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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Petição em prol do povo da Birmânia

Avaaz.org - The World in Action
Amig@s,

A Prêmio Nobel da Paz e ícone pró-democracia da Birmânia, Aung San Suu Kyi foi sentenciada esta semana a mais um ano e meio de prisão.


O caso da Aung San Suu Kyi é só uma fração da brutalidade do regime militar da Birmânia: são 40 anos de assassinatos, tortura, estupro em massa e trabalho escravo.

Avaaz está lançando um chamado para o Conselho de Segurança da ONU pedindo a investigação da junta militar por crimes contra a humanidade. Um veredicto culpado poderá indiciar generais de alto escalão. Clique abaixo para assinar a petição e ver o banner que será colocado na frente da ONU:

http://www.avaaz.org/po/jail_the_generals

Dentro dos próximos meses o Reino Unido e Estados Unidos terão a poderosa presidência do Conselho de Segurança da ONU. Agora é o momento exato para pressionar o Conselho de Segurança a agir.

A pressão para a investigação e julgamento dos generais Birmanês está aumentando. Um relatório recente feito para Universidade de Harvard por juristas globais sênior, revelam que a ONU já documentou secretamente o recrutamento de dezenas de milhares de crianças soldado, mais de um milhão de refugiados e populações deslocadas, numerosos casos de assassinatos, tortura, estupro em massa e a expulsão de 3000 aldeias de minorias étnicas – tantos casos quanto Darfur. O povo da Birmânia precisa urgentemente de apoio internacional, participe do chamado para levar os generais ao tribunal:

http://www.avaaz.org/po/jail_the_generals

A comunidade da Avaaz apoiou o povo da Birmânia em momentos críticos como a devastação do ciclone Nargis, a forte repressão à marcha dos monges em 2007 e apelando para a libertação dos presos políticos. Com o nosso apoio global teremos a chance de influenciar o órgão mais poderoso da lei internacional - o Conselho de Segurança da ONU - e finalmente levar justiça para a Birmânia. Assine a petição e depois encaminhe este alerta para seus amigos e familiares:

Com esperança,

Alice, Ricken, Brett, Graziela, Paula, Paul, Pascal e toda a equipe Avaaz

Fontes:

Suu Kyi, símbolo de esperança democrática e ameaça à junta militar de Mianmar:
http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5jxUwQws5D0TGFzfEEZ45o1UtlT8w

Corte prolonga prisão de líder opositora de Mianmar:
http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,corte-prolonga-prisao-de-lider-opositora-de-mianmar,416980,0.htm

Junta Militar afasta Suu Kyi das eleições de 2010:
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/530433

Conselho de Segurança terá reunião de emergência sobre Suu Kyi:
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1262848-5602,00-CONSELHO+DE+SEGURANCA+TERA+REUNIAO+DE+EMERGENCIA+SOBRE+SUU+KYI.html

quarta-feira, 20 de maio de 2009

6 dias para libertar Aung San Suu Kyi


Car@s amig@s,

Avaaz.org - The World in ActionAung San Suu Kyi, líder pró-democracia e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, acabou de receber novas acusações dias antes do fim do cumprimento da sua pena de 13 anos de prisão. Ela e outros milhares de monges e estudantes foram presos por desafiarem pacificamente a ditadura brutal de seu país, a Birmânia (Mianmar).

Mesmo correndo o risco de sofrer uma retaliação dos militares, os ativistas da Birmânia estão organizando um movimento global pela libertação de Aung San Suu Kyi e de todos os prisioneiros políticos do país. Nós temos apenas 6 dias para ajudá-los a conseguir uma quantidade gigantesca de assinaturas, que serão apresentadas para o Secretário Geral da ONU – Ban Ki Moon semana que vem. A petição pede que ele dê prioridade máxima à libertação dos presos, impondo a libertação como condição para qualquer engajamento com a junta militar. Clique no link para assinar e encaminhe este email para seus amigos, só com um grande número de assinaturas poderemos garantir a libertação de Aung San Suu Kyi e de todos os presos políticos da Birmânia:

http://www.avaaz.org/po/free_aung_san_suu_kyi

No dia 14 de maio, Aung San Suu Kyi foi enviada para o presídio acusada de permitir a entrada de um homem norte-americano em sua casa, violando assim sua prisão domiciliar. A acusação é absurda pois a casa é cercada por guardas militares que são justamente os responsáveis pela guarda do local. Está claro que as acusações recentes são um pretexto para mantê-la presa durante as eleições de 2010.

O regime militar da Birmânia é conhecido pela repressão violenta a qualquer ameaça ao controle militar total. Milhares de pessoas estão presas em condições desumanas, onde não há atendimento médico e onde a prática de tortura e outros abusos são freqüentes. Há uma repressão violenta a grupos étnicos e mais de 1 milhão de pessoas já fugiram do país.

Aung San Suu Kyi é a maior ameaça ao poder da junta militar. Ela é a maior líder do movimento pró-democracia e teve uma vitória esmagadora sobre a junta nas eleições de 1990, sendo portanto a candidata mais forte às eleições programadas para o ano que vem. Ela tem sido presa continuamente desde 1988 – e apesar de estar sob prisão domiciliar, ela não tem contato nenhum com o mundo exterior. No presídio Insein onde ela foi levada semana passada não existe atendimento médico o que significa um enorme risco para as suas graves condições de saúde.

Fontes dizem que o movimento global que está emergindo para pressionar a ONU já está intimidando a junta militar. Mais de 160 exilados da Birmânia e grupos de solidariedade em 24 países estão participando desta campanha. O Secretário Geral da ONU e líderes regionais chaves que estão em contato com o regime militar da Birmânia podem influenciar o destino destes presos políticos. Semana passada o Secretário Geral Ban Ki Moon disse: “Aung San Suu Kyi e todos aqueles que podem contribuir para o futuro do país devem ser libertos”. Vamos surpreender o Ban Ki Moon com um chamado global massivo, pedindo que ele aja de acordo com as suas palavras e faça algo para acabar com a brutalidade militar, assine agora a petição:

http://www.avaaz.org/po/free_aung_san_suu_kyi

Assim como a libertação do Nelson Mandela, a liberdade de Aung San Suu Kyi depois de anos de uma detenção injusta, poderá representar um novo começo para a Birmânia, trazendo a esperança da democracia. Esta semana poderá se tornar um momento histórico – vamos mostrar nosso apoio à Suu Kyi e aos corajosos homens e mulheres que lutam pela democracia – demande sua libertação já!

