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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Compreensão e compaixão são o caminho: religando às tradições espirituais à sua essência


Por Antonino Condorelli


Religião vem de religar, reconectar. Reconectar ao quê? À nossa natureza mais profunda, à nossa essência. Religar o nosso corpo, a nossa mente e as nossas emoções; nos religar ao outro, à espécie humana; nos religar à natureza, a todas as espécies vivas e inanimadas, aos animais, os vegetais e os minerais.


Se olharmos cuidadosamente para nós mesmos, perceberemos que não estamos sós: se soubermos tocar profundamente o nosso corpo, com atenção plena, veremos que todas as gerações passadas de nosso ancestrais, todas as gerações futuras que surgirão a partir de nós estão presentes em cada uma de nossas células; veremos que ele contém a nossa mente, porque tudo o que pensamos, sentimos, falamos e fazemos manifesta-se em nossa carne, traduz-se em sensações, em saúde ou doença; veremos que contém todas as pessoas, assim como a água da chuva, o solo, os minerais, tudo o que fez com que os alimentos que ingerimos ao longo da nossa vida chegassem até nós, incluindo o trabalho de quem os produziu e trouxe à nossa mesa, os alimentos que nutriram estas pessoas, as gerações passadas que possibilitaram a existência delas; veremos que contém o sol, que sustenta e torna possível a nossa vida; veremos que contém a história do universo, desde o big bang, porque absolutamente tudo o que aconteceu até hoje fez com que estejamos onde nos encontramos neste exato momento. Nós não existimos por nós mesmos: nós “interexistimos” com tudo o mais, intersomos.


Continua...


Clique aqui e leia na íntegra o discurso pronunciado pelo idealizador da Rede Brasileira de Budistas Engajados e membro da Sangha de Natal/RN informalmente ligada à Ordem do Interser de Thich Nhât Hanh no evento de lançamento do Fórum Potiguar de Diálogo Inter-Religioso, que aconteceu no Plenarinho da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Norte em 14/05/2009.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009



Segundo dos Cinco Treinamentos da Plena Consciência, tais como concebidos pelo Ven. Thich Nhât Hanh.

Thich Nhât Hanh, ou Thây, é conhecido por cunhar a expressão Budismo Engajado, modo de integrar o budismo à sociedade moderna e apresentar suas propostas práticas de superação dos dilemas individuais e coletivos no contexto da crise de nossa civilização. O texto completo pode ser lido em:

http://samoockah.blogspot.com/2006/11/o-cinco-treinamentos-da-plena.html

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Carta de uma praticante palestina



Carta ao mestre Thich Nhât Hanh (Thây) de uma jovem palestina que participou de um retiro no centro de prática de Plum Village.


Querido Thây,

Sou uma jovem palestina, que fez parte do grupo Israelense-Palestino em Plum Village na semana passada. Eu morei no paraíso por uma semana. Eu senti que Plum Village era o paraíso por duas razões: o lugar e a atmosfera e o fato que nossos inimigos eram nossos amigos. Todas as pessoas em torno eram nossa família. Eu podia ver o calor do amor radiando de cada alma e penetrando em meu coração obscuro. A escuridão que tenho vivido desde minha infância, que foi causada pelos "nossos primos", os primos que levaram embora minha infância e agora objetivam minha juventude. No seu paraíso, minha voz foi ouvida mesmo durante o nobre silêncio. Meu coração foi tocado e a escuridão foi substituída pela luz.

Estou de volta em casa agora. Eu estou pronta a aceitar meus inimigos como minha família. Eu tentarei sincronizar minha respiração com a respiração deles. Deixarei minha voz livre e eu ouvirei duas vezes antes de falar.

Obrigada por nos acolher no seu paraíso, e nos expor aos ensinamentos do Buda.

Uma alma palestina foi mudada. Eu olho em direção à luz agora.

Sinceramente,

Uma participante de Jerusalém, Palestina


Fonte: Sangha Virtual Thich Nhât Hanh - Brasil

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Carta desde Jerusalém


Carta ao mestre Zen vietnamita Thich Nhât Hanh (Thây) e à Sangha de Plum Village, centro de prática dirigido por Thây no Sul da França, escrita por um membro da Sangha de Jerusalém, Israel, diante dos dramáticos acontecimentos destes dias na Faixa de Gaza.


Querido Thây, Querida Sangha,

Esta manhã, em casa, em Jerusalém, chorei.

