas acerca do Tibete. Deste que assinou contrato com a Peter Gabriel's Real World Records, Yungchen lançou dois álbuns muito bem acolhidos pela crítica. Michael Coulson dirigiu o primeiro vídeo musical da Yungchen, Happiness Is – (A Felicidade È) . O vídeo pode ser visto no nosso sítio por cortesia da cantora.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Tam Huyen Van - Carta Aberta em Prol do Tibet ao Governo Brasileiro


Prezados Amigos,

Segue abaixo a íntegra da Carta Aberta em Prol do Tibet, que foi criada após deliberação do Colegiado Buddhista Brasileiro (CBB) a partir das conclusões do Debate sobre a Questão Tibetana, ocorrido em maio último no Plenário da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.

Este documento será entrege formalmente ao Governo Brasileiro através do Deputado Fernando Gabeira, e serve como um alerta e protesto contra as ações equivocadas e violadoras dos direitos humanos ocorridas no Tibet.

Este texto pode ser divulgado por todos os interessados, mantendo-se sua integridade e assinaturas. Para quem desejar a versão em PDF, basta enviar um pedido para o e-mail do CBB em: cbb@bodhimandala.com

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Rio de Janeiro, 12 de maio de 2008.


Ao
Exmo. Sr. Embaixador Celso Amorim
Ministro das Relações Exteriores.


[Com Cópia Protocolar ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República]



CARTA ABERTA DO COLEGIADO BUDDHISTA BRASILEIRO AO MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES DO BRASIL



Exmo. Sr. Embaixador Celso Amorim,

O Colegiado Buddhista Brasileiro, instituição sem fins lucrativos e representativa das múltiplas manifestações do budismo no Brasil, vem, por meio desta, resumir o resultado do Debate Público sobre a Questão Tibetana, realizado a seu pedido e por intermédio da Vereadora Aspásia Camargo (Partido Verde), no Plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, no último dia 12 de maio de 2008. Nesta ocasião ficou clara e unânime a posição da comunidade budista brasileira a respeito da questão tibetana e transparente o constrangimento desta em relação à posição tímida e conivente do Itamaraty para com a incontestável violação dos Direitos Humanos ocorrida naquela nação, infringida pela ditadura chinesa.

Os membros do Colegiado Buddhista Brasileiro, infra-assinados, expressam nesta Carta Aberta sua decepção para com o atual Governo Brasileiro que, sendo formado por muitos indivíduos que sofreram as infrações de uma ditadura e que foram eleitos sob as bases de sua luta em prol de uma sociedade pluralista e tolerante, e por seu compromisso para com a democracia e o respeito aos direitos humanos, hoje se subordina a interesses comerciais internacionais e fecha os olhos para o triste genocídio étnico e cultural há mais de 50 anos imposto ao Tibet.

Cabe-nos ressaltar que se o Itamaraty, em nota oficial, expressa seu respeito à suposta integridade do território chinês sem manifestar-se diante dos atos ditatoriais daquele país sobre o povo tibetano, faz recair sobre toda sociedade brasileira uma co-responsabilidade para com o sofrimento daquele povo, responsabilidade essa que a comunidade budista brasileira não reconhece e quer publicamente renegar. Ao afirmar seu apoio à pretensão chinesa em anexar, de forma arbitrária e violenta, o território tibetano, o governo brasileiro revela seu despreparo em agir como legislador dos conflitos mundiais (como expresso em sua determinação para fazer parte do Conselho de Segurança da ONU), demonstra seu total desconhecimento da extrema riqueza étnica, religiosa e cultural daquela região, torna implícita sua aceitação às políticas de exceção, e põe em dúvida sua relevância no cenário internacional.


O Colegiado Buddhista Brasileiro, em nome da comunidade budista, manifesta claramente aqui seu repúdio à posição omissa do governo brasileiro, que neste ponto não a representa perante a comunidade mundial. Lamentamos observar que a atitude de nosso atual Governo destrói sua legitimidade na luta histórica de um posicionamento contra as ditaduras.