http://www.avaaz.org/po/free_aung_san_suu_kyi

Com esperança,

Alice, Brett, Ricken, Pascal, Graziela, Paula e toda a equipe Avaaz


Para saber mais sobre Aung San Suu Kyi leia:

Prisão onde Suu Kyi é julgada tem apelido de "fossa do inferno":
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1159335-5602,00-PRISAO+ONDE+SUU+KYI+E+JULGADA+TEM+APELIDO+DE+FOSSA+DO+INFERNO.html

Perfil: Aung San Suu Kyi é símbolo de resistência pacífica:
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/05/14/perfil-aung-san-suu-kyi-simbolo-de-resistencia-pacifica-755859903.asp

Ban está alarmado com a acusações contra Suu Kyi em Mianmar:
http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5jr0GHlT32KuhsqxWbck6Dk4Ug5-w

Líder da Oposição democrática da Birmânia enfrenta julgamento:
http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Lider-da-Oposicao-democratica-da-Birmania-enfrenta-julgamento.rtp&article=220465&visual=3&layout=10&tm=7

Começa julgamento de líder pró-democracia de Mianmar:
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/05/18/comeca-julgamento-de-lider-pro-democracia-de-mianmar-755911485.asp

Suu Kyi já não se fazem heroínas assim:
http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1235851&seccao=Leon%EDdio%20Paulo%20Ferreira&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Juntos mandamos 2 milhões de dólares para as vítimas do ciclone na Birmânia


Recebemos e divulgamos a seguinte informação da organização-não-governamental internacional Avaaz sobre como chegou aos monges birmaneses, despistando o regime militar de Mianmar, e como foi utilizado o dinheiro arrecadado pela campanha internacional de ajuda humanitária para as vítimas do Ciclone Nargis.


Amig@s,

Após o ciclone Nargis devastar a Birmânia/Mianmar deixando mais de 100.000 mortos, membros da Avaaz doaram mais de $2 milhões de dólares para o esforço humanitário no país. Nossa comunidade doou mais que muitos países e o dinheiro não foi barrado nas fronteiras como o deles, pois enviamos os fundos diretamente para os grupos locais, que atuam sem a permissão do governo. Para ver o relatório completo acesse:

http://www.avaaz.org/po/burma_aid_report


Fonte: Avaaz

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Brasil pela Birmânia: Solidariedade com as vítimas do ciclone Nargis


O Centro Buddhista Nalanda (uma entidade registrada, civil e sem fins lucrativos, há 20 anos atuando no Brasil), em associação com o Buddhist Aid Trust (entidade sem fins lucrativos registrada na Inglaterra), o Myanmar Cyclone Recovery Fund e nossos amigos birmanêses em Londres de um dos maiores portais da tradição buddhista, o Nibbana.com, lança uma campanha brasileira para recolher fundos para os milhares de desabrigados devido à tragédia do ciclone Nargis.

Nossa campanha se chamará “Brasileiros pela Birmânia/Brazilians for Burma Recovery” e conta com a ajuda de todos vocês que lêem está mensagem. Por favor, contribuam, ainda que 5 ou 10 reais. Cada centavo depositado será repassado ao Buddhist Aid Trust e entregue diretamente às vítimas do ciclone, e independentemente da religião e etnia dos envolvidos. Ou seja, não é apenas para buddhistas, mas para todos que sofrem as terríveis perdas humanas e materiais advindas do ciclone.

Participe dessa campanha humanitária, doando e divulgando!

Aqueles que quiserem fazer suas contribuições diretamente no site da Buddhist Aid Trust, via paypal ou cartão de crédito podem acessar seu site. Mas para facilitar os moradores no Brasil, o Centro Buddhista Nalanda disponibiliza uma conta específica para esse fim. Todos os depósitos nessa conta serão repassados integralmente para nossos amigos da Buddhist Aid Trust, que trabalhará junto com respeitáveis organizações não-governamentais e outros sistemas de distribuição diretamente para as vítimas envolvidas. Não é preciso nos avisar do depósito, pois essa é uma conta exclusiva para esse fim.

Vamos nos unir nessa tragédia mundial. Mesmo que sejamos capazes de doar apenas um pouco, qualquer quantia certamente salvará vidas. Lembrem-se, 1/3 da população da Birmânia vive abaixo da linha de pobreza. Um professor ganha 90 reais ao mês! Qualquer valor que vocês puderem ajudar, certamente conta!

Como no tsunami de 2004, as notícias sobre os danos do ciclone Nargis chegam em pedaços. Começou com 350 mortos. Passou para 4.000. Aí notícias chegaram de que poderia ser mais de 10.000. Chegou-se então aos 22.000. Desde 7 de maio se fala que mais de 100.000 morreram quando o ciclone Nargis bateu nas costas da Birmânia (Myanmar) na última sexta-feira. No Tsunami de 2004 foram 230.000 para todos os países envolvidos. Ventos que sozinhos causaram feridas e queimaduras nos que sobreviveram. Ventos que levantaram um tsunami que desfigurou todo o sul do país, no maior desastre natural da história recente da Birmânia.

Amigos! 6.000 pessoas morreram na Thailândia durante o tsunami de 2004 (muito pouco comparado com Indonésia, Índia e Sri Lanka). Na Birmânia, agora, são mais de 100.000! Todos podem imaginar o que isso significa.

Não há eletricidade, água ou transportes nas regiões afetdas. Estima-se que um número enorme irá morrer no pós-ciclone por malária, dengue, febre amarela, fome e desidratação. O mundo inteiro e todas as organizações humanitárias estão se juntando para oferecer ajuda.

Doem, divulguem entre amigos, sites e listas. E aqueles que possuírem sites de entidades que queiram dar seu apoio nominal à campanha, ou quiserem mais esclarecimentos entrem em contato com nosso email. Endereço oficial da campanha brasileira:

Campanha “Brasileiros pela Birmânia/Brazilians for Burma Recovery“

http://nalanda.org.br/seva/brasil-pela-birmania

Contribuições
Conta Exclusiva para as Vítimas do Ciclone Nargis na Birmânia/Myanmar:

Banco Bradesco
agência: 3432-0
conta corrente: 18.736-4
em nome de Centro de Estudos Buddhistas Nalanda

Patrocinadores:
Centro Buddhista Nalanda
Buddhist Aid Trust
Myanmar Cyclone Recovery Fund
Nibbana.com

Apoiam a Campanha:
Colegiado Buddhista Brasileiro
Templo Budista Apucarana Nambei Honganji
Centro Zen Daissen Zendo

Não deixe de participar nesse ato humanitário. Qualquer quantia representa mais dias de vida para alguém.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Ajuda ao povo da Birmânia



Retransmitimos o seguinte e-mail, recebido da ONG internacional Avaaz, convidando tod@s a contribuir na ajuda ao martirizado povo de Mianmar.