Para minha surpresa, não chorei pelos habitantes de Gaza e do sul de Israel, nem pelos jovens israelenses convocados para o serviço militar, por quem sinto uma preocupação natural. Estava meditando sobre o dilema moral enfrentado pelo governo e pelos militares: mísseis e foguetes escondidos em escolas cheias de crianças e de pessoas inocentes em Gaza, lançados sobre crianças e inocentes em Israel. Felizmente, o jardim da infância destruído há poucos dias em Israel havia sido evacuado. A neutralização de mísseis e foguetes antes do lançamento mata crianças e inocentes. A não-neutralização também mata crianças e inocentes. De repente me dei conta do grande sofrimento e do enorme peso da responsabilidade dos tomadores de decisão do governo de meu país, dos quais discordo em tantos aspectos e que infelizmente não tiveram a oportunidade de obter maior clareza da mente através da prática. Ao pensar nas decisões que precisam tomar... Não desejo que ninguém esteja em seu lugar.

Meditei sobre a impermanência usando trechos de um livro do Thay, Transformation and Healing, e estou ciente de que minha capacidade de mudar a situação em Gaza – hoje – é limitada. Farei tudo que estiver ao meu alcance para cessar o conflito, mas sei também que as pessoas permanecerão na ignorância, no sofrimento e acabarão transmitindo suas dificuldades, lembranças, sentimentos e formações mentais de uma geração a outra. Devido à natureza da impermanência e do interser, algum dia todos esses fios que estão vivos hoje, a poucas centenas de quilômetros daqui, entrarão em contato com os fios que estou tecendo e transformando neste momento: minha própria ignorância, minhas dificuldades, sentimentos e formações mentais. Quando este momento de contato chegar, seja nesta manifestação ou na próxima, quero que os fios que teço agora estejam preparados, repletos de alegria e com estabilidade suficiente para aceitar e transformar a confusão e a raiva, não importa de onde venham e que forma assumam. Só a guerra causa guerra, só alegria causa alegria, portanto quero cultivar minha alegria hoje, aqui, para que não se perca quando o amanhã chegar.

Inspirando, estou consciente do milagre da vida.
Expirando, sou grato pelo milagre da vida.

Esta tarde, em casa, em Jerusalém, sorrio.


Bar Zecharya
Harmonious Service of the Heart
Jerusalém, Israel
Planeta Terra

Fonte: Sangha Virtual Thich Nhât Hanh - Brasil

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

CONVITE - Nascimento da Sangha de Thich Nhât Hanh em Natal


Car@s amig@s,

Estão tod@s convidados para o encontro de apresentação da Sangha de Natal (Rio Grande do Norte) ligada a Thich Nhât Hanh (Thây), mestre Zen budista vietnamita fundador da Ordem do Interser e da prática do Budismo Engajado, cujos ensinamentos são difundidos pelo mundo através das atividades do Centro de Meditação de Plum Village, no Sul da França, de retiros realizados periodicamente em diversos continentes e de uma ampla bibliografia.

O encontro acontecerá na quarta-feira, 20 de agosto, às 21:30 hs. na Academia Central de Aikido, rua Professor João Ferreira de Melo, atrás do CCAB Sul. Para mais informações sobre como chegar, acessem: http://www.aikidorn.com.br

Na reunião os idealizadores do projeto da comunidade - Antonino Condorelli e Gabriel Lopes - apresentarão a mensagem de Thây, divulgarão material sobre seus ensinamentos, ilustrarão as suas próprias experiências de prática e discutirão junto aos interessados e as interessadas sobre como organizar a nascente Sangha. No encontro serão também apresentadas as atividades e os projetos da organização-não-governamental Coletivo Quan An, inspirada nos princípios do Budismo Engajado.

Os aguardamos tod@s e ficaremos muito felizes com a sua participação.

No Dharma,

Antonino Condorelli

terça-feira, 17 de junho de 2008

Relato de Thich Nhât Hanh sobre seu retorno ao Vietnã


Por Thich Nhât Hanh (Thây)


Recentemente eu tive a experiência de ver o poder de um despertar coletivo quando eu voltei ao Vietnã com uma grande Sangha depois de quase quarenta anos de exílio. Eu vim para o ocidente com quarenta anos. Foi em 1966 quando eu fui aos Estados Unidos pedir o fim dos bombardeios. Os Estados Unidos tinham meio milhão de soldados no Vietnã. No final da guerra, mais de cinqüenta mil deles tinham sido mortos ou perdidos. Muitos milhões de civis vietnamitas morreram durante a guerra. A terra, florestas e água foram poluídas, destruídas por venenos químicos. Naquele tempo, eu já era um conhecido professor e escritor no meu país. Eu desejava ficar nos Estados Unidos por três meses, viajar pelo país e falar sobre a necessidade de parar a luta. Mas depois de três meses, soube que o governo do Vietnã não me queria de volta porque eu tinha ousado pedir por paz.