Em comunhão com o senso de oportunidade de milhões de manifestantes em todo o mundo, aproveitamos a ocasião das Olimpíadas de Pequim para colocar o foco sobre a China: suas grandezas e seus desafios ao integrar a comunidade internacional. Em primeiro lugar, cabe-nos relembrar alguns fatos históricos ampla e internacionalmente reconhecidos e exaustivamente documentados por inúmeras fontes idôneas e independentes, para que não prevaleça a versão doutrinária da propaganda chinesa, mais uma vez difundida pela embaixada chinesa no Brasil, nas palavras do Cônsul Geral da China, Sr. Li Baojun, que compareceu ao “Debate Público sobre a Questão Tibetana” à convite do Colegiado Buddhista Brasileiro e realizou uma vergonhosa manifestação da idéia fascista de que uma mentira, muitas vezes repetida, pode tornar-se uma verdade. Estamos certos de que o Itamaraty tem conhecimento dos fatos e não se deixa ludibriar pela versão da propaganda de uma ditadura que cerceia as liberdades fundamentais, nomeadamente o direito à informação e ao livre pensamento – é uma versão baseada em informações dúbias e que distorcem fatos históricos, que buscam desmerecer os dados sobre as perdas étnicas, religiosas e ecológicas sofridas segundo os relatórios publicamente divulgados pelo Escritório Oficial da Administração Central Tibetana em Dharamsala, Índia.

Que fique claro que o Colegiado Buddhista Brasileiro tem enorme respeito pelo povo chinês, por suas inúmeras contribuições à história mundial, pela posição que representa no mundo moderno, por sua sabedoria milenar. O que se repudia veementemente aqui é a política de um governo não-eleito, que mantém na ignorância o seu próprio povo, a quem também consideramos vítima – assim como consideramos vítima deste regime o Sr. Cônsul Geral da China, Li Baojun que, não sendo um homem livre, mas submetido a um regime opressor, não tem opção senão se mancomunar com as ordens de seu Governo.

Definitivamente, não estaria de acordo com a ética budista e humanista a qual pregamos imaginar que a injustiça e a insensibilidade são dos chineses, pois também eles compartilham sofrimentos e frustrações (neste momento, também o povo chinês está vivendo a dor das perdas de vidas devido ao terremoto ocorrido no dia 12 de Maio, com a qual nos solidarizamos); tal erro não pode ser imputado a toda uma nação ou àqueles que compõem um grupo social, uma instituição religiosa ou política, ou simplesmente um gênero sexual ou cor de pele. Um equívoco terrível ocorre quando imaginamos que todo um povo, toda uma classe, todo um grupo humano, é responsável pelas insanidades de seus governantes ou controladores. De fato, a problemática está na incapacidade daqueles que são presas da motivação fanática, da visão egoísta e diferenciadora no mundo, em superar sua pobreza de percepção.

Alinhado com a posição de Sua Santidade o Dalai Lama, o Colegiado Buddhista Brasileiro não vem aqui manifestar exigências à independência do Tibet, mas exigir ao seu próprio governo, o governo brasileiro, que, em suas relações internacionais, defenda a preservação dos Direitos Humanos, cujos instrumentos jurídicos é signatário. Que faça valer esta sua assinatura, que tenha coragem e manifeste pública e internacionalmente seu repúdio às versões inverídicas propagadas pelo governo chinês a respeito da sua ocupação alegadamente pacífica do Tibet, às perseguições políticas e religiosas, torturas, exílios, seqüestros, execuções e destruições do patrimônio cultural e ambiental do Tibet, parte integrante da nossa história mundial.

Queremos ainda, neste documento, ressaltar que a ética budista a qual defendemos busca os meios hábeis para superar em nós mesmos esta ignorância destruidora, esta convicção espúria baseada em erros crassos de interpretação e entendimento, e que muitas vezes vemos com mais facilidade apenas nos outros; devemos praticar todos os dias a coragem de não desistir da paz, do cuidado no diálogo, e da meta maior e definitiva, capaz de curar e transformar a humanidade: o amadurecimento de nossa consciência, de nossa sabedoria, de nosso dom de resistir à falta de compaixão correta.


Porém, a atitude compassiva e coerente com a qual os budistas são comumente identificados não é uma atitude ingênua e condescendente. Quem é capaz de agir com correta compreensão do outro, o faz por força de seu discernimento e não sob a premissa de passiva aceitação. Reafirmamos, portanto, o nosso compromisso em agir com cuidado e empenho a favor da prática de compreensão e diálogo no mundo. Estamos convictos de que mesmo através de torturas, terror e assassínios, apesar do empenho implacável em difundir delusórias interpretações dos fatos, os homens e mulheres alienados em profundo egoísmo, os poderes controladores e intolerantes, os governos insalubres, as facções terroristas e os movimentos fanáticos jamais prevalecem. Ao final, seus nomes serão apagados na memória da Vida, seus atos cruéis e injustificados serão expostos ao tempo e à história com terrível clareza, e as entranhas insalubres de suas convicções jogadas à margem da grandeza humana.