Querid@s amig@s,

Um ciclone devastador atingiu Mianmar (antiga Birmânia) deixando mais de 80.000 mortos, 40.000 desaparecidos e 1 milhão de desabrigados.

A culpa não foi somente do desastre natural, mas também do desastre político.

A junta militar falhou em avisar a população da chegada do ciclone podendo salvar milhares de vidas. Agora, estão também bloqueando a entrada de ajuda humanitária que é tão necessária nesse momento de caos e destruição. A junta militar está agindo de maneira irresponsável, deixando os frágeis sobreviventes da tragédia morrerem de fome e doenças enquanto comida, água e medicamentos estão do outro lado da fronteira esperando para entrar.

Mianmar precisa de ajuda humanitária urgente. Por isso buscamos uma alternativa mais rápida e prática para enviar essa ajuda: a Associação Internacional de Monges de Mianmar/Birmânia estará recebendo as doações feitas pelo nosso site. O dinheiro será enviado diretamente para os mosteiros nas regiões afetadas que, na maioria dos lugares, representam o único abrigo e apoio á comunidade. Assim, a junta militar de Mianmar não tem como impedir a entrada nem desviar a verba para seus próprios bolsos. Os monges de Mianmar representam a força do movimento pró-democracia que desde outubro do ano passado está questionando a corrupção e brutalidade da ditadura militar. Ao enviar dinheiro para eles, estaremos dando tanto um auxílio imediato ás vítimas como também estaremos fortalecendo um grupo chave na luta pela justiça social em Mianmar. Veja a campanha:

https://secure.avaaz.org/po/burma_cyclone/8.php?cl=86883965

Fazer uma doação aos monges é a melhor maneira de enviar uma ajuda direta ao povo de Mianmar. Governos e agências internacionais, correm o risco de não poderem entrar no país ou ver sua assistência desviada pela junta. Os monastérios já estão na linha de frente do apoio á população, eles já estão dando abrigo, alimento e apoio ás vítimas. A Associação Internacional dos Monges de Mianmar irá enviar dinheiro diretamente para cada monastério através de suas redes já existentes e que não são controladas pelo governo.

Ano passado mais de 800.000 pessoas do mundo todo demonstraram apoio ao povo de Mianmar quando eles saíram ás ruas para protestar a ditadura que levou o país à miséria, corrupção e repressão. Naquele momento o governo não perdeu tempo e rapidamente enviou o exército, esmagando o movimento pró-democracia e assassinando violentamente milhares de pessoas. Agora, com esse desastre natural terrível, o governo está agindo lentamente, deixando as vítimas do ciclone morrerem de fome e doenças, sem água potável ou abrigo.

Os monges não receberão ajuda do governo ou de agências humanitárias internacionais, mas eles tem mais respeito e confiança da população do que ambos. E nós podemos enviar ajuda diretamente a eles.

Clique abaixo para fazer uma doação ou divulgar a notícia sobre essa campanha. Nossa página de doação é completamente segura.

https://secure.avaaz.org/po/burma_cyclone/8.php?cl=86883965


Com esperança,

Ricken, Ben, Graziela, Paul, Iain, Veronique, Pascal, Galit e toda a equipe Avaaz

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Veja as notícias:

Ajuda internacional chega aos poucos e corpos se acumulam após ciclone em Mianmar - O Globo Online
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2008/05/08/ajuda_internacional_chega_aos_poucos_corpos_se_acumulam_apos_ciclone_em_mianmar-427276200.asp

Após ciclone, Mianmar ainda reluta em aceitar auxílio internacional - Último Segundo http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/05/08/apos_ciclone_mianmar_ainda_reluta_em_aceitar_auxilio_internacional_1303154.html

ONU culpa falta de alerta por 15 mil mortes em ciclone em Mianmar - Folha Online
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u398947.shtml

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Budistas que ficam em pé


Por Matthew Weiner*


Para ler o original deste texto em inglês,
clique aqui.


Os ocidentais tendem a pensar no Budismo como uma religião passiva, centrada na meditação silenciosa e o crescimento espiritual pessoal. A imagem do Buda sentado com um sorriso reforça esta percepção.

Portanto, embora o Ocidente esteja muito familiarizado com o conflito e o ativismo em outras religiões, a "revolução açafrão" na Birmânia e a "revolta das altas altitudes" no Tibete representaram uma surpresa para muitos.

Na realidade, existe uma saudável tradição de ativismo budista. Muitas vezes chamada "Budismo Engajado", um termo cunhado por Thich Nhât Hanh, monge Zen vietnamita, esta tradição incentiva uma critica budista das estruturas políticas e económicas e outros esforços para aliviar o sofrimento social.

No Sri Lanka, o Movimento Sarvodaya trabalha em mais de mil aldeias para empoderar os pobres. Maha Ghosananda, um reverenciado monge budista cambojano, guiou milhares de pessoas em caminhadas pacíficas através dos "campos da morte" em busca de reconciliação com os Khmeres Vermelhos. O próprio Nhât Hanh apelou aos governos do Vietnã do Norte e do Sul para que parassem a sua recíproca carnificina.

Na Tailândia, o "Monge da Floresta" Prachak "ordenou" árvores da floresta colocando hábitos de monge ao redor delas para salvá-los dos madeireiros. O movimento Tzu-Chi, com sede em Taiwan, conta com milhares de voluntários que respondem aos desastres naturais e os provocados pelo homem.

O Reverendo Nakagaki da Igreja Budista de Nova Iorque realiza uma cerimónia anual no aniversário do bombardeio de Hiroshima. Após o 11 de setembro, ele lembrou a utilização de campos de internação por parte da América na Segunda Guerra Mundial e apelou a todos os budistas para que ajudassem aos cidadãos muçulmanos. Nakagaki costuma mostrar uma imagem do Buda em pé.