Continua... Clique aqui e leia o texto na íntegra


Fonte: Sangha Virtual Thich Nhât Hanh Brasil

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Contribuições budistas para a construção de uma sociedade justa, democrática e civil


No recente retiro realizado no Vietnã, em maio desse ano, Thich Nhât Hanh (Thây) falou em um evento promovido pelas Nações Unidas sobre as contribuições budistas para a construção de uma sociedade justa, democrática e civil. O texto foi trazido e traduzido por Denise Kato da Sangha Plena Consciência de São Paulo, que participou do evento, e publicado originariamente no blog da Sangha Virtual de Thich Nhât Hanh no Brasil.


Clique aqui e leia o texto na íntegra.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Relato do Retiro Internacional sobre Budismo Engajado no Vietnã


Retransmitimos o relato de uma praticante brasileira que participou do Retiro sobre Budismo Engajado realizado pelo mestre Thich Nhât Hanh (Thây) e a Sangha de Plum Village, e na Conferência Internacional da Unesco (a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) sobre o mesmo tema acontecidos em maio passado em Hanói, Vietnã, em ocasião das comemorações do Vesak. O relato foi publicado originariamente e está disponível no blog da Sangha Virtual de Thich Nhât Hanh no Brasil: http://sangavirtual.blogspot.com.


Por Denise Kato (Sangha Plena Consciência, São Paulo)


Querido Thây,

Querida Sangha,


Foi com imensa gratidão e alegria que acompanhei a Sangha de Plum Village durante a visita de Thây ao Vietnã, em maio último. Foram 21 dias de viagem, divididos em três etapas: um retiro de plena consciência, a Conferência das Nações Unidas para o Dia do Vesak, e um tour precioso organizado pela Irmã Chân Không para conhecermos - ao vivo e em cores - o budismo engajado ensinado por Thây, principalmente nas áreas de assistência social e educação.


Hoje gostaria de contar a vocês um pouco sobre o Retiro Budismo Engajado, realizado ao longo de 6 dias em um hotel em Hanói, Vietnã. O evento contou com a presença de quase 400 pessoas de 41 países e foi conduzido por Thich Nhât Hanh e seus monásticos. Teoricamente, este retiro aconteceria em Plum Village em junho (o tradicional Spring Retreat, que ocorre a cada dois anos e conta com a presença praticamente certa de Mestres do Dharma e membros internacionais da Order of Interbeing (Ordem do Interser)), mas a participação de Thây como principal palestrante na Conferência da ONU em maio de 2008 fez com que o retiro fosse transferido para Hanói.

Poucas vezes vi Thây tão feliz. Apesar de ter sido autorizado pelo governo para entrar no Vietnã pela 3a. vez, seu exílio infelizmente continua e ele não tem trânsito livre no país. Imagino o quão especial deve ter sido para ele estar com sua Sangha em Hanói, comemorando o ano do Budismo Engajado, esse budismo que é a síntese de sua prática, sua vida.


Hanói, Hanói


Hanói é uma cidade peculiar. São 5 milhões de habitantes e (pasmem!) 4 milhões de motos. Apesar do pequeno número de automóveis, a poluição é tão intensa que muitos motociclistas usam máscaras de pano. Buzinas soam sem parar, pois há semáforos apenas nas avenidas principais. Neste caos, como fazer para atravessar a rua? Muito simples: 1) inspire, expire; 2) concentre toda sua atenção no bando de motociclistas que estão vindo para cima de você; 3) faça meditação andando (um pouco mais rápido, lógico) e não pare (sim, não pare, isto é muito importante). As motos vão começar a se desviar de você e seguir caminho. É incrível, mas é o procedimento local - e funciona!