Paralelamente a este documento, informamos ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil que o Colegiado Buddhista Brasileiro apóia publicamente as seguintes propostas de ações positivas apresentadas no Debate Público sobre a Questão do Tibet, assim como todas as ações que tenham por objetivo preservar o Tibet, sua inestimável riqueza cultural e ambiental, e os direitos de seus habitantes:


- Criação de um Centro de Preservação da Cultura Tibetana no Rio de Janeiro, proposta pelo Deputado Federal Fernando Gabeira;

- Indicação do nome de Sua Santidade o Dalai Lama como Cidadão Honorário da cidade do Rio de Janeiro, à exemplo da cidade de Paris, França, proposta pela Vereadora Aspásia Camargo;

- Nominação de espaços públicos brasileiros, a começar pela cidade do Rio de Janeiro, em homenagem ao Tibet;

- Proposição de que o Itamaraty postule perante os fóruns internacionais, notadamente o Tribunal Internacional de Justiça, em Haya, Holanda, a reavaliação da questão tibetana nos seus âmbitos político, social e cultural, e o julgamento das infrações cometidas contra os Direitos Humanos no Tibet.

Concluindo, o Colegiado Buddhista Brasileiro, considerando não haver nem de longe um grave precedente dessa natureza, a de um Líder Religioso e parte significativa de seus compatriotas terem passado mais de 50 anos em exílio, entende que é chegado o momento de Sua Santidade o XIV Dalai Lama e o seu povo retornarem livres à sua própria terra, levando consigo a paz e o bem, assim como, efetivamente, a solidariedade da comunidade internacional, valores tão caros à Humanidade e inafastáveis, ainda por mais tempo, in casu. Por fim, mas não menos importante, que se considere a viabilidade de tornar o Tibet Patrimônio Histórico da Humanidade, com o devido amparo da UNESCO e da festejada Organização das Nações Unidas.


Assina o Sr. Presidente do Colegiado Buddhista Brasileiro,

Prof. Shaku Hondaku (Maurício Ghigonetto)


Assinam os membros da Diretoria Fundadora do Colegiado Buddhista Brasileiro,

Rev. Shaku Haku-Shin (Wagner Bronzeri)
Monge Meihô Genshô (Petrúcio Chalegre)
Dhammacariya Dhanapala (Ricardo Sasaki)
Prof. Tam Huyen Van (Claudio Miklos)


Assinam os membros-colaboradores do Colegiado Buddhista Brasileiro,

Monja Isshin
Monge Shaku Shoshin
Dra. Cerys Tramontini
Prof. Flávio Marcondes Velloso


Sarve Bhavantu Mangalam - Que Todos os Seres Sejam Felizes

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Debate Público sobre a questão tibetana no Rio de Janeiro - Relato do Prof. Tam Huyen Van (Cláudio Miklos)



Publicamos este relato do Prof. Tam Huyen Van sobre o Debate Público sobre a questão tibetana, realizado no Rio de Janeiro, no último dia 12 de maio, especialmente por sua clareza, consciência e serenidade nas colocações. Deixamos claro aqui que apoiamos todas as iniciativas do CBB - Colegiado Buddhista Brasileiro, do qual o Prof. Tam faz parte e é um de seus fundadores.

Prof. Tam Huyen Van do Zen Budismo Vietnamita (Thien)

Prezados Amigos,

Ocorreu nesta segunda, às 10 horas, no Plenário da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, o já divulgado Debate Público sobre a questão Tibetana. Gostaria de apresentar minhas impressões sobre o evento, após um pequeno período para reflexão e contemplação dos acontecimentos ocorridos.

Inicialmente, penso que seria importante valorizar e reiterar a importância do evento que, por si só, contribui grandemente para a consolidação da posição buddhista brasileira frente às questões de direitos humanos e valores éticos sociais, e fomenta - principalmente - a divulgação das propostas humanistas do Buddhismo.