Ele diz que o Budismo é para cultivarmos uma mente pacífica, mas não para ficarmos sentados apenas.

Os ativistas budistas citam as escrituras para sustentar o seu argumento de que estão simplesmente seguindo o que o Buda ensinou. Em uma delas, o Buda enfrenta um assassino que está prestes a matar a própria mãe; em outra, para uma guerra entre duas tribos.

Um terceiro exemplo é a idéia do Bodhisattva: um ser que trabalha incansavelmente para salvar todos os outros seres do sofrimento.

Uma das origens da falta de compreensão do Budismo por parte do Ocidente é a nossa fascinação com a meditação. Enquanto a meditação é tão fundamental para o Budismo como a oração o é para a Cristandade, o Judaísmo e o Islã, isto não exclui a ação, tanto quanto não o faz a oração.

Na verdade, o foco budista na meditação enfatiza um estado da mente que pode conduzir a uma determinada forma de ativismo – meditação andando e resistência não violenta - como demostraram Maha Ghosananda no Camboja ou os monges da Birmânia.

Os equívocos continuam com o termo "monge budista". "Monge" é um termo cristão para designar ascetas religiosos que geralmente praticam a sua fé em isolamento do mundo. A palavra vem do grego monos, "sozinho".

Mas Bikkhu, o termo budista para designar o monge, se traduz literalmente como "mendigo".

Os Bikkhus ensinam e orientam a comunidade leiga e mendigam a sua comida. Desde os começos da prática budista, os Bikkhus sempre tiveram uma profunda relação de reciprocidade com o seu mundo leigo - incluindo o governo - como professores e modelos espirituais. Eles sempre atuaram dentro do mundo.

Outra noção que não se sustenta ao escrutínio histórico é que todos os ativistas budistas são militantes pacifistas; aliás, há quem argumente que nunca existiu um guerra budista. Mas há também lamentáveis exemplos ao longo da história de participação budista em opressão e violência governamental.

No entanto, é pelo ativismo pacífico que os monges budistas são mais conhecidos e respeitados. O fato que tenham se oposto à injustiça na Birmânia e no Tibete não deveria nos surpreender; o fato de eles não terem combatido a violência com a violência deve ser louvado.


* Matthew Weiner é diretor de programas do Interfaith Center of New York.


Fonte: International Herald Tribune, edição de 01/04/2008

terça-feira, 8 de abril de 2008

Sobre o Tibete, a Birmânia e o Darfur


Para ler a versão original em inglês deste texto, clique aqui.


Solidarizo-me com Sua Santidade o Dalai Lama no Tibete, com as monjas e os monges birmaneses e com o povo oprimido do Darfur, no Sudão. No entanto, não assumo uma posição de defesa nem de oposição à China. Meus pés estão plantados em cada país a partir da compreensão e da experiência política e social da opressão.

Muitos falaram da relação entre o Tibete, a Birmânia e o Darfur que estão todos sofrendo por mão da China. Muitos provaram que o padrão de respeito dos direitos humanos por parte da China é deplorável nestes países. No entanto, o que vejo como a interdependência entre a Birmânia, o Darfur e o Tibete não é a China como país, o seu governo ou o povo chinês. O que vejo é o mundo olhando para os direitos humanos do lado de fora. O que vejo é o mundo criando mais um inimigo, uma situação de “eles e não nós”.

Nos ensinamentos de Buda, não há inimigos. Tudo o que encontramos são os ensinamentos; tudo o que vivemos é o dharma. Assim, enquanto a China, à luz dos Jogos Olímpicos de 2008, é hoje o símbolo da atrocidade e a opressão humana, também a América e outros países encontram-se muitas vezes no lugar dos opressores dependendo das circunstâncias. A cada momento estamos vivendo a nossa interdependência como seres humanos de diferentes lugares no continuum do desejável e do indesejável.

Quando os Jogos Olímpicos terminarem e o boicote do comércio chinês continuar, o trabalho terá começado na terra onde vivemos. Enquanto a tocha dos Jogos Olímpicos de 2008 estiver acesa em todo lugar, poderemos utilizar aquele fogo como um símbolo para exigirmos o fim dos maus-tratos e os massacres de todos os seres humanos. Poderemos usar esse fogo para promover o reencontro de milhões de pessoas expulsas das suas pátrias. Poderemos utilizar a tocha para manifestar a conexão que todos nós temos enquanto seres vivos, apesar das nossas ilusões de território. O fogo não pertence à China.


Zenju Earthlyn Manuel – Diretor Executivo do Buddhist Peace Fellowship


Fonte: Buddhist Peace Fellowship

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

PELA PAZ E A JUSTIÇA

Clique aqui e aja diretamente em apoio à luta democrática e não-violenta dos monges e monjas da Birmânia

Divulgamos o texto integral do discurso que foi pronunciado pelo Monge Gensho, fundador e responsável oficial do Colegiado Buddhista Brasileiro, no evento ecumênico em favor da paz e justiça em Mianmar que ocorreu na quinta-feira, 25 de Outubro, no Templo Busshinji de São Paulo.

Participaram do evento, entre outros, líderes de várias escolas budistas presentes no Brasil, representantes da sociedade civil e líderes políticos.

Manifesto Buddhista em Favor da Paz e Justiça

Senhoras e senhores, nossos estimados irmãos e irmãs unidos em paz,

Aqui estamos, unidos sob a honrosa bandeira da Compreensão e Fraternidade, além das diferenças, além dos racionalismos e conceitos rígidos, além das superficialidades e hipocrisias sociais, políticas ou religiosas, prontos para nos manifestar fortemente a favor da dignidade humana, do valor à vida e do direito à liberdade.

Seja nas vielas de favelas e guetos, seja nas ruas e moradas pobres ou abastadas , não existe momento mais desafiador para o espírito humano do que aquele terrível instante, quando toda a dignidade, amor e direitos essenciais são retirados de homens ou mulheres, crianças ou velhos, deixando-os despojados da simples e mais valiosa dádiva na sociedade: a justiça democrática e o respeito à integridade individual.