Outro aspecto marcante é a calçada da área mais antiga da cidade (Old Quarter). O mais fácil é andar pela rua mesmo, pois as calçadas ficam lotadas de motos, camelôs de todos os tipos e até famílias inteiras fazendo suas refeições, com mesinhas improvisadas e banquinhos. Mas apesar de tanta pobreza e sujeira, não há sinais de violência e poucas vezes vi um povo tão gentil, solícito e sorridente. Quando penso no sofrimento, nas guerras, na injustiça social, moral e religiosa que abalaram o país, quando vejo a doçura nas palavras de Thây e no sorriso das crianças vietnamitas, entendo de onde vem a força da transformação, essa força que nos é transmitida por nossos ancestrais espirituais.


Sou Feliz, Aqui e Agora


Resquícios do velho Comunismo continuam presentes em Hanói. Pudemos senti-los até mesmo no hotel do retiro. Guardas fardados circulavam pelo pátio e alguns participantes até comentaram, brincando, que se sentiam em um verdadeiro ´´presídio´´, já que Thây havia pedido carinhosamente que não saíssemos do hotel naquela semana, da mesma forma como não sairíamos do mosteiro para fazer compras ou turismo.


Pessoalmente, percebo que tal ambiente me permitiu vivenciar algo totalmente novo. Em vez do silêncio, da tranqüilidade e das lindas paisagens que os mosteiros ou locais escolhidos para os retiros normalmente nos proporcionam, desta vez estávamos em uma cidade poluída e barulhenta, em um ambiente com pouca vegetação e muito árido. Sabe aqueles momentos em que algo na palestra do Dharma pegou fundo e você quer ficar sozinho, procurar algum campo bonito para ver o pôr do sol ou deitar na relva e sentir a brisa? Pois é, lá não tinha nada disso. No começo, confesso que foi um pouco angustiante, mas aí é que entra a beleza da prática, que provoca transformações e permite que você seja realmente feliz, no aqui e no agora. Tive que praticar mesmo a escuta atenta para conseguir ouvir os pássaros e insetos, olhar profundamente para perceber a beleza que havia ali. E, lentamente, a cor viva das poucas flores do lugar foi se revelando, o verde intenso das árvores e o mar de sorrisos dos funcionários do hotel e de pessoas tão queridas que estavam totalmente presentes ali, naquele momento.


Impermanência


Na véspera da data marcada para a tão esperada caminhada com Thây pelo Lago Hoan Kiem, no centro de Hanói, fomos surpreendidos pela notícia de que deveríamos estar no local às 5:30 da manhã, e não às 8:30, conforme a programação. Não foi preciso dizer nada, estava claro para todos que fora a forma encontrada pelo governo para minimizar o ''impacto'' de Thây na população local.


O Lago ficava um pouco distante do hotel, portanto a Sangha se dividiu em grupos. No meu ônibus estava a Irmã Dang Nghiem, que nos contou que, para Thây, aquela caminhada era um presente da Sangha para o Vietnã e para os vietnamitas. Naquela manhã, a Sangha fluiu como um rio, como um só corpo, e entendi as palavras de Thây ao ver o carinho, as profundas reverências e as lágrimas nos rostos de tantos vietnamitas que nos aguardavam na região do Lago. Apesar da guerra, do regime comunista e da opressão religiosa no passado, o Dharma e o Budismo Engajado de Thây continuam vivos.

As Palestras do Dharma

Thây nos brindou com palestras diárias do Dharma e em cada uma delas contou um pouco sobre a história do Budismo Engajado, suas origens e toda a perseverança, diligência e compaixão que permitiram que os esforços iniciais da School of Youth for Social Services, fundada por ele, tivessem continuidade até hoje.


Fonte: Sangha Virtual Thich Nhât Hanh Brasil

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Budistas que ficam em pé


Por Matthew Weiner*


Para ler o original deste texto em inglês,
clique aqui.


Os ocidentais tendem a pensar no Budismo como uma religião passiva, centrada na meditação silenciosa e o crescimento espiritual pessoal. A imagem do Buda sentado com um sorriso reforça esta percepção.

Portanto, embora o Ocidente esteja muito familiarizado com o conflito e o ativismo em outras religiões, a "revolução açafrão" na Birmânia e a "revolta das altas altitudes" no Tibete representaram uma surpresa para muitos.

Na realidade, existe uma saudável tradição de ativismo budista. Muitas vezes chamada "Budismo Engajado", um termo cunhado por Thich Nhât Hanh, monge Zen vietnamita, esta tradição incentiva uma critica budista das estruturas políticas e económicas e outros esforços para aliviar o sofrimento social.