O empenho demonstrado pela Vereadora Aspásia Camargo e o Deputado Fernando Gabeira foram, a meu ver, uma clara demonstração de que, apesar dos aspectos profundamente reprováveis associados à instituição política no Brasil e no mundo, não é sábio imputar a falta de respeito aos valores sociais a todos os membros da classe política indiscriminadamente; existem muitas personalidades políticas cientes de sua responsabilidade na defesa do exercício da ética e da reflexão saudável sobre os graves problemas que afligem a humanidade - seja no Brasil ou no outro lado do mundo.

Lamento, contudo, a pouca participação de buddhistas praticantes e simpatizantes.

Embora compreenda plenamente que o dia e horário não contribuíram para facilitar a presença de grande público, o fato de que o evento ocorreu apenas no Rio de Janeiro, e sempre considerando o aspecto não-doutrinário e não-coercitivo que fundamenta o exercício do Dharma (sem falar no fato inegável de que, no Brasil, o número de
buddhistas realmente praticantes é extremamente pequeno - há um número muito maior de pessoas simpáticas ao buddhismo, mas sem nenhuma real identificação com a prática do Caminho em sua profundidade), ainda assim gostaria de chamar a atenção de todos para a natureza de nossas opções de ação e mobilização em relação ao buddhismo e assuntos buddhistas. É preciso refletir melhor sobre quais ações podem ser realmente úteis e válidas, e quais ações seriam apenas fruto de um entusiasmo puramente romântico ou artificial em relação aos conceitos de esforço correto e ação correta.

Espero que, no futuro, eventos semelhantes possam contar com a presença mais efetiva de pessoas interessadas em valorizar o desenvolvimento das propostas de consciência e correto discernimento características do exercício ético buddhista na vida.

O caráter simples e despojado do evento, e o seu peso conceitual e reflexivo, foram cruciais para que uma porta fosse aberta no âmbito das ações buddhistas brasileiras.

A participação do monge Gensho (em seu grande discurso final, onde penso que foi dada uma resposta adequada e firme às atitudes lamentáveis do Consul Geral da China) e da monja Isshin (suas palavras gentis e admiráveis, e sua respeitável atitude de respeito humano e fraternidade ao representante chinês no evento), as afirmações contundentes e fortes do Reverendo Shaku Shoshin em defesa do povo tibetano, as ponderações compassivas e coerentes da Dra. Cerys e do Professor Flávio Marcondes, contribuíram a meu ver para apresentar à opinião pública e à classe política do Rio de Janeiro a força reflexiva e determinação compassiva do buddhismo.

Reafirmo meu apreço pela aceitação, por parte do governo Chinês, do convite de participação enviado formalmente pelo Colegiado Buddhista Brasileiro. A presença do Cônsul Geral Li Baojun representou uma pequena esperança de que a disposição pelo diálogo consciente e honesto entre as partes também ocorra nos setores chineses de relações internacionais.

Infelizmente, para o meu profundo desapontamento, as ações do Sr. Cônsul durante o evento não corresponderam àquelas expectativas. Em uma atitude pouco flexivel (a despeito de sua natureza simpática e amigável), o representante chinês limitou-se a apresentar uma versão doutrinária, extremamente alienada, e distorcida da questão tibetana. A atitude, a meu ver, confirmou para mim o caráter claramente difícil
da abordagem humanista e pacífica da questão tibetana em termos de linguagem e intenções, e que eu já havia antecipado em meu ensaio "Tibet - Entre Liberdades e Revoluções".

Não houve margem para o debate. Não houve espaço para a composição e correto esclarecimento das ações corretas ou inadequadas de todas as partes; apenas houve uma apresentação inócua e pouco coerente da versão partidária chinesa; houve uma tentativa de divulgação completamente inacurada dos fatos históricos associados às relações entre o Tibet e a China. Em meio a tudo isso, ao final de sua apresentação o Sr. Consul deixou a impressão de que o exercício de diálogo e abertura política, necessários para que a paz e a justiça prevaleça, ainda exigirá muito empenho e equilíbrio.

Saí do debate convicto de que, como buddhista e professor de dharma, devo ainda mais aprofundar minha prática de paciência e percepção correta em relação aos aspectos insalubres contidos nas mentes doutrinadas, presas a um modelo perverso de interpretação do mundo e da vida, aspectos esses que se apresentam em muitos grupos humanos, seja na China ou no Brasil, ou em qualquer lugar do mundo. A tarefa
de ação hábil e adequada para superar a crueldade das instituições ditatoriais e imperialistas é árdua, pode causar ressentimentos e raiva em muitos de nós, mas não devemos de modo algum sucumbir a tais erros ignorantes.