Esta manifestação é feita em prol da vida humana. A prática buddhista se fundamenta no reconhecimento cabal de que as bases psico-emocionais do ódio, da ambição, da violência e da ignorância - extremamente insalubres e destruidoras da vida e do bem-estar - não podem jamais ser transformadas e curadas sem a compreensão de que as injustiças sofridas por um indivíduo não podem ser valoradas em função de distâncias ou fronteiras; cada ação injusta na Terra representa uma vida desrespeitada, seja esta humana (independentemente se sua nacionalidade, cor, credo ou condição social) ou mesmo de outros seres no planeta. Essa é a essência da paz e da compreensão: a sabedoria de praticar o respeito aos seres e ao mundo, sem imaginar que este respeito somente nos fala se ele estiver sendo praticado em nossa comunidade, em nosso país, em nossa vizinhança. Estamos todos integrados, somos todos parte de um processo crucial de crescimento e aprendizagem espiritual - esta é uma verdade inalienável.

O buddhismo, como religião constituída, sustenta-se na prática constante de uma ética da consciência, no exercício permanente de compreensão e compaixão profunda, e no respeito à pluralidade de posturas e convicções. Mas não é uma religião condescendente ao fanatismo, à corrupção política ou social, e ao supremo domínio do poder militar, do terrorismo de estado.

Desta forma, o Colegiado Buddhista Brasileiro, entidade pluralista e multidisciplinar que procura contribuir para o diálogo e a cooperação entre os vários líderes, orientadores e praticantes buddhistas pertencentes às suas diversas escolas tradicionais, vem a público manifestar seu repúdio ao tratamento degradante, criminoso e trágico que o governo ditatorial de Myanmar está perpetrando neste país. Neste momento, monges e civis estão sofrendo mortes, seqüestros, torturas e prisões. Segundo fontes da imprensa os monges tomaram as ruas da capital Yangon e de outras cidades meses atrás entoando trechos de escrituras buddhistas, dentre eles o Metta Sutta que exalta o amor e a compaixão aos seres humanos. O que começou com algumas dúzias de monásticos desejosos de justiça e respeito social para todos tornou-se uma das maiores manifestações naquele país, mas com uma característica ímpar: imbuídos de extrema compaixão, os monges solicitaram à população leiga que não os acompanhassem, nem que fizessem quaisquer movimentos contra o governo, de modo que tais leigos não sofressem represálias.

O direito à palavra, ao protesto pacífico, agora está sendo cerceado e vergonhosamente reprimido, e o uso indiscriminado da força coercitiva está sendo feito com o objetivo de sustentar um governo impróprio e tiranizador, apoiado por políticas espúrias e gananciosas de países poderosos, como a China. Não é preciso muito para se corromper. Um pouco de poder, um pouco de elogio, um pouco de ilusão sobre si mesmo e o passado é esquecido, o caráter moral é colocado de lado, e lavamos as mãos. Desta forma, o governo da China (ele mesmo um dos mais responsáveis por atrocidades e desrespeito aos direitos civis nos últimos 60 anos, em especial no Tibet) - juntamente com outros governos submissos aos ditames da hipocrisia política e ao insaciável vício dos ganhos materiais - têm se mantido declaradamente desinteressado em agir para que o sistema repressor de Myanmar aceite um mínimo de abertura político-social. O governo chinês afirma que a crise na Birmânia é um 'assunto interno'. Mas tal assunto interno não impede ou impediu que por décadas este mesmo governo chinês influenciasse ativamente a política birmanesa e retirasse seus pomposos lucros. Esse é o mundo em que vivemos, o da mentira institucionalizada, o do lucro pessoal sobrepujando qualquer dignidade e defesa por causas mais que justas.


Em outro extremo, temos a ONU (tristemente diminuída em seu direito e poder como legisladora das melhores práticas na diplomacia mundial, e sem condições para intervir com determinação e eficiência em governos claramente insensíveis aos anseios de seus próprios cidadãos) em uma contínua busca por fomentar um consenso realmente válido entre os países que determinam e controlam suas ações - a saber, os Estados Unidos, a China, Rússia, França e Inglaterra.

Juntamente a estas sérias críticas, o Colegiado Buddhista deseja manifestar o seu mais profundo pesar e protesto ao comportamento covarde e omisso da chancelaria brasileira, em mais um momento importante na história das relações internacionais. O Brasil, certamente o mais influente país da América Latina, não pode sustentar o argumento de que uma opinião oficial a respeito não tenha influência.
É certo que uma declaração veemente e direta a favor do bem maior da população civil birmanesa, e uma ação contundente contra aquela ditadura baseada em sanções políticas que não prejudiquem o seu povo, seria uma forma digna e correta do governo brasileiro atual demonstrar-se realmente capaz de agir com força e coragem para contribuir pelo desenvolvimento de uma nova política mundial de inter-relações governamentais, e reforçar o valor do Brasil como um membro atuante e firme no cenário político-social do planeta.

Entretanto, o governo brasileiro mais uma vez prefere fazer-se míope às imagens de sofrimento e repressão (esquecendo do terrível passado ditatorial de nosso país) e surdo aos protestos e ao bom senso, e opta por divulgar uma declaração pobre e superficial, onde admite seu desinteresse e incapacidade em agir de forma soberana e independente. Corroborando pressões de ideologias internacionais perversamente cerceadoras dos direitos humanos, e subordinando-se puramente à sedução das vantagens e lucros adquiridos em acordos econômico de interesse, o governo brasileiro vergonhosamente se faz valer de palavras inócuas, declarações ambíguas e um não-envolvimento inadmissível para um país com tanta influência potencial nos assuntos mundiais como o nosso.

O mundo atual sofre uma grave crise humanista, e não humanitária. Por crise de humanismo queremos dizer uma crise de contato, inter-relações, honestidade e valores éticos fundamentados em consciência e discernimento - e não em políticas de poder militar intervencionista, em discursos diplomáticos inócuos e ineficientes ou em artificialismo assistencialista direcionado às populações em crise. Esta é uma situação que, em essência, depende de uma corajosa manifestação em favor de ações governamentais renovadoras e claramente eficientes. Ao mesmo tempo, cabe à sociedade civil brasileira - representada pelos seus mais conscientes líderes e organizadores - apresentar ao mundo uma visão integrada, amadurecida, da problemática do sofrimento, da violência e do trato aos regimes de exceção.