No Sri Lanka, o Movimento Sarvodaya trabalha em mais de mil aldeias para empoderar os pobres. Maha Ghosananda, um reverenciado monge budista cambojano, guiou milhares de pessoas em caminhadas pacíficas através dos "campos da morte" em busca de reconciliação com os Khmeres Vermelhos. O próprio Nhât Hanh apelou aos governos do Vietnã do Norte e do Sul para que parassem a sua recíproca carnificina.

Na Tailândia, o "Monge da Floresta" Prachak "ordenou" árvores da floresta colocando hábitos de monge ao redor delas para salvá-los dos madeireiros. O movimento Tzu-Chi, com sede em Taiwan, conta com milhares de voluntários que respondem aos desastres naturais e os provocados pelo homem.

O Reverendo Nakagaki da Igreja Budista de Nova Iorque realiza uma cerimónia anual no aniversário do bombardeio de Hiroshima. Após o 11 de setembro, ele lembrou a utilização de campos de internação por parte da América na Segunda Guerra Mundial e apelou a todos os budistas para que ajudassem aos cidadãos muçulmanos. Nakagaki costuma mostrar uma imagem do Buda em pé.

Ele diz que o Budismo é para cultivarmos uma mente pacífica, mas não para ficarmos sentados apenas.

Os ativistas budistas citam as escrituras para sustentar o seu argumento de que estão simplesmente seguindo o que o Buda ensinou. Em uma delas, o Buda enfrenta um assassino que está prestes a matar a própria mãe; em outra, para uma guerra entre duas tribos.

Um terceiro exemplo é a idéia do Bodhisattva: um ser que trabalha incansavelmente para salvar todos os outros seres do sofrimento.

Uma das origens da falta de compreensão do Budismo por parte do Ocidente é a nossa fascinação com a meditação. Enquanto a meditação é tão fundamental para o Budismo como a oração o é para a Cristandade, o Judaísmo e o Islã, isto não exclui a ação, tanto quanto não o faz a oração.

Na verdade, o foco budista na meditação enfatiza um estado da mente que pode conduzir a uma determinada forma de ativismo – meditação andando e resistência não violenta - como demostraram Maha Ghosananda no Camboja ou os monges da Birmânia.

Os equívocos continuam com o termo "monge budista". "Monge" é um termo cristão para designar ascetas religiosos que geralmente praticam a sua fé em isolamento do mundo. A palavra vem do grego monos, "sozinho".

Mas Bikkhu, o termo budista para designar o monge, se traduz literalmente como "mendigo".

Os Bikkhus ensinam e orientam a comunidade leiga e mendigam a sua comida. Desde os começos da prática budista, os Bikkhus sempre tiveram uma profunda relação de reciprocidade com o seu mundo leigo - incluindo o governo - como professores e modelos espirituais. Eles sempre atuaram dentro do mundo.

Outra noção que não se sustenta ao escrutínio histórico é que todos os ativistas budistas são militantes pacifistas; aliás, há quem argumente que nunca existiu um guerra budista. Mas há também lamentáveis exemplos ao longo da história de participação budista em opressão e violência governamental.

No entanto, é pelo ativismo pacífico que os monges budistas são mais conhecidos e respeitados. O fato que tenham se oposto à injustiça na Birmânia e no Tibete não deveria nos surpreender; o fato de eles não terem combatido a violência com a violência deve ser louvado.


* Matthew Weiner é diretor de programas do Interfaith Center of New York.


Fonte: International Herald Tribune, edição de 01/04/2008

quinta-feira, 13 de março de 2008

A Paz Começa Aqui - Terceira Parte


Palestinos e israelenses escutando-se uns aos outros


Por
Thich Nhât Hanh*

Nós temos nosso próprio território de paz dentro de nós, que é composto de cinco reinos - nosso corpo, nossos sentimentos, nossas percepções, formações mentais e consciência. Temos que trazer paz ao nosso corpo e remover seus conflitos, tensão e dor. Existem também muitas tempestades, aflições e dor no reino de nossas emoções. Temos que aprender a trazer a paz para esse território de sentimentos e emoções.