Neste contexto, gostaria de pedir a todas as pessoas sinceramente interessadas em contribuir para o esforço de liberação dos povos oprimidos, que jamais caiam no erro de perpetuar a ignorância das mentes fanáticas e intolerantes, agindo com raiva ou agressividade. Quanto mais percebemos o grau de insalubridade nas doutrinas
ditatoriais, nos discursos pobres em discernimento, na incapacidade de muitos em saber ouvir e falar com consciência e maturidade argumentativa, mais devemos nos esforçar para evitar o ressentimento.

Após o debate, percebi que definitivamente não devemos imaginar que a injustiça e a insensibilidade são dos chineses pois também eles compartilham sofrimentos e frustrações (neste momento, também o povo chinês está vivendo a dor das perdas de vidas devido ao terremoto ocorrido no dia 12 de Maio), tal erro não pode ser imputado a toda uma nação - ou àqueles que compõem um grupo social, uma instituição
religiosa ou política, ou simplesmente um gênero sexual ou cor de pele. Um erro terrível ocorre quando imaginamos que todo um povo, toda uma classe, todo um grupo, é responsável pelas insanidades de seus governantes ou controladores. Não, a problemática está na incapacidade daqueles que são presas da motivação fanática e da visão egoísta e diferenciadora no mundo de superar sua pobreza de percepção.

Devemos buscar os meios hábeis para superar em nós mesmos esta ignorância destruidora, esta convicção espúria baseada em erros crassos de interpretação e entendimento, e que muitas vezes vemos com mais facilidade apenas nos outros; devemos praticar todos os dias a coragem de não desistir da paz, do cuidado no diálogo, e da meta maior e definitiva, capaz de curar e transformar a humanidade: o amadurecimento de nossa consciência, de nossa sabedoria, de nosso dom de resistir à falta de compaixão correta. Volto a repetir que a atitude compassiva e coerente não é uma atitude ingênua e condescendente: quem é capaz de agir com correta compreensão do outro, o faz por força de seu discernimento e não por uma ingênua atitude de passiva aceitação.

Assim, sinto que me tornei ainda mais disposto a agir com cuidado e empenho a favor da prática de compreensão no mundo. Quanto mais ouço as palavras tolas daqueles que defendem um modelo de vida injusto e perverso, me sinto mais livre. E percebo que, mesmo através de torturas, terror e assassinatos, apesar do empenho implacável em
difundir delusórias intepretações dos fatos, os homens e mulheres alienados em profundo egoísmo, os poderes controladores e intolerantes, os governos insalubres, as facções terroristas e os movimentos fanáticos jamais prevalecem. Ao final, seus nomes serão apagados na memória da Vida, os atos cruéis e injustificados serão expostos ao tempo e à história com terrível clareza, e as entranhas insalubres de suas convicções jogadas à margem da grandeza humana.

No Dharma,
Tam Huyen Van

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Sobre Tam Huyen Van (Prof. Cláudio Miklos)

Nascido em 1962, Claudio Miklos iniciou sua prática no buddhismo aos 17 anos, através da tradição Zen Soto. Participou de retiros e freqüentou locais de prática na região do Rio de Janeiro. Aos 28 anos começou a organizar grupos de estudos sobre o Buddhismo tradicional, sempre na qualidade de praticante zen leigo. Em 1994 viajou à China (Hong Kong) onde realizou uma peregrinação pessoal a diversos templos buddhistas da região do sul da China, com o objetivo de conhecer mais profundamente a tradição espiritual a qual se dedica. A partir de 1996 filiou-se informalmente à escola zen vietnamita - escola do Inter-ser (Tiep Hien) - liderada por Thich Nhat Hanh, cujos ditames e orientações vem seguindo desde então.

Em 2001 recebeu, em cerimônia formal ocorria durante um retido de Plena Atenção em Teresópolis e organizado pelo Centro Lótus e coordenado pelos monges Phap An e Phap Ung, da tradição Interser, o Nome de Dharma Tam Huyen Van (Maravilhosa Nuvem do Coração).

Atualmente, coordena grupos leigos de estudos buddhistas em Niterói e Rio de Janeiro, e escreve vários artigos sobre a prática buddhista leiga.

Site Oficial

http://tamhaovan.multiply.com