Já não cabe mais debatermos fórmulas sobre o fim dos crimes sociais apenas em nossos bairros, cidades e em nosso próprio país; é imprescindível que compreendamos o fenômeno do ódio, da ignorância e da violência tendo como base a natureza insalubre das relações humanas em âmbito mundial, e o caráter completamente incorreto no modo como as instituições sociais e políticas desenvolvem seus parâmetros de ação e gerenciamento das profundas e complexas estruturas organizacionais dos assuntos humanos. O problema não é apenas nosso (dos brasileiros), mas de todos nós (dos seres humanos), em todo o mundo e além de qualquer fronteira.

Colegiado Buddhista Brasileiro


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sexta-feira, 19 de outubro de 2007

O poder da não-violência


Por Shaazka Beyerle e Cynthia Boaz

Não causou surpresa a junta de Mianmar ter reprimido violentamente a "revolução açafrão". Os generais tinham perdido toda a credibilidade aos olhos de sua população e lhes restava apenas uma única ferramenta de controle -a repressão.

Mas independente de quantas armas e tanques disponham, os generais ainda dependem de soldados comuns para a realização do trabalho sujo. A história ensina que assim que pessoas suficientes deixarem de se importar com suas ordens, ou trocarem de lado, o poder da junta se desintegrará.

Segundo este ponto de vista, a revolução açafrão não acabou, ela apenas começou.

Continua... (Clique aqui e leia o texto na íntegra)


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quinta-feira, 11 de outubro de 2007

NOTÍCIAS MIANMAR

Clique aqui e aja diretamente em apoio à luta democrática e não-violenta dos monges e monjas da Birmânia

Divulgamos o texto integral do discurso que foi pronunciado pelo Monge Gensho, fundador e responsável oficial do Colegiado Buddhista Brasileiro, no evento ecumênico em favor da paz e justiça em Mianmar que ocorreu na quinta-feira, 25 de Outubro, no Templo Busshinji de São Paulo.

Participaram do evento, entre outros, líderes de várias escolas budistas presentes no Brasil, representantes da sociedade civil e líderes políticos.

Manifesto Buddhista em Favor da Paz e Justiça

Senhoras e senhores, nossos estimados irmãos e irmãs unidos em paz,

Aqui estamos, unidos sob a honrosa bandeira da Compreensão e Fraternidade, além das diferenças, além dos racionalismos e conceitos rígidos, além das superficialidades e hipocrisias sociais, políticas ou religiosas, prontos para nos manifestar fortemente a favor da dignidade humana, do valor à vida e do direito à liberdade.

Seja nas vielas de favelas e guetos, seja nas ruas e moradas pobres ou abastadas , não existe momento mais desafiador para o espírito humano do que aquele terrível instante, quando toda a dignidade, amor e direitos essenciais são retirados de homens ou mulheres, crianças ou velhos, deixando-os despojados da simples e mais valiosa dádiva na sociedade: a justiça democrática e o respeito à integridade individual.

Esta manifestação é feita em prol da vida humana. A prática buddhista se fundamenta no reconhecimento cabal de que as bases psico-emocionais do ódio, da ambição, da violência e da ignorância - extremamente insalubres e destruidoras da vida e do bem-estar - não podem jamais ser transformadas e curadas sem a compreensão de que as injustiças sofridas por um indivíduo não podem ser valoradas em função de distâncias ou fronteiras; cada ação injusta na Terra representa uma vida desrespeitada, seja esta humana (independentemente se sua nacionalidade, cor, credo ou condição social) ou mesmo de outros seres no planeta. Essa é a essência da paz e da compreensão: a sabedoria de praticar o respeito aos seres e ao mundo, sem imaginar que este respeito somente nos fala se ele estiver sendo praticado em nossa comunidade, em nosso país, em nossa vizinhança. Estamos todos integrados, somos todos parte de um processo crucial de crescimento e aprendizagem espiritual - esta é uma verdade inalienável.

O buddhismo, como religião constituída, sustenta-se na prática constante de uma ética da consciência, no exercício permanente de compreensão e compaixão profunda, e no respeito à pluralidade de posturas e convicções. Mas não é uma religião condescendente ao fanatismo, à corrupção política ou social, e ao supremo domínio do poder militar, do terrorismo de estado.

Desta forma, o Colegiado Buddhista Brasileiro, entidade pluralista e multidisciplinar que procura contribuir para o diálogo e a cooperação entre os vários líderes, orientadores e praticantes buddhistas pertencentes às suas diversas escolas tradicionais, vem a público manifestar seu repúdio ao tratamento degradante, criminoso e trágico que o governo ditatorial de Myanmar está perpetrando neste país. Neste momento, monges e civis estão sofrendo mortes, seqüestros, torturas e prisões. Segundo fontes da imprensa os monges tomaram as ruas da capital Yangon e de outras cidades meses atrás entoando trechos de escrituras buddhistas, dentre eles o Metta Sutta que exalta o amor e a compaixão aos seres humanos. O que começou com algumas dúzias de monásticos desejosos de justiça e respeito social para todos tornou-se uma das maiores manifestações naquele país, mas com uma característica ímpar: imbuídos de extrema compaixão, os monges solicitaram à população leiga que não os acompanhassem, nem que fizessem quaisquer movimentos contra o governo, de modo que tais leigos não sofressem represálias.

O direito à palavra, ao protesto pacífico, agora está sendo cerceado e vergonhosamente reprimido, e o uso indiscriminado da força coercitiva está sendo feito com o objetivo de sustentar um governo impróprio e tiranizador, apoiado por políticas espúrias e gananciosas de países poderosos, como a China. Não é preciso muito para se corromper. Um pouco de poder, um pouco de elogio, um pouco de ilusão sobre si mesmo e o passado é esquecido, o caráter moral é colocado de lado, e lavamos as mãos. Desta forma, o governo da China (ele mesmo um dos mais responsáveis por atrocidades e desrespeito aos direitos civis nos últimos 60 anos, em especial no Tibet) - juntamente com outros governos submissos aos ditames da hipocrisia política e ao insaciável vício dos ganhos materiais - têm se mantido declaradamente desinteressado em agir para que o sistema repressor de Myanmar aceite um mínimo de abertura político-social. O governo chinês afirma que a crise na Birmânia é um 'assunto interno'. Mas tal assunto interno não impede ou impediu que por décadas este mesmo governo chinês influenciasse ativamente a política birmanesa e retirasse seus pomposos lucros. Esse é o mundo em que vivemos, o da mentira institucionalizada, o do lucro pessoal sobrepujando qualquer dignidade e defesa por causas mais que justas.