Quando eu olho para a minha caneta, eu tenho uma percepção dela. Se minha percepção corresponde fa realidade da caneta ou não é uma questão real - por que vivemos com muitas percepções errôneas. Acreditamos que somos os únicos a sofrer, que os outros estão nos fazendo sofrer e que eles não sofrem de jeito nenhum. Este é um tipo de percepção errônea. Se acharmos tempo para inspirar e expirar e encontrar a paz em nós mesmos, poderemos ver que as outras pessoas também sofrem enormemente, assim como nós, e precisam ser ajudadas, não punidas. Por isso a paz não poderá ser possível sem a remoção dos elementos de percepção. Quando nossas percepções nascem da raiva e do medo, elas não podem ser chamadas de percepções corretas. Por sua vez, nossas percepções erradas dão origem ao medo, à raiva e ao desespero, que podem nos levar a cometer atos de violência, punição e morte. Por causa disso, é muito importante praticar a meditação sentada e andando, para podermos trazer paz aao reino das nossas percepções e remover os elementos errôneos.

Continua... (Para ler o texto na íntegra, clique aqui)

* Trecho do livro Peace Begins Here: Palestinians and Israelis Listening to Each Other, publicado pela Parallax Press.


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quinta-feira, 4 de outubro de 2007

A Paz Começa Aqui


Palestinos e israelenses escutando-se uns aos outros


Por Thich Nhât Hanh*

Eu vivi durante duas guerras do Vietnã e sei o que é a guerra - você nunca sabe se estará vivo esta tarde ou à noite. Existe medo, raiva e desespero. Se você não conseguir lidar com essas coisas, não conseguirá sobreviver. É por isso que a nossa prática é fazer um pic-nic aqui e agora, sem esperar. É possível para os israelenses e palestinos fazerem um pic-nic para que todos possam aproveitar cada momento? Acho que sim.

O pic-nic pode estar acontecendo agora mesmo, neste exato momento. Uma bomba pode explodir hoje, mas, mesmo assim, faremos nosso pic-nic. Estamos todos juntos sentados aqui. Não há nada a fazer. Apenas sentir o prazer de estarmos sentados, sem preocupação - por que sentar-se é um prazer. Ouvir alguém falar também é um prazer. Não precisamos aprender nada, passar em nenhuma prova ou ter diploma. Apenas sentamos e aproveitamos a inspiração e a expiração, ouvindo alguém falando sobe paz. Não é minha intenção dar a ninguém idéias sobre a paz; vocês já estão cheios de idéias. Nossa intenção é sermos paz, aqui, nesse presente instante.

Continua...



Para ler a primeira parte do texto na
íntegra, clique aqui.

Para ler a segunda parte do texto na
íntegra, clique aqui.

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sábado, 22 de setembro de 2007

Por Favor, Chama-me Pelos Meus Nomes Verdadeiros


Por Thich Nhât Hanh, 1988

Eu tenho um poema para você. Este poema é sobre três pessoas. A primeira é uma menina de doze anos, uma entre os boat people cruzando o Golfo do Sião. Ela foi estuprada por um pirata e se jogou no mar. A segunda pessoa é o pirata, que nasceu em uma aldeia distante da Tailândia. E a terceira pessoa sou eu.

Eu estava muito irritado, mas não pude tomar partido contra o pirata. Se pudesse teria sido mais fácil, mas não pude. Percebi que se eu tivesse nascido nesta aldeia e tivesse vivido uma vida similar – do ponto de vista econômico, educacional, etc. – é quase certo que seria hoje aquele pirata. Portanto, não é fácil tomar partido. A partir do meu sofrimento, escrevi esse poema. É chamado Por Favor, Chama-me Pelos Meus Nomes Verdadeiros, por que eu tenho muitos nomes e quando você me chamar por qualquer um deles, terei que dizer “sim”.


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(Clique aqui e leia na íntegra este texto clássico considerado uma referência do Budismo Engajado)

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quarta-feira, 1 de agosto de 2007

O que diria a Osama Bin Laden. Entrevista a Thich Nhât Hanh


Na edição de outubro de 2001, logo depois dos atentados terroristas de 11 de setembro daquele ano, a revista norte-americana Changemakers Journal publicou uma entrevista ao mestre Zen vietnamita Thich Nhât Hanh, conhecido internacionalmente pelo seu trabalho em prol da paz e os direitos humanos e pelos seus ensinamentos e escritos sobre a arte do viver com plena consciência. No diálogo com a jornalista Anne A. Simpkinson, Thây (como é afetuosamente chamado Thich Nhât Hanh pelos seus seguidores) reflete sobre como lidar com a raiva, a violência e o ódio presentes dentro de nós e no mundo ao nosso redor.

Clique aqui e leia a entrevista traduzida ao português na íntegra

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