Em outro extremo, temos a ONU (tristemente diminuída em seu direito e poder como legisladora das melhores práticas na diplomacia mundial, e sem condições para intervir com determinação e eficiência em governos claramente insensíveis aos anseios de seus próprios cidadãos) em uma contínua busca por fomentar um consenso realmente válido entre os países que determinam e controlam suas ações - a saber, os Estados Unidos, a China, Rússia, França e Inglaterra.

Juntamente a estas sérias críticas, o Colegiado Buddhista deseja manifestar o seu mais profundo pesar e protesto ao comportamento covarde e omisso da chancelaria brasileira, em mais um momento importante na história das relações internacionais. O Brasil, certamente o mais influente país da América Latina, não pode sustentar o argumento de que uma opinião oficial a respeito não tenha influência.
É certo que uma declaração veemente e direta a favor do bem maior da população civil birmanesa, e uma ação contundente contra aquela ditadura baseada em sanções políticas que não prejudiquem o seu povo, seria uma forma digna e correta do governo brasileiro atual demonstrar-se realmente capaz de agir com força e coragem para contribuir pelo desenvolvimento de uma nova política mundial de inter-relações governamentais, e reforçar o valor do Brasil como um membro atuante e firme no cenário político-social do planeta.

Entretanto, o governo brasileiro mais uma vez prefere fazer-se míope às imagens de sofrimento e repressão (esquecendo do terrível passado ditatorial de nosso país) e surdo aos protestos e ao bom senso, e opta por divulgar uma declaração pobre e superficial, onde admite seu desinteresse e incapacidade em agir de forma soberana e independente. Corroborando pressões de ideologias internacionais perversamente cerceadoras dos direitos humanos, e subordinando-se puramente à sedução das vantagens e lucros adquiridos em acordos econômico de interesse, o governo brasileiro vergonhosamente se faz valer de palavras inócuas, declarações ambíguas e um não-envolvimento inadmissível para um país com tanta influência potencial nos assuntos mundiais como o nosso.

O mundo atual sofre uma grave crise humanista, e não humanitária. Por crise de humanismo queremos dizer uma crise de contato, inter-relações, honestidade e valores éticos fundamentados em consciência e discernimento - e não em políticas de poder militar intervencionista, em discursos diplomáticos inócuos e ineficientes ou em artificialismo assistencialista direcionado às populações em crise. Esta é uma situação que, em essência, depende de uma corajosa manifestação em favor de ações governamentais renovadoras e claramente eficientes. Ao mesmo tempo, cabe à sociedade civil brasileira - representada pelos seus mais conscientes líderes e organizadores - apresentar ao mundo uma visão integrada, amadurecida, da problemática do sofrimento, da violência e do trato aos regimes de exceção.

Já não cabe mais debatermos fórmulas sobre o fim dos crimes sociais apenas em nossos bairros, cidades e em nosso próprio país; é imprescindível que compreendamos o fenômeno do ódio, da ignorância e da violência tendo como base a natureza insalubre das relações humanas em âmbito mundial, e o caráter completamente incorreto no modo como as instituições sociais e políticas desenvolvem seus parâmetros de ação e gerenciamento das profundas e complexas estruturas organizacionais dos assuntos humanos. O problema não é apenas nosso (dos brasileiros), mas de todos nós (dos seres humanos), em todo o mundo e além de qualquer fronteira.

Colegiado Buddhista Brasileiro


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quarta-feira, 10 de outubro de 2007

NOTÍCIAS MIANMAR

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Presos foram tratados como animais, diz monge

Por Aung Hla Tun

Centenas de monges budistas presos pela junta militar que controla Mianmar, a antiga Birmânia, foram espancados e tratados como animais, sem ter acesso a um banheiro ou a água potável durante dias de interrogatórios, afirmou na quinta-feira um dos monges libertados.

"No começo, as coisas estavam péssimas", disse à Reuters o homem, que pediu para sua identidade não ser divulgada com medo de sofrer represálias por manifestar-se contra o atual governo, a face mais recente de uma ditadura militar iniciada 45 anos atrás.

Mantidos presos durante mais de uma semana em um complexo que abrigava antes o Instituto Técnico do Governo, no norte de Yangun, os monges -- figuras reverenciadas nesse país majoritariamente budista -- viram-se privados de seus tradicionais robes monásticos e tratados como criminosos comuns.

"Quando um de nós referia-se a si mesmo como monge, recebia um tapa", disse o monge. "O interrogador então dizia: 'Você não é mais um monge. Você é apenas um homem comum com a cabeça raspada'."

Os monges, considerados pelos militares como o maior desafio a seu domínio devido à autoridade moral deles, ficaram em locais tão apertados que não tinham espaço para se deitar.

Durante dias, não puderam ir ao banheiro, não conseguiram lavar as mãos e foram obrigados a pegar punhados de arroz mal cozido com os próprios dedos.

Em determinados momentos, em meio à incessante enxurrada de perguntas para identificar os líderes das manifestações recentes, as maiores realizadas contra a junta militar nos últimos 20 anos, os monges que forneciam respostas consideradas erradas ou inadequadas eram atingidos na cabeça ou chutados, contou o homem libertado.

Os meios de comunicação do país, controlados pelo governo, só admitem que 10 pessoas foram mortas na onda de repressão iniciada na última semana de setembro, a primeira resposta incisiva e violenta do regime militar contra os protestos. Governos do Ocidente e testemunhas birmanesas da repressão, no entanto, afirmam que a cifra real é muitíssimo maior (clique aqui para mais detalhes).

Fonte: Reuters


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terça-feira, 9 de outubro de 2007

NOTÍCIAS MIANMAR

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O partido de Aung San Suu Kyi não aceita condições para o diálogo com o regime

A formação opositora Liga Nacional pela Democracia (LND), da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, advertiu hoje que não dialogará com a Junta Militar de Mianmar (antiga Birmânia) se houver a imposição de condições.

"O desejo de conseguir êxito é muito importante, e por isso não deve ser fixada nenhuma condição prévia", afirmou a LND em comunicado.

Segundo a formação política opositora, a única que resiste à forte pressão exercida pelo regime militar, "o sucesso do diálogo está na sinceridade e no espírito de dar e pedir".

O chefe da Junta Militar, general Than Shwe, tinha expressado ao enviado especial da ONU, Ibrahim Gambari, que visitou Mianmar de 29 de setembro a 2 de outubro, sua disposição de se encontrar com Suu Kyi se esta abandonasse a atitude de "confronto", disseram fontes diplomáticas.

O regime militar anunciou hoje que esperava manter "relações fluentes" com Suu Kyi, após designar um interlocutor oficial com ela e Nações Unidas.

Os generais birmaneses, que governam o país desde 1962, enfrentaram no final de setembro as maiores manifestações governamentais em 19 anos, e reprimiram com violência.

O Governo só reconhece dez mortos e 2.700 pessoas detidas durante a brutal repressão, mas fontes da dissidência elevam o número de vítimas fatais para cerca de 200.

Fonte: EFE


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LUTA DEMOCRÁTICA NA BIRMÂNIA - OPINIÃO

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Monge budista desde pequenininho

Por Levi Corrêa de Araújo - Pastor

Até que poderia arrumar menos confusão se no título do artigo trocasse monge budista por ativista birmanês. Obviamente, não faz falta muita pesquisa para saber que birmanês e budista na “Terra dos Templos” são quase sinônimos. Dos 45,6 milhões de habitantes, 87% são budistas, quase 6 % cristãos e 4% islâmicos.

Quero elogiar com profunda solidariedade e apoiar com minhas orações os monges budistas de Mianmar e lamentar que os cristãos evangélicos da antiga Birmânia não estejam entre os protagonistas de uma resistência justa e legítima contra a Junta Militar que reprime com mão de ferro prendendo, exilando e matando as pessoas que lutam por liberdade naquele país que se tornou independente do domínio britânico em meados do século passado.

Vale destacar que essa postura alienada de silencio obsequioso ou de sustentação a regimes opressores não cabe àqueles cristãos. A espiritualidade dos monges birmaneses – pelo menos nesse momento histórico - é a única que faz sentido. Uma espiritualidade que não é o ópio do povo e que na terra do ópio resiste à ditadura e clama por liberdade. Insisto: Que outra espiritualidade faria sentido?

Sou seguidor de Jesus de Nazaré, mas hoje eu sou monge budista birmanês desde pequenininho. Arrisco mais uma vez ter o estigma de herege e espero as pedradas dos incautos, pois sempre estarei do lado de todo devoto que se expõe sem medo de ser o que é e ao lado da justiça contra todo e qualquer regime opressor, seja ele, inclusive, de confissão religiosa.


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segunda-feira, 8 de outubro de 2007

NOTÍCIAS MIANMAR

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A Junta Militar retira soldados das ruas de Yangun

Por Aung Hla Tun

A junta no poder em Mianmar reduziu drasticamente o número de tropas de segurança em Yangon no domingo, aparentemente confiante de que não enfrentará novos protestos populares contra o regime militar, mas as ruas permanecem tranqüilas e as detenções continuam.

As últimas barricadas foram removidas do centro da ex-capital nas redondezas dos templos de Shwedagon e Sule, que foram o cenário dos protestos reprimidos por soldados que atiraram na multidão e prenderam monges e outros manifestantes.

As poucas pessoas nas ruas disseram ainda estar temerosas. A Internet, por onde imagens dramáticas da repressão às manifestações foram exibidas para o mundo, permanece cortada.

Pessoas nas ruas estavam com medo de dar declarações, embora os generais no poder tenham afirmado pela primeira vez estarem dispostos a negociar com a líder presa Aung San Suu Kyi, mas sob condições que ela não deverá aceitar.

O general Than Shwe, chefe da junta, propôs negociar desde que Suu Kyi abandone o "confronto" e seu apoio a sanções que devem causar "total devastação".

Analistas de Mianmar previnem contra o otimismo já que esperanças de mudanças no passado foram esmagadas com freqüência, principalmente no episódio em que 3.000 pessoas foram mortas durante a repressão a uma revolta em 1988.

O enviado especial da ONU Ibrahim Gambari disse a repórteres na sexta-feira, após reportar ao Conselho de Segurança sobre sua visita de quatro dias a Mianmar, ter visto oportunidades para negociações entre a junta e Suu Kyi, que se encontrou com Gambari duas vezes.

"Nas nossas conversas, ela me pareceu muito ansiosa para estabelecer o diálogo", desde que não houvesse pré-condições, segundo Gambari.

Não foram divulgadas declarações de Suu Kyi, de 62 anos, que passou 12 dos últimos 19 anos em prisão domiciliar em Yangon, sem telefone, recebendo visitas raramente e apenas sob permissão oficial.

A junta afirma que dez pessoas foram mortas durante os protestos que começaram com pequenas marchas contra o aumento dos preços dos combustíveis em agosto. Testemunhas birmaneses, porém, afirmam que o número é muito maior.

Fonte: Reuters


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domingo, 7 de outubro de 2007

BIRMÂNIA LIVRE!

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Participe do Dia Internacional de Ação pela Liberdade na Birmânia!

Várias passeatas estão sendo organizadas em diversas partes do mundo para este domingo, 7 de outubro, como parte do International Day of Action for a Free Burma (Dia Internacional de Ação pela Liberdade na Birmânia). Uma lista das vigílias, em inglês, pode ser vista aqui. Para saber mais sobre a iniciativa, acesse o site (em inglês) da organização Burma Watch, de suporte ao movimento democrático birmanês.


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sexta-feira, 5 de outubro de 2007

NOTÍCIAS MIANMAR

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A Junta Militar admite que mantém 109 monges detidos, mas acredita-se que muitos mais estejam presos ou desaparecidos

A Junta Militar de Mianmar, a ex-Birmânia, admitiu nesta sexta-feira que, na semana passada, as forças se segurança invadiram 18 mosteiros budistas e prenderam mais de 700 pessoas, mas “só” 109 monges teriam ficado detidos, segundo anunciou um alto funcionário do Ministério do Interior através da televisão estatal.

Fontes da inteligência do regime que fugiram da Birmânia recentemente e solicitaram asilo político no exterior por terem se recusado a realizar o “trabalho sujo” da repressão, porém, denunciaram que milhares de monges foram sequestrados clandestinamente, torturados, assassinados e seus corpos feitos desaparecer desde o início da repressão dos protestos pela democracia, e muitos outros foram detidos e deportados para campos de concentração na região norte do país onde além de vexames, maus tratos e condições de vida desumanas, têm que suportar temperaturas por debaixo do zero.